"O africano Mahommah G. Baquaqua viveu a experiência do tráfico e relatou em um livro publicado em 1854:
‘Quando estávamos prontos para embarcar, fomos
acorrentados uns aos outros e amarrados com cordas
pelo pescoço e assim arrastados para a beira do mar. O
navio estava a alguma distância da praia. Nunca havia
visto um navio antes e pensei que fosse algum objeto
de adoração do homem branco. Imaginei que seríamos
todos massacrados e que estávamos sendo conduzidos
para lá com essa intenção. Temia por minha segurança
e o desalento se apossou quase inteiramente de mim.
Uma espécie de festa foi realizada em terra firme naquele dia. Aqueles que remaram os barcos foram fartamente regalados com uísque e, aos escravos, serviam
arroz e outras coisas gostosas em abundância. Não
estava ciente de que esta seria minha última festa na
África. Não sabia do meu destino. Feliz de mim que não
sabia. Sabia apenas que era um escravo, acorrentado
pelo pescoço, e devia submeter-me prontamente e de
boa vontade, acontecesse o que acontecesse. Isso era
tudo quanto eu achava que tinha o direito de saber[...]
Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens
apinhados de um lado e as mulheres do outro. O porão
era baixo que não podíamos ficar de pé, éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite e dia
eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido
ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga. Oh! A repugnância
e a imundície daquele lugar horrível nunca serão apagadas da minha memória. Não: enquanto a memória
mantiver seu posto nesse cérebro distraído, lembrarei
daquilo. Meu coração até hoje adoece ao pensar nisto"
(Albuquerque, W.R. de; Filho, W.F., 2006, p. 48).
É correto afirmar que, em suas pesquisas sobre o tráfico negreiro, Albuquerque (2006) evidencia
É correto afirmar que, em suas pesquisas sobre o tráfico negreiro, Albuquerque (2006) evidencia