Leia o texto a seguir para responder a questão.
Nem tudo são flores
Quando levo meu cachorrinho para
passear, meus olhos vão descobrindo alguns
terraços cheios de flores, janelas com cortinas de
crochê e bebedouros para os bem-te-vis. Um
encanto! E cada dia que faço este passeio parece
que esses terraços são mais e mais festivos, e que
existem pessoas muito felizes naqueles lares. O
sol, as flores, os bem-te-vis... Naturalmente
penso, imagino e fantasio a vida de cada um
daqueles recantos vistos com alegria de quem
apenas passa.
O que estarão fazendo os habitantes
daquelas casas e apartamentos? Serão realmente
felizes? É difícil imaginar que por detrás
daqueles jardins encantados possa existir alguém
triste,
solitário e com uma montanha de
problemas. Mas existem; as flores e os bem-te-vis camuflam a realidade que se imagina no seu
interior.
Mas gosto de ver, são momentos de
ilusão, uma vez que me afasta da violência da
cidade, das encrencas entre as pessoas – em parte
civilizadas –, e me permite pensar que a vida se
apresenta sempre maravilhosa. Deve ser o poder
das flores! (...)
Mas aquela imagem me levou a pensar
em outra coisa: será que as pessoas não se tornam
ídolos justamente porque são inacessíveis?
Fico curiosa com biografias de grandes
nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de
grandes vultos, de cientistas e pensadores que
fizeram a história da humanidade. Os ídolos
nunca são nossos iguais: precisam ficar no
patamar da nossa admiração, protegidos da
curiosidade humana, envoltos num mistério
que nos fascina. No momento que se desnudam
aos nossos olhos, a coisa muda.
Por isso, não gostaria de adentrar nos
terraços da minha rua; poderei olhar as flores, os
bem-te-vis e pensar, por momentos, que o
caminho que tracei para passear com meu
cachorro é um percurso lindo, alegre que
alimenta
meus
sonhos
num
mundo imaginário. Depois volto à realidade, pronta para
levar o dia, com seu lado hilário e outro mais
sério; afinal, nem tudo são flores. Mas se quero
um pouco de fantasia, penso que preciso manter
a distância das flores, dos terraços e até dos bem-te-vis que estão pelos caminhos da minha rua.
Olhá-los de longe... É um presente para minha
imaginação... Não me revelam o que pode estar
por trás.
CARVALHO, Tais Luso de. Nem tudo são
flores. Porto das crônicas. Disponível em <https://taisluso.blogspot.com/2009/06/o-poder-das-flores.html>.
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de: