Texto 12A5-I
Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver
navios; outros eram pegos com a boca na botija, contavam tudo
tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde
Judas perdeu as botas. Uns raros amarravam cachorro com
linguiça. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde.
As famílias faziam sortimento na venda, tinham conta no
carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta,
desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um cabrito, não
tivesse catinga. Acolhiam com satisfação a visita do cometa, que,
andando por ceca e meca, trazia novidades de baixo, ou seja, da
Corte do Rio de Janeiro. Ele vinha dar dois dedos de prosa e
deixar de presente ao dono da casa um canivete roscofe. As
donzelas punham carmim e chegavam à sacada para vê-lo apear
do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais do que
velhacos: eram grandessíssimos tratantes.
Carlos Drummond Andrade. Quadrante (1962). In: Caminhos de João Brandão.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1970, p. 180.
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