Onda sustentável
Se há alguns setores que enfrentam períodos de dificuldade econômica com um pouco mais de tranquilidade, sem dúvida, o de alimentos orgânicos é um deles. Com a mudança de comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais exigentes no quesito alimentação, esse segmento nadou de braçadas nos últimos anos. Segundo um estudo da consultoria Euromonitor, o consumo de alimentos sem adição de agrotóxicos e cultivado de maneira natural praticamente dobrou entre 2009 e 2014, enquanto a demanda por alimentos tradicionais cresceu 67% no período. [...]
Em um levantamento realizado pela Dunnhumby, empresa de pesquisa do grupo varejista britânico Tesco, com 18.000 pessoas de 18 países, 79% dos brasileiros disseram que saúde e nutrição são prioridades em sua vida. Esse patamar não passa de 55% no Reino Unido e de 66% nos Estados Unidos. E, segundo um relatório da Nielsen, três quartos dos consumidores leem atentamente o rótulo dos produtos e 63% desconfiam do que consta nas embalagens. É o caso da advogada paulista Sylvia Regina Rocha Batista, de 29 anos. Há cerca de oito anos ela passou a se preocupar mais com o que consome. “Minhas idas ao supermercado ficaram mais demoradas, pois passo um bom tempo lendo a embalagem dos alimentos antes de comprar. Mas um dos maiores problemas é o preço. Certas vezes deixo de comprar por conta do valor muito mais alto do que o dos alimentos tradicionais”, diz Sylvia. Esse é mesmo um ponto de atenção desse mercado. Um dos fatores que explicam o preço ainda salgado dos produtos é a produção em baixa escala. [...]
A questão dos preços foi um dos principais pontos levados em conta para a criação da Pic-me, companhia que comercializa frutas sem conservantes, em formato de purê, uma espécie de papinha para adultos. A empresa foi fundada em outubro de 2015 por Thiago Burgers e três sócios – o grupo de investimento Joá, do apresentador Luciano Huck, uma empresa de comunicação e o presidente de uma multinacional – e vende cada embalagem por 6 reais. “Acredito que os alimentos que contêm adição de açúcar, conservantes e sódio estão com os dias contados. Por isso, resolvi fazer parte dessa revolução e trazer produtos de uma forma acessível”, diz Thiago. Para fundar a Pic-me, ele viajou para alguns países com tradição no segmento saudável e pesquisou possíveis áreas de atuação. “Notei que as frutas eram um ponto de atenção. Muitas pessoas querem comer, mas a dificuldade de transporte e a durabilidade acabam atrapalhando”, diz.
Segundo um estudo da Nielsen, 96% dos brasileiros não consomem fruta fora do lar e 92% não consideram a fruta um alimento prático. Mesmo sendo fonte de vitaminas, compostos bioativos e minerais, o consumo de frutas é menor do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde justamente por conta da falta de praticidade. Para possibilitar o encontro da fome com a vontade de comer, a Pic-me desenvolveu uma embalagem com cinco camadas de plástico e alumínio, que impossibilitam a entrada de luz e umidade e impedem a oxidação do alimento. Com a embalagem, as frutas podem ser consumidas em até um ano. [...]
(LOUREIRO, Michele. Onda sustentável. Você S/A, São Paulo, edição 214, p. 54-57, maio 2016.)
Em todas as alternativas apresentadas abaixo, a palavra sublinhada é um pronome relativo, exceto em: