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4053864 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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TEXTO II

Dandara

A guerreira de Palmares


Na escola, uma menininha muito esperta e curiosa chamada Carolina olha atenta os livros que estão na prateleira da sala de leitura.

Carol, como é carinhosamente conhecida, gosta muito de histórias. Às vezes, passa horas folheando as páginas dos livros, observando as figuras ou brincando de ler para suas bonecas, momentos em que dá vida aos personagens.

Às sextas-feiras, as crianças podem escolher um livro da biblioteca e levar para casa. Numa delas, em meio a tantas princesas que vivem em reinos distantes, à espera de seus príncipes encantados, um outro tipo de história chama a atenção de Carol.

A menina chega em casa animada e, como alguém que possui algo muito precioso, vai logo mostrando o livro para a mãe:

– Olha, mamãe, o livro que eu trouxe da escola!

Teresa, com carinho, pega o livro e fala:

– Hum, é sobre Dandara, guerreira do Quilombo dos Palmares! Excelente escolha, filha!

Carol olha para a mãe e diz:

– Você lê para mim?!

As duas se sentam no sofá e se preparam para o início de uma grande aventura!

A história que vou contar agora é sobre uma linda garotinha chamada Dandara. Ela é muito esperta, inteligente e corajosa!

– Igual a você, Carol – diz Teresa, recebendo em troca um sorriso cativante.

Numa época em que muitos reis, rainhas, ferreiros, agricultores, mineradores, tecelões, escultores são trazidos à força da África para serem escravizados no Brasil, Dandara vive em liberdade no Quilombo dos Palmares.

– O que é um quilombo, mamãe?

– Os quilombos eram comunidades onde homens, mulheres e crianças lutavam contra as crueldades da escravização. Tinham muitos negros, mas também brancos e indígenas. Lá eles construíam suas casas, plantavam milho, batata doce, mandioca, criavam animais, faziam festas, cantavam e dançavam ao som de cantigas e tambores... Enfim, viviam livres e felizes, como na terra mãe distante: a África.

Dandara adora tomar banho de rio, correr pela mata e brincar com os animais da floresta. Esse é um momento de grande diversão e troca de energia!

Os mais velhos da comunidade sempre falam sobre o cuidado e o respeito que se deve ter com a natureza. À noite, em volta da fogueira, eles também contam as incríveis histórias de seus antepassados, transmitindo todo o seu conhecimento. As crianças ouvem tudo em silêncio, prestando muita atenção!

Com espírito combativo e justo, a menina tem a confiança de todos na comunidade. Entre as crianças, até mesmo as de mais idade, é ela quem organiza as brincadeiras e as atividades diárias.

O tempo passa, Dandara cresce e se torna uma grande guerreira.

Obstinada em garantir a liberdade de seus irmãos e irmãs, Dandara começa a liderá-los em defesa do quilombo. Ela sabe que Palmares corre perigo, pois a ganância de certos homens está desestabilizando o equilíbrio do mundo.

Certo dia, de uma hora para outra, raios, ventos e tempestades começam a tomar o céu, agitando as palmeiras que balançam no ar.

A ventania traz consigo uma mensagem! Um jovem chamado Akin, com muita dificuldade, atravessa a mata fechada e chega ao quilombo com a notícia de que homens perversos estão avançando em direção à comunidade.

Dandara imediatamente reúne as guerreiras e os guerreiros e, juntos, começam a traçar as estratégias de resistência.

Os quilombolas, além de muito habilidosos nos combates, conhecem bem as matas da região. Usando isso a seu favor, eles conseguem corajosamente impedir os inimigos de chegarem a Palmares.

À noite, enquanto comemorava mais uma vitória contra aqueles que querem destruir o quilombo, Dandara agradece a proteção de seus ancestrais e pensa: quando Obatalá criou os homens e as mulheres, ele os fez livres e iguais. A liberdade é o que temos de mais precioso e ninguém pode tirá-la de nós.

Alguns dias depois, Dandara convoca as guerreiras e os guerreiros para uma missão muito importante. Consciente e determinada, a heroína sabe que sua liberdade, assim como a dos demais moradores do quilombo, só terá sentido quando todos os seus irmãos e irmãs negros também forem livres.

Dandara olha firme para seus companheiros e diz:

– Nós só seremos livres de verdade quando o nosso povo não for mais escravizado. Precisamos agir!

O plano de Dandara é libertar os escravizados de um engenho de açúcar da região.

Ao anoitecer, os quilombolas, liderados por ela e por Zumbi, seu companheiro de vida e de luta, chegam ao local. Os escravizados dormem nas senzalas, vigiados pelo feitor.

O vento, que soprava leve e agradável, de repente se agita. É a deusa dos raios, dos ventos e das tempestades e o deus da guerra que se aproximam para proteger os valorosos guerreiros!

Com a ventania, as tochas que iluminam a fazenda se apagam. Os quilombolas, mesmo com a oposição dos capangas, conseguem abrir as senzalas e todos seguem para Palmares.

– LIBERDADE!

No quilombo, tudo é compartilhado: a terra, os alimentos, mas principalmente o sonho de LIBERDADE, o qual é o tempo todo ameaçado por aqueles que atacam a comunidade. Dandara sabe disso e teme por sua família e por seus irmãos.

Certa noite, a guerreira não consegue descansar. Levanta-se, olha para Zumbi e para seus filhos. Todos dormem. Dandara sai da sua casa e caminha em direção à floresta. Lá, ela recuperaria suas energias para a batalha que se anunciava.

Ainda antes do amanhecer, Dandara e Zumbi recebem de Acaiuba a notícia de que Palmares está cercado pelos inimigos.

– Meus irmãos e irmãs... – diz Dandara a seus companheiros, que a olham com muita admiração, respeito e confiança.

– Há tempos estamos protegendo essa comunidade daqueles que querem nos escravizar e nos obrigar a trabalhar de forma desumana para sua riqueza. Mas nós não iremos aceitar! Nunca abriremos mão de nossa liberdade! NUNCA!

– LIBERDADE! LIBERDADE! – gritam os guerreiros.

Dandara lutou, lutou, lutou com muita força e coragem... por ela, por sua família e pelo seu povo negro. Seu espírito corajoso e guerreiro era livre, livre como o vento, e deixou muitas sementes plantadas por ali.

– Por isso, sua incansável luta pela liberdade continua viva até hoje, mesmo com a destruição do quilombo. Inspirando muitos homens, mulheres e crianças negras – diz Teresa, encerrando a história.

– Uau!!! Que incrível heroína foi Dandara! Podemos ler de novo quando o papai chegar? – Diz Carol, emocionada.

Teresa apenas sorri, observando a filha, que repete, pausadamente:

– Li-ber-da-de!

OLIVEIRA, Janaína. Dandara, a guerreira de Palmares. Pereira Barreto: A Arte da Palavra, 2022.

O Texto II é a narrativa integral do livro Dandara, a guerreira de Palmares, da escritora Janaína Oliveira.

Com vistas à formação do leitor literário nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que critérios justificam adequadamente a seleção dessa obra para turmas de 2o e 3o anos?

 

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