Leia o texto a seguir para responder a questão.
Acabei de saber de mais um caso que vem se juntar à
quantidade assombrosa de tentativas de golpes na internet,
essa praga do novo mundo. São tantos e tão variados que
adeus, confiança, ninguém mais atende uma ligação de um
número desconhecido.
Todo dia se escuta uma história sobre alguém que teve
seu pé-de-meia raspado. Que tipo de gente monta uma
estratégia e faz um jogo de cena para faturar em cima da
fragilidade emocional de alguém?
São golpes contra a dona Maria, que acreditou, através
de um teatrinho telefônico, que sua filha havia sido sequestrada, e pagou o resgate fajuto com o dinheiro que havia
guardado para uma cirurgia. São golpes contra o seu José,
que chegou aos 70 anos sem nunca ter ido ao Rio de Janeiro
e, para realizar o sonho, caiu na lábia de alguém que se passava por agente de turismo.
Sempre haverá quem diga que melhor isso do que ter
uma arma apontada para o próprio peito. Não sei se existe
alguma opção “melhor”. Beneficiar-se da inocência alheia é
uma indignidade que rebaixa a condição humana. De tal forma a tecnologia facilita esses golpes que eles se tornaram
pandêmicos. Viramos um mundaréu de desconfiados, neuróticos, sempre de pé atrás com tudo e todos. Nem em rostos e
vozes dá para acreditar, podem ser fakes também.
Até aqui, eu acreditava que todo progresso vinha acompanhado de desafios e que era só uma questão de ajuste,
evoluir sempre foi estimulante. Daqui para frente, já não sei,
o otimismo largou minha mão.
(Martha Medeiros. Golpes on-line, essa praga do novo mundo.
https://oglobo.globo.com, 29.06.2025. Adaptado)