Como a exposição digital impacta a saúde mental dos adolescentes?
O contato precoce e excessivo com o ambiente virtual pode trazer várias consequências para a
saúde física e mental dos jovens e impulsionar a sexualização e a adultização
As crianças e os adolescentes estão se conectando à internet cada vez mais cedo e permanecendo mais tempo em ambientes
digitais. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação
(Cetic.br), mostrou que 24% das crianças de até 6 anos já acessaram a rede – em 2015, eram apenas 11%. Na faixa etária dos 9 aos
17 anos, a presença digital é quase universal: 95% utilizam celulares, tablets ou computadores para navegar. Quanto à frequência,
53% dizem usar o WhatsApp “várias vezes ao dia” e 45% acessam o Instagram com a mesma intensidade – índices que sobem para
78% e 63%, respectivamente, entre os adolescentes de 15 a 17 anos.
O contato precoce e excessivo com o ambiente virtual, sobretudo com as redes sociais, pode trazer várias consequências
para a saúde física e mental dos jovens. Entre elas, ansiedade, distúrbios do sono, dificuldades de memória e concentração,
além de fadiga mental e sedentarismo. No campo social, pode favorecer o isolamento, afetar a autoestima por reforçar padrões
irreais de beleza e até impulsionar a sexualização e a adultização dos adolescentes.
Esses impactos reverberam no espaço escolar, onde emoções e comportamentos ficam mais visíveis, e influenciam a
aprendizagem. “As redes intensificam sentimentos de ansiedade, insegurança e comparações sociais, o que se manifesta em
sala de aula como baixa autoestima, isolamento ou agressividade”, observa Andrea Santos de Souza Militão, professora da rede
municipal de Londrina (PR). “Também percebemos o favorecimento de conflitos interpessoais, muitas vezes ampliando situações de bullying do ambiente digital para a escola e vice-versa.” De acordo com ela, o excesso de estímulos digitais ainda dificulta o foco e a persistência em atividades escolares, o que pode levar à queda no desempenho e à desmotivação.
O desafio é amplo e exige articulação entre famílias, escolas e políticas públicas. Garantir que adolescentes naveguem
pelas redes com segurança, consciência crítica e suporte emocional é tão importante quanto ensinar conteúdos acadêmicos.
Estratégias como círculos de diálogo, projetos interdisciplinares e o fortalecimento da cultura escolar demonstram que é possível transformar os riscos digitais em oportunidades de aprendizado e cuidado, promovendo um ambiente educativo mais
saudável e seguro.
(GIUFFRIDA, Patrícia. Nova Escola. Em: 23/09/2025. Adaptado.)