Magna Concursos
4053791 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
Provas:

Texto VII

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Coimbra, julho, 1843.

DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. In: DIAS, Gonçalves. Poesias completas. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 53-54.

Texto VIII

O navio negreiro

Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio, Musa... Chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto!...

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança,

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!...

ALVES, Castro. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 16.

Os textos VII e VIII constituem expressão do mesmo projeto estético, o Romantismo.

Entre um e outro, porém, diverge a perspectiva da identidade nacional, uma vez que o primeiro texto

 

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