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3972035 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: UPENET/IAUPE
Orgão: Pref. Petrolina-PE
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Leia o texto a seguir, trecho de uma entrevista concedida pelo linguista Mario Perini a uma revista especializada da área de Linguística. Ele servirá de base para a questão.
Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?

Posso começar dizendo que a relação entre língua e linguagem é que uma “língua” é uma das maneiras como se manifesta exteriormente a capacidade humana a que chamamos “linguagem”. Mas o termo linguagem é também aplicado a outros tipos de sistemas de comunicação, que normalmente não são chamados línguas, como o sistema de sinais de trânsito e a linguagem das abelhas. Assim, linguagem é um conceito muito mais amplo do que língua: a linguagem inclui as línguas entre suas manifestações, mas não apenas as línguas.

Agora, dito isso, podemos afirmar que as relações entre a linguagem (em geral sob a forma das línguas) e a sociedade humana são muitas e muito importantes. Primeiro, observemos que qualquer sociedade minimamente complexa só pode funcionar, e mesmo surgir, através do uso intensivo da linguagem. A sociedade funciona através da cooperação e/ou conflito entre os homens, e a linguagem medeia esses processos de maneira crucial. 

A língua falada por um povo é parte da imagem que esse povo tem de si mesmo, em certos casos ainda mais significativa do que as unidades políticas em que o povo se organiza. Assim, embora a Alemanha e a Itália só se tenham unificado como nações nos meados do século XIX, havia muitos séculos já que os falantes das respectivas línguas se consideravam “alemães” e “italianos”. Pode-se mencionar também fatos atuais como a atitude dos catalães e dos bascos, que insistem em ser diferentes dos demais espanhóis, em grande parte por falarem outra língua. Vemos aí uma tendência a fazer coincidir as fronteiras linguísticas com as fronteiras nacionais. Isso nem sempre acontece, como se pode ver pela persistência das fronteiras entre os países hispano-americanos, mas mesmo assim um mexicano se sente culturalmente mais próximo de um espanhol ou de um uruguaio do que de seus vizinhos americanos falantes de inglês. A língua é, sintomaticamente, um dos instrumentos mais importantes na mão de governantes que, para bem ou para mal, procuram enfatizar a unidade de um povo ou de uma nação.

PERINI, Mário A. Sobre língua, linguagem e Linguística: uma entrevista com Mário A. Perini. ReVEL. Vol. 8, n. 14, 2010. Disponível em: https://www.revel.inf.br/files/entrevistas/revel_14_entrevista_perini.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025. 

Em uma aula sobre variação linguística, um professor solicita que os alunos relatem situações do cotidiano em que ouviram diferentes maneiras de falar português. Durante os relatos orais, surgem exemplos de variação regional e social, que são discutidos coletivamente. O professor evita classificar as falas como “certas” ou “erradas” e orienta os alunos a refletirem sobre os contextos em que cada forma é utilizada.

Nessa situação, o professor mostra que concebe a língua como prática social historicamente situada, e seu trabalho com a oralidade, a partir dessa concepção, contribui para que os alunos

 

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