Magna Concursos
3996180 Ano: 2025
Disciplina: Pedagogia
Banca: FURB
Orgão: SED-SC
"Entendo aqui por humanização (já que tenho falado tanto nela) o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção a complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante."
(Antonio Candido, O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011, p. 180.)
"[...] Minha mãe diz que comecei a ler aos dois anos de idade, embora eu ache que quatro deva estar mais próximo da verdade. Eu me tornei leitora cedo, e o que lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Também me tornei escritora cedo. Quando comecei a escrever, lá pelos sete anos de idade — textos escritos a lápis com ilustrações feitas com giz de cera que minha pobre mãe era obrigada a ler —, escrevi exatamente o tipo de história que lia: todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis, brincavam na neve, comiam maçãs e falavam muito sobre o tempo e sobre como era bom o sol ter saído.
Escrevia sobre isso apesar de eu morar na Nigéria. Eu nunca tinha saído do meu país. Lá, não tinha neve, comíamos mangas e nunca falávamos do tempo, porque não havia necessidade. Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre, porque os personagens dos livros britânicos que eu lia bebiam cerveja de gengibre. Não importava que eu não fizesse ideia do que fosse cerveja de gengibre. [...]
Como eu só tinha lido livros nos quais os personagens eram estrangeiros, tinha ficado convencida de que os livros, por sua própria natureza, precisavam ter estrangeiros e ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar. Mas tudo mudou quando descobri os livros africanos. [...] Percebi que pessoas como eu, meninas com pele cor de chocolate, cujo cabelo crespo não formava um rabo de cavalo, também podiam existir na literatura. [...]
Eu amava aqueles livros americanos e britânicos que lia. Eles despertaram minha imaginação. Abriram mundos novos para mim, mas a consequência não prevista foi que eu não sabia que pessoas iguais a mim podiam existir na literatura. O que a descoberta de escritores africanos fez por mim foi isto: salvou-me de ter uma história única sobre o que são os livros. [...]
É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna."
(Chimamanda Ngozi Adichie, O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.)
A partir da leitura dos excertos e de seus conhecimentos a respeito de letramentos literários, do ensino de literatura e das legislações e documentos que estruturam a educação básica no Brasil, analise as sentenças a seguir:
I.O ensino de literatura deve organizar-se a partir das obras canônicas, uma vez que há, no cânone, uma presença diversa de autores contemplando a diversidade étnico-racial que compõe o país. Desse modo, tem-se representatividade na literatura afro-brasileira a partir de escritores consagrados, como Machado de Assis, Lima Barreto e o poeta catarinense Cruz e Souza.
II.O ensino de literatura tem papel relevante dentro do contexto multicultural que forma o Brasil. A experiência literária nos permite saber da vida por meio da experiência, do olhar e da cultura do outro, assim como vivenciar essa experiência, ou seja, por meio da literatura é possível encontrar olhares diversos sobre a sociedade, a cultura e o próprio indivíduo representado, corroborando a construção de uma sociedade organizada horizontalmente em valores que abrangem todas as camadas sociais culturais.
III.Enquanto objeto de estudo das aulas de literatura, é importante que a diversidade cultural seja vista sob uma ótica teórico-crítica, reconhecendo-a como um objeto de valor e não como uma produção excêntrica. Portanto, é preciso sair das produções sobre os negros e indígenas para uma produção dos negros e dos indígena.
 É correto o que se afirma em:
 

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