Leia o Texto abaixo.
O mau brasileiro
1.§ Ainda não me motivei o suficiente para a campanha da Olimpíada de 2016. Como todo pessimista, acho que não vai dar certo. O Rio aguentou bravamente a barra da Eco-92: o evento era de menor duração e menos gente.
2.§ Tivemos dezenas de chefes de Estado, reis e muitos turistas, apesar de alguns problemas com a infraestrutura, demos conta do recado, sobretudo no item da segurança: a criminalidade baixou a quase zero, devido, sobretudo, à colaboração das Forças Armadas.
3.§ Tantos anos depois, continuamos com os mesmos problemas na infraestrutura: bons alojamentos, boa segurança, bons hospitais para os casos de emergência. Não creio que haja dinheiro nem tempo para a construção de vilas olímpicas, novas vias de acesso, estádios e instalações para as diversas modalidades de esporte.
4.§ Tampouco acredito que o nosso futuro dependa de uma Olimpíada. Estamos jogando para frente essa coisa nebulosa e nem sempre provável que é o futuro tão prometido e louvado antecipadamente. Acreditávamos que só teríamos o respeito do mundo depois de ter ganho uma Copa do Mundo. Ganhamos cinco -- nem por isso nossos méritos e glórias receberam consagração universal.
5.§ Houve também o caso de Frank Sinatra. Passamos duas décadas esperando pelos seus olhos azuis com histérica obstinação, nada seríamos como nação e povo enquanto não ouvíssemos de corpo presente “The Girl from Ipanema” cantada pela Voz.
6.§ Pois Sinatra cantou para 150 mil pessoas no Maracanã, foi beijado pelo Beijoqueiro, deu uma bicicleta para um guri, prometendo pagar-lhe os estudos. Veio, disse adeus e foi embora -- como naquela cantiga de roda. Continuamos na mesma, com nossos problemas e esperanças.
7.§ Até o papa veio, e Madonna e Paul McCartney, os Rolling Stones -- não era por aqui que o futuro se abriria a nosso favor. Essa turma costuma ir a todos os lugares. Bem verdade que a Olimpíada representa investimentos que transcendem o espaço da competição e ficam.
8.§ Há também a questão da imagem. Durante um mês, desde os preparativos até a cerimônia de encerramento, de alguma forma o mundo tomaria conhecimento de nossa existência e de nossas infinitas possibilidades.
9.§ Não sei não. Pior do que não ter Olimpíada é ter uma olimpíada chinfrim, mal organizada como a de Atlanta. Hitler conseguiu empolgar aqueles anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial porque, entre outras coisas, promoveu uma Olimpíada monumental, histórica, tão histórica que um negro americano (Owens) derrotou os arianos.
10.§ Tenho dúvidas sobre a capacidade nacional de aguentar duas semanas organizadamente, sem dar vexame. A taça Jules Rimet de 1950 reuniu bem menos gente e o mundo era diferente, não havia uma câmera de TV em cada banheiro para saber se havia água na torneira.
11.§ Somos bons em explosões em piques como o Carnaval. Se o mundo pegasse fogo, e os povos de todas as nações buscassem refúgio aqui, nos dois primeiros dias seríamos impecáveis, abrigaríamos a todos com generosidade e alegria. No terceiro começaríamos a sacanear os gringos.
12.§ No caso específico da Olimpíada, antecedida por uma Copa do Mundo, sabemos que as coisas não estão arrumadas. Alojamentos, acessos, transportes, aeroportos e, sobretudo, estádios e pistas de atletismo estão não apenas atrasados, mas atrasadíssimos.
13.§ A Fifa e o Comitê Olímpico passaram meses cobrando mais agilidade do governo brasileiro, especialistas internacionais já estiveram mais pessimistas, mas volta e meia uma comissão oficial faz a inspeção rotineira e para não criar caso com o governo, admite que tudo é possível, inclusive, que tudo dê certo.
14.§ Apesar de mau brasileiro, desprezando o otimismo próprio e o dos outros, acredito que não daremos um vexame monumental, mas continuaremos longe do futuro que nos foi prometido e no qual a maioria do povo acredita.
15.§ Na Copa do Mundo de 1998, na França, ouvi muitos comentários dos jornalistas que cobriam o evento. Já se discutia a possibilidade de o Brasil sediar uma das próximas Copas. A opinião mais ou menos geral era a necessidade de derrubar o Maracanã inteiro para colocá-lo em igualdade com o estádio de Saint-Denis, palco principal dos jogos daquele ano.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ carlosheitorcony/2013/05/1279730-o-mau-brasileiro.shtml
Quanto à estrutura e à organização do texto e de seus parágrafos, assinale o agrupamento de parágrafos que NÃO poderia ser utilizado de acordo com o tema apresentado.