Para responder à questão, considere o comentário reproduzido a seguir.
O reconhecimento da norma culta real não deve servir de base para um novo tipo de prescrição e
repressão linguísticas. É preciso adotar a posição do convívio democrático e tranquilo entre as formas
tradicionalmente padronizadas e as formas inovadoras já incorporadas à atividade linguística dos falantes
urbanos. Não vamos praticar uma prescrição às avessas: rejeitar as formas tradicionais para aceitar
exclusivamente as inovadoras. Na prática linguística falada e escrita, existe lugar para todas elas. O
importante é abandonar de vez a noção irracional de que as formas inovadoras constituem erros a ser
evitados. É inútil tentar combater supostos “erros” que já se fixaram nas variedades urbanas de prestígio,
inclusive na nossa melhor produção literária desde o Romantismo.
BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.