O cérebro humano, assim como o restante do
organismo, é formado por bilhões de células. Cada tipo
de célula tem uma função específica, mas todas elas são
perfeitamente sincronizadas e conectadas. É possível
comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com
centenas de engrenagens trabalhando em uníssono para
fornecer a hora certa. O nosso cérebro é composto de duas
metades, ou hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do
que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas
e independentes.
Os dois hemisférios são extraordinariamente
conectados por uma espécie de “cabeamento” que faz
a comunicação entre eles. Trata-se do corpo caloso,
formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que
levam informações de um hemisfério para o outro. Esta
organização permite realizar e coordenar todas as funções
próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios
dividem o seu trabalho.
É neste ponto que começa o mito de que o cérebro
é dividido em duas metades e que, dependendo do lado
que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a
chamada teoria do hemisfério dominante. De acordo com
essa teoria, se você for bom em matemática, linguagem ou
lógica, por exemplo, é porque o seu hemisfério esquerdo
é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com
vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante
é o direito.
Esta teoria classifica erroneamente as pessoas em
dois tipos: as objetivas, racionais e analíticas, de um lado; e
as passionais, sonhadoras e criativas, de outro. Na verdade,
não existe um hemisfério dominante. Há inúmeros estudos
neste campo da ciência. Os resultados das análises
deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios
igualmente, embora a atividade registrada em cada um
deles dependa “do que estivermos fazendo”. Os estudos
também demonstraram que o lado do cérebro utilizado
para uma determinada atividade pode não ser o mesmo
para todas as pessoas e, ainda, que há variações entre os
indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é
empregada para uma ação específica.
Apesar dos inúmeros estudos existentes sobre o
tema, o mito do hemisfério dominante ainda está muito
presente hoje em dia. Isso se deve, em parte, porque
ainda existem muitos aspectos desconhecidos sobre o
funcionamento do cérebro humano.
Internet:<bbc.com> (com adaptações).
De acordo com a estrutura linguística e vocabular do texto, julgue o item a seguir.
A conjunção “mas”, no período “Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas.”, exprime a ideia de oposição que há entre a ideia de especificidade de cada célula e o fato de as células trabalharem de forma síncrona e interconectada.