Texto CG1A1-II
Tese é uma solução a um problema ─ e implica um optar
em face de outras alternativas descartadas. Tal optar parte da
exigência de que a resposta seja “pertinente”, o que limita em boa
medida toda arbitrariedade. Entretanto, é óbvio que isso ainda
não basta. Por que, então, o filósofo se decide por uma e não por
outra? É aqui que os argumentos desempenham um
papel essencial.
Todavia, se por “argumentar” entendemos algo preciso,
então ele consiste em uma inferência de valores de verdade. Uma
vez aceita a definição anterior, segue-se que a ideia de
“argumento” não esgota nem caracteriza suficientemente a
racionalidade filosófica. Existem modos de “fundamentação” que
não podem ser reduzidos a “argumentos” em sentido estrito. Um
desses modos mencionados é a explicitação, a qual consiste em
clarificar e precisar conceitos, teses, problemas e supostos de
todos os tipos de gênero.
A fundamentação (e argumentação) da tese nem sempre
tem caráter linear e facilmente reconstruível; às vezes ela assume
formas muito refinadas. Em algumas ocasiões, entre os
argumentos, encontra-se a derivação de consequências. Toda tese
contém consequências e também elas têm de ser verdadeiras.
Teses são rechaçadas muitas vezes não por si mesmas, mas por
suas consequências; outras vezes são aceitas pelas consequências
de sua eventual negação, porque se descartou toda outra
alternativa, por exemplo.
Mario Ariel Gonzáles Porta. A filosofia a partir de seus problemas:
didática e metodologia do estudo filosófico.
São Paulo: Edições Loyola, 2007, p. 36-38 (com adaptações).