O texto seguinte servirá de base para responder à
questão.
Histórico do Município.
A colonização do município de Jaborá teve início por
volta dos anos de 1916/1919 quando chegaram as
primeiras famílias de origem italiana vindas do Rio
Grande do Sul, pois até então o local era habitado por
indígenas.
Nas décadas de 1920 e 1930, pessoas da região colonial
italiana do Rio Grande do Sul criaram Firmas
Colonizadoras no Meio-Oeste Catarinense. Essas firmas
faziam intensa propaganda entre as famílias de
imigrantes italianos, incentivando a comprarem terras
novas de mato e pinhal. Os representantes dessas
firmas acompanhavam os futuros compradores em
caminhos onde só se transitava a cavalo. Durante o
período entre a compra e a mudança, os proprietários
organizavam-se em grupos e vinham a cavalo ver suas
terras, pagar impostos, negociar, etc. Essas viagens
duravam em torno de um a dois meses, entre ida e volta.
Às vezes pousavam ao relento, agasalhados apenas
com as capas e os pelegos da montaria. Acendiam um
fogo para afastar os graxains que se aproximavam para
comer os salames que tinham nas bruacas, pois
costumavam levar consigo algo para comer pelo
caminho, como pão, queijo, salame, vinho, café, etc. Em
geral traziam duas mudas de montaria, ou seja, traziam
dois cavalos ou mulas e iam revezando os animais para
não os cansarem demais.
O trajeto, em sua maioria, tinha partida em Nova Trento
(Flores da Cunha), seguiam por Antônio Prado, pelos
campos de Lagoa Vermelha e Vacaria, Vila Seca,
Machadinho, passavam de balsa no Rio Pelotas,
Capinzal e, finalmente, Lajeado Bonito, ou Sede São
Roque (Jaborá). Esses colonizadores vinham motivados
pela fertilidade das terras e dos imensos pinheirais de
araucária que cobriam a região. Com bravura
trabalharam arduamente para abrir estradas onde antes
havia apenas picadas e enfrentaram até onças enquanto
roçavam.
Primeiramente, construíram uma casa de madeira
simples para poderem morar. Depois, trabalharam de sol
a sol, derrubando mato para fazer roças de milho, feijão,
trigo, etc. Antes de qualquer coisa, lutaram e trabalharam
para conseguir o sustento da família. Os vizinhos que
haviam chegado antes ajudavam os recém-chegados
fornecendo mantimentos, ajudando nos trabalhos e até fornecendo porcos e novilhas para iniciar criação.
Mantinham uma grande amizade, pois muitos se
conheciam ainda no Rio Grande do Sul. Assim
construíram a primeira vila, onde hoje é a sede do
município. A localidade teve várias denominações, como
Rio Bonito ou Lajeado Bonito, Sede dos Poyer, São
Roque e, a partir de 1943, definitivamente passou a se
chamar Jaborá.
Em 1920 chegaram as peças da primeira serraria
hidráulica, trazida do Rio Grande do Sul por bois para as
matas do Rancho Grande, era a Serraria do Sr. Germano
Poyer, que no ano seguinte foi transferida de junto às
margens do Rio Bonito para outro local e passou a
funcionar com energia de máquina à vapor. Germano
Poyer também construiu um moinho e olaria. No ano de
1922, apresentou-se o primeiro engenheiro, Lauro Rupp,
para proceder ao loteamento e à colonização da Vila.
Em 1923 foi inaugurada a capela de São Roque, que era
de madeira beneficiada e pintada à óleo. A atual Igreja
Matriz São Roque foi construída artesanalmente pelos
próprios membros da paróquia sob orientação dos
padres franciscanos e teve sua pedra fundamental
lançada em 1953, foi coberta em agosto de 1961 e
inaugurada em 26 de novembro de 1961. Entretanto,
uma das duas torres da igreja permaneceu inacabada
até meados de 1980. Somente no final da década de 80
que, com o esforço da comunidade, a segunda torre foi
concluída.
De 1948 a 1950 ocorreu a construção do Juvenato São
Pascoal, também com a participação dos fiéis. Nas
missas do domingo na capela, o padre escalava pessoas
para trabalhar nas obras ou no transporte de material,
como tijolos e areia, com caminhões e carroças. Com o
esforço de todo o povo, em 21 meses estava pronto o
prédio com dois pavimentos, pátio interno, quatro alas,
capela com torre e dois sinos, uma típica construção de
um convento franciscano. Atualmente o prédio é
considerado patrimônio histórico de Jaborá e utilizado
para fins educativos e culturais. Abriga a Escola Básica
Municipal Alberto Bordin e o Museu Colonial Nicolaus.
O Distrito de Jaborá criado pela lei nº 941 de 31 de
dezembro de 1943, foi instalado (ou inaugurado) em
janeiro de 1944 com grande festividade, Missa na
Capela São Roque e a presença do Prefeito Newton da
Luz Macuco e outros políticos da época. No período de
1943 a 1963, Jaborá teve os seguintes representantes
junto à Câmara de Vereadores de Joaçaba: na gestão do
prefeito Valdomiro da Silva: Claudino Mascarello e
Cláudio Werpachowski e na gestão do prefeito Ruy Klein
Honrich: Claudino Mascarello, Dr. Flávio Barbizan e
Olímpio Savaris.
O Município de Jaborá foi criado em 1963, durante a
Administração do Prefeito de Joaçaba José Waldomiro
da Silva (31-1-1961 a 31-1-1966) através da Lei da
Câmara Municipal nº 3/63 de 20 de junho de 1963 e pela
Lei Estadual nº 915 de 11 de setembro de 1963. O
Município foi instalado em 29 de dezembro de 1963.
A Lei da Câmara Municipal foi assinada pelo Vereador
(Presidente) Dr. Flávio Ernani Barbisan, médico que inclusive atuou no Hospital Santo Antônio de Jaborá
durante certo tempo. A Lei da Assembléia Legislativa do
Estado foi assinada pelo Deputado Ivo Silveira que mais
tarde foi Governador durante o período de 1966 a 1971.
O Processo de Emancipação iniciou com a realização do
Plebiscito (consulta ao povo) em 15 de maio de 1963,
cujo resultado somou 448 assinaturas a favor. Na época
(1960), Jaborá possuía 3.902 habitantes, sendo 551 na
sede.
Fonte das informações citadas: "História de Jaborá-SC.
Jaborá de Ontem e de Hoje", de José Maria Bordin.
https://jabora.sc.gov.br/pagina-2313/