O ciclo de lobolo começou com a Ju. Foi com dinheiro e não
com gado. Lobolou-se a mãe, com muito dinheiro, num lobolo- -casamento. As crianças foram legalmente reconhecidas, mas
não tinham sido apresentadas aos espíritos da família. Era preciso
trazê-las do teto da mãe para a sombra do patriarcal num ato
de lobolo pelo filho, uma forma de legitimá-las uma vez que
nasceram fora das regras de jogo de uma família polígamo. Depois
fez-se lobolo da Lu e dos filhos. As nortenhas espantaram-se.
Essa história de lobolo era nova para elas, mas envolve muito
dinheiro. Dinheiro para os pais, elas, e os filhos. Dinheiro que
faz falta para comer, para viver, para investir. Quando se trata de
benesses, qualquer cultura serve. Elas esqueceram o matriarcado
e disseram sim à tradição patriarcal. Passamos três meses a andar
de festa em festa. Era importante que todos os lobolos fossem
feitos numa rajada antes que o Tony mudasse de ideias.
CHIZIANE, P. Niketche: uma história de poligamia.
São Paulo: Cia. das Letras, 2004.
Considerando uma formação em prol do desenvolvimento de conhecimentos teórico-práticos, estabelecendo relações entre o letramento literário decolonial e os saberes linguísticos em torno do léxico, espera-se que, ao trabalhar esse excerto em sala de aula, o professor do Ensino Médio seja capaz de