Quanto ao meio técnico-científico-informacional, é o meio geográfico do período atual, onde os objetos mais proeminentes são
elaborados a partir dos mandamentos da ciência e se servem de uma técnica informacional da qual lhes vem o alto coeficiente
de intencionalidade com que servem às diversas modalidades e às diversas etapas da produção.
A produção do meio técnico-científico obriga a uma reinterpretação qualitativa do investimento público, em função dos círculos
de cooperação que, desse modo, se instalam em um nível superior de complexidade e em uma escala geográfica de ação bem
mais ampla. O investimento público pode aumentar em uma dada região, ao mesmo tempo que os fluxos de mais-valia irão
beneficiar a algumas firmas ou pessoas, que não são obrigatoriamente locais. Essa contradição entre fluxo de investimentos
públicos e fluxo de mais-valia consagra a possibilidade de ver acrescida a dotação regional de capital constante, ao mesmo
tempo que a sociedade local se descapitaliza. Da mesma forma, a vulnerabilidade ambiental pode aumentar com o crescimento
econômico local.
SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2006 (adaptado)