Um médico que atua em uma Unidade Básica de Saúde
atende um paciente de 52 anos, motorista de ônibus
interestadual, para uma consulta de rotina. Durante a
anamnese, o paciente relata episódios recorrentes de
perda súbita de consciência, sem pródromos, com
duração de 1 a 2 minutos, que vêm ocorrendo nos
últimos seis meses, inclusive enquanto estava em casa,
assistindo à televisão. A investigação diagnóstica
subsequente confirma um diagnóstico de síncope
neuromediada do tipo cardioinibitória maligna, com
pausas assistólicas de mais de 6 segundos durante teste
de inclinação (tilt-test), indicando alto risco de recorrência
e síncopes sem aviso. O médico orienta o paciente sobre
a gravidade da condição, o risco de acidentes e a
necessidade de se afastar da sua atividade profissional.
O paciente, no entanto, recusa-se a parar de trabalhar,
alegando necessidade financeira, e proíbe o médico de comunicar sua condição a qualquer pessoa ou órgão.
Diante deste conflito ético entre o dever de sigilo
profissional e a proteção da coletividade, de acordo com
o Código de Ética Médica, qual a conduta correta a ser
adotada pelo médico?