O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como escola pública de Cubatão deixou rotina de
drogas e violência e se tornou uma das 'melhores do
mundo'.
O professor de História Régis Marques ouviu falar pela
primeira vez na Escola Estadual Parque dos Sonhos
quando recebeu um telefonema, em 2016, da Diretoria
de Ensino de Santos. Era um convite para ele assumir a
direção da unidade, que fica em Cubatão, litoral paulista.
"Fui pesquisar na internet sobre a escola, e a primeira
notícia que encontrei relatava que a comunidade onde
ela está inserida enfrentava insegurança devido à
violência. A segunda reportagem mencionava que a
escola havia sido alvo de furto", conta o diretor.
"Também havia um terceiro texto que falava que, em
uma festa junina, pessoas do tráfico entraram na escola
e fizeram algazarra durante a festa."
Diante das manchetes, ele hesitou. "Pensei: Meu Deus,
será que eu vou para essa escola mesmo?".
A má fama da escola era tanta que a Parque dos Sonhos
ganhou o apelido de Parque dos Pesadelos. Mesmo
assim, Régis aceitou o desafio.
Nove anos depois, a escola pública, que vivia
enfrentando invasões, furtos e episódios de violência,
ganhou um prêmio internacional com o reconhecimento
do trabalho feito para mudar essa realidade.
A Parque dos Sonhos venceu na categoria "Superação
de Adversidades". Em 15 de novembro, o diretor foi a
Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para a
cerimônia do Prêmio Melhor Escola do Mundo 2025
(World's Best School Prize), realizado pela Organização
Britânica T4 Education.
Inspiração em modelo cubano
Para o diretor, o projeto mais transformador veio
inspirado em um modelo cubano de educação: visitar as
famílias em suas residências.
Batizado de "A escola vai à sua casa", o projeto identifica
alunos com problemas de frequência ou indisciplina e
marca um encontro com os responsáveis aos finais de
semana.
É um jeito de compreender a vida dos alunos para além
dos muros da escola, considerando que muitos
atravessam condições precárias para chegar à sala de
aula.
"É uma maneira de colocar-se no lugar do aluno,
compreender as dificuldades que ele enfrenta e observar
como é o seu ambiente doméstico", diz Régis." Tem muitas questões que os professores
muitas vezes não veem."
Os corredores da escola também contam uma história.
Em cada porta das salas de aula da Parque dos Sonhos, um grafite de um personagem histórico ligado à luta
pelos direitos humanos.
Figuras como o indiano Mahatma Gandhi, o sul-africano
Nelson Mandela, a paquistanesa Malala Yousafzai, o
uruguaio Pepe Mujica e os brasileiros Marielle Franco e
Paulo Freire.
Nomes que já foram alvo de críticas em um contexto de
polarização política — entre elas do Escola Sem Partido,
movimento que prega o fim da "doutrinação ideológica"
nas escolas.
As lideranças servem de inspiração para um dos pilares
pedagógicos mais importantes da escola: a Semana da
Não Violência.
Realizada anualmente em outubro, o evento envolve
rodas de conversa, estudos sobre ícones pacifistas e
práticas de justiça restaurativa. Segundo o diretor, a
proposta vai muito além de "ser bonzinho".
"Não violência não é dar a outra face. Não violência é
você questionar o sistema que te oprime", afirma Régis.
O diretor afirma não temer críticas ideológicas e defende
que a pauta da escola é a união.
"Aqui é uma escola que parte do princípio do que nos
une, e não do que nos diferencia ou de tudo aquilo que
nos afasta. Escuto todos, seja de direita, de esquerda,
de centro, de extrema-direita, de extrema-esquerda."
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjwy9n1npe8o- adaptado
Considerando a organização do texto sobre a Escola Parque dos Sonhos e seus objetivos comunicativos, assinale a alternativa que indica corretamente o tipo textual predominante: