Leia o texto para responder à questão:
Nem todo humano
Nina é um ímã de maluco.
As pessoas acham que o fato de você estar com um cachorro é permissão para puxar conversa sobre cachorros, o
clima, política, economia, urbanismo, ecologia. Isso também
acontece quando você tem um bebê humano, mas já passei,
tem tempo, dessa fase.
Nina e eu caminhando na rua. Do nada, um senhor compartilha a informação de que a filha dele tem um cachorro
parecido e que, portanto (?!), eu também devo ser médica.
Tudo o que ele queria, obviamente, era contar para alguém
que tem uma filha médica. Sorri amarelo e fugi, poupando o
senhor da minha opinião sobre médicos, de uma forma geral.
Entramos no parque. Um doido vem na minha direção
e grita “animais têm alma sim!”. Concordei, é claro. E fomos
na direção oposta ao doido e ao lugar para onde eu queria ir.
Sentamos em um banco do parque. Quer dizer, eu sentei
no banco, Nina deitou no chão. Uma senhora estaciona do
nosso lado. E, depois de fazer cafuné na Nina por uns bons
cinco minutos, me diz que ela deveria estar de focinheira. A
vontade que me deu de dizer quem eu acho que deveria estar
de focinheira, minha gente, nem conto.
Nem todo humano, mas sempre um humano. De nada
adianta toda a minha apresentação mal-encarada e poucos-amigos.
Eu culpo a Nina e essa carinha fofa e simpática dela.
Aposto que se eu morasse com um dobermann, nada disso
acontecia.
(Carolina Vigna. Nem todo humano. Disponível em: https://rascunho.com.br/
cronistas/carolina-vigna/nem-todo-humano/.
Acesso em 04/05/2025. Adaptado)
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