A violência, independentemente de idade ou sexo, participava da rotina e só chamava a atenção quando, aplicada de modo
exagerado, ocasionava invalidez ou morte. Havia alguns que requintavam a perversidade, obrigando pessoas a castigar seus entes
queridos. Via-se, então, filho espancar mãe, irmão bater em irmã e assim por diante. O “tronco” era, todavia, o mais encontradiço
de todos os castigos, imperando na 7ª Inspetoria. Consistia na trituração do tornozelo da vítima, colocando-a entre duas estacas
enterradas juntas em ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente. Tanto
sofreram os índios na peia e no “tronco” que, embora o Código Penal capitule como crime a prisão em cárcere privado, deve-se
saudar a adoção desse delito como um inegável progresso no exercício da “proteção ao índio”.
Relatório do Procurador Jader Figueiredo. Brasília, 1968.
Disponível em: https://midia.mpf.mp.br
Acesso em: 22 maio 2025 (adaptado).