Os feeds, seja o feed algorítmico de vídeos do TikTok ou o feed de notícias do Facebook, evoluíram para um tipo de corrida
armamentista onde o objetivo é o engajamento de usuários. Afinal, por causa dessa competição, os aplicativos exigem
altos volumes de conteúdo que eles tentam customizar para desejos individuais. A atenção voluntária é associada à
vontade, e é empregada para nos ajudar a alcançar nossos objetivos. Os feeds das redes sociais são pensados para distrair
o usuário a ponto de frustrar sua vontade de fazer algo diferente ou ser produtivo. Sempre existe mais um vídeo fofinho
de gato ou outra história política pensada para provocar revolta. Esses aplicativos estão aprendendo a como frustrar sua
força de vontade, e cada vez que você clica no botão de “curtir” ou no ícone de coração, você está lhes ensinando como.
As linhas do tempo se tornam irresistíveis, uma vez que exploram o vício comportamental, e metáforas digitais efetivas
podem ser um componente crucial de tal engenharia comportamental. Parece que não são pessoas que carecem de força
de vontade, mas que existem mil pessoas do outro lado da tela cujo trabalho é minar a autorregulação que você tem.
CHOWN, E.; NASCIMENTO, F. Tecnologias digitais que interferem no pensar e viver. São Paulo: Ideias & Letras, 2024 (adaptado).