Expressões como tralalero tralalá, pronunciadas pelos estudantes durante a aula de Artes Visuais, deixaram a professora curiosa.
Ao perguntar sobre a origem dessas falas, ela descobriu que vinham de vídeos populares nas redes sociais, marcados por sons
engraçados e imagens caóticas geradas por inteligência artificial. Segundo os estudantes, esses vídeos eram conhecidos como Italian
Brainrot, fazendo referência ao uso da língua italiana e ao efeito quase hipnótico que provocavam, evocando o termo em inglês
brainrot, que sugere uma “mente entorpecida”. Primeiramente, ela relacionou os vídeos digitais com um trecho do poema fonético
dadaísta Karawane, de Hugo Ball: higo bloiko russula huju / hollaka hollala / anlogo bung / blago bung blago bung / bosso fataka.
Após estudar sobre o assunto, a professora iniciou um planejamento de ensino para promover a articulação entre as técnicas e os
materiais de produções pictóricas das artes com recursos audiovisuais digitais, desafiando os estudantes a criarem seus próprios
vídeos explorando as estéticas do absurdo.
HOSHINO, C.; LIMA, C. F. O vício em vídeos curtos e o fenômeno do “cérebro podre”.
Disponível em: https://lunetas.com.br. Acesso em: 30 jul. 2025 (adaptado).