
(Maz Ernst, L’Evadé, O fugitivo, 1926.)
Fui assaltado pela obsessão que mostrava ao meu olhar excitado as tábuas do assoalho, nas quais mil arranhões tinham
aprofundado as estrias. Decidi então investigar o simbolismo dessa obsessão e, para ajudar as minhas faculdades mediativas e
alucinatórias, fiz das tábuas uma série de desenhos, colocando sobre elas ao acaso folhas de papel que passei a friccionar com
grafita. Olhando atentamente para os desenhos assim obtidos… surpreende-me a súbita intensificação de minhas capacidades
de visão e a sucessão alucinatória de imagens contraditórias umas as outras.
(STANGOS, 2000, p. 113.)