Empenho contra a fome
Dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da
Organização das Nações Unidas (ONU), o de número 2 visa
acabar com a fome e a desnutrição até 2030, garantindo que
as pessoas, especialmente crianças, tenham alimentos suficientes durante todo o ano. O Brasil é signatário dos ODS,
assim como outros 192 países.
A meta é ambiciosa – alguns diriam até utópica –,
mas, aqui no Brasil, retomamos o caminho de combate à
fome e estamos avançando contra esse flagelo. Em 2024,
2,2 milhões de lares saíram da insegurança alimentar, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
(PNADC), divulgada pelo IBGE na semana passada. Um
recuo de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024.
Os dados do IBGE foram divulgados menos de três
meses após a FAO/ONU anunciar que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome. O país já tinha deixado essa lista
sombria em 2014, mas retornou em 2021.
Mesmo com o enfrentamento à fome como uma das prioridades do atual governo, ainda havia 6,48 milhões de pessoas, em 2024, atingidas por essa calamidade. O número –
embora signifique o menor nível de brasileiros nessa situação
desde 2004 – é absurdamente alto. E torna-se inaceitável em
se tratando de um país que figura entre os principais produtores de alimentos do mundo.
Mas estamos vendo progressos. Isso nos dá esperança
de, enfim, alcançarmos a segurança alimentar no nosso país.
Se não até 2030, ao menos o mais próximo possível disso.
(Cida Barbosa, 16.10.2025.
Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)