TEXTO I - Base para responder à questão.
Qual é a diferença entre alfabetismo funcional, elementar e consolidado?
Analfabetos funcionais são pessoas que conseguem identificar palavras isoladas ou ler frases muito
simples, mas não são capazes de compreender, por exemplo, uma notícia de jornal. "O analfabeto
funcional lê textos simples, curtos, palavras isoladas. Ele entende coisas familiares, como um recibo do
mercado, resultado de jogo, receita de bolo, mas não interpreta uma tabela, um gráfico ou as nuances de
uma matéria jornalística", explica Lima.
Já os indivíduos no nível elementar de alfabetização conseguem ler frases mais longas e localizar
informações explícitas em pequenos textos. Mas ainda têm muita dificuldade para lidar com materiais
mais complexos, como interpretar uma tabela ou entender uma opinião embutida em um texto. Quem
atinge o nível de alfabetismo consolidado consegue ler e compreender integralmente notícias, textos opinativos, tabelas, gráficos e identificar nuances como ironia ou a distinção entre fato e opinião.
Escolaridade
Historicamente, o nível de escolaridade tem se mostrado o maior indutor do alfabetismo no Brasil.
Isso significa que, quanto maior o tempo de estudo, mais alfabetizado o indivíduo estará. Dados do ensino
superior mostram que 88% dos jovens que ingressaram ou concluíram uma graduação são considerados
plenamente alfabetizados, mas apenas seis em cada 10 (61%) alcançaram o nível de alfabetização consolidada.
Essa proporção é menor do que a observada em 2018, que era de 71%. Na prática, isso significa que
quase 4 em cada 10 estudantes que hoje estão ou já passaram por uma faculdade não dominam habilidades essenciais de leitura, escrita e matemática. "É no superior que deságuam as fragilidades. Quem estava
no Ensino Médio na pandemia hoje está no Superior, e com um recuo na alfabetização", explica Lima.
Estudo mostra que aumentou de 14%, em 2018, para 17%, em 2024, o número de estudantes do
Ensino Médio caracterizados como analfabetos funcionais. O estudo também mostrou que caiu de
45% para 38% a proporção de entrevistados que chegaram ao Ensino Médio nos dois níveis mais altos das
escalas de alfabetismo (elementar e consolidado).
Lima diz que escolas e faculdades estão atuando para reduzir as lacunas de aprendizado geradas
na pandemia. Alguns exemplos são a criação de semestres introdutórios para alinhar o nível de conhecimento dos alunos, e que as escolas estão correndo atrás para recuperar aprendizagens. "Mas não dá para
ficar esperando a educação resolver tudo. Depois de certa idade, quem não conseguiu desenvolver certas
habilidades na etapa escolar dificilmente vai voltar para a escola, por mais eficiente que seja uma política
de educação de jovens e adultos", afirma.
Coordenadora reforça que o ambiente de trabalho tem uma responsabilidade pouco explorada no
processo de letramento. "O trabalho é um lugar onde o letramento acontece." "Com ações simples, como
colocar no refeitório o cardápio com as calorias das refeições, cotidianamente, o trabalhador vai tendo contato com textos, informações, contextos —você está letrando a pessoa sem custo", diz.
Idade
Quando a análise é feita por faixa etária, o indicador aponta que entre 50 e 64 anos, mais da metade
(51%) são analfabetos funcionais. O maior percentual de pessoas funcionalmente alfabetizadas está nas faixas de 15 a 29 anos (84%) e de 30 a 39 anos (78%). Essa faixa foi alvo das políticas de inclusão de crianças
e jovens nas escolas nas últimas duas décadas.
Raça e cor
O estudo revela que a desigualdade racial nos níveis de alfabetismo se mantém no Brasil. Em 2024,
apenas 31% dos que se autodeclaram pretos e pardos alcançaram os dois níveis mais altos da escala de
alfabetismo, contra 41% entre os brancos.
O cenário piorou em relação à edição anterior, quando esses percentuais eram de SS% e 45%, respectivamente. "Não tivemos surpresa. Mesmo com dados do IBGE mostrando que aumentou o nível de
escolaridade entre as pessoas negras, a desigualdade em relação aos brancos ainda é muito grande", diz
Lima.
Fonte: https://educacao.uol.com.br/noticias/2025/05/05/estagnado-brasil-tem-29-de-analfabetos-funcionais-pandemia-piorou-quadro.htm.