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1 Eram 4 da manhã no edifício Justus Lipsius, em O risco da morte prematura. In: CartaCapital, 9/11/2011 (com adaptações).
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As obras para melhoria das rodovias federais
brasileiras viraram um jogo de faz de conta: as empresas
responsáveis por elas fazem de conta que estão tocando os
trabalhos, e o governo finge que acredita. Já os usuários dessas
vias são obrigados a enfrentar a vida real, que é feita de trechos
congestionados, esburacados e índices de acidentes que
aumentaram mais de 50% nos últimos cinco anos. Em 2007, o
governo licitou um pacote que incluiu a Régis Bittencourt,
principal corredor entre São Paulo e o sul do país, a
Fernão Dias, que une a capital paulista à mineira, e outras
cinco rodovias importantes do Sul e do Sudeste do país. Com
a Dutra, elas formam o cerne da malha rodoviária nacional.
De acordo com o edital de privatização, as empresas que
ganharam o direito de explorá-las deveriam ampliar o seu
número de faixas e construir contornos e ramais com vistas a
desatar os nós que as asfixiam. A reportagem percorreu de
carro 4.500 quilômetros dessas estradas para chegar a uma
conclusão assustadora. Quatro anos depois da privatização
“baratinha”, nenhuma das grandes obras previstas saiu do
papel.
Kalleo Coura. O golpe do pedágio barato. In: Veja, 16/11/2011 (com adaptações).
A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
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O Poder Legislativo, como toda instituição pública
pluralista, possui virtudes e defeitos. Na Câmara e no Senado,
debatem-se diariamente os problemas nacionais e são
apresentadas dezenas de propostas e projetos capazes de mudar
os cenários político, econômico e social do país. Ali, são
votadas leis de grande impacto na vida dos cidadãos e das
instituições e se fazem a fiscalização e o acompanhamento dos
atos e dos gastos do governo, do próprio Congresso e de
instituições várias do cenário nacional. A atividade é intensa e
multifacetada. Por ser um centro do poder político onde se
digladiam forças em permanente confronto e por ter
responsabilidades sobre orçamentos e finanças públicas, a
instituição não raro é alvo de suspeitas, denúncias e
investigações sobre todo tipo de desvios, fraudes e corrupção,
envolvendo os representantes eleitos ou os assessores e
servidores que os cercam.
É público e notório que a imensa maioria das pessoas
acompanha os trabalhos do Congresso e se informa sobre as
atividades dos deputados e senadores na mídia, especialmente
na chamada grande imprensa, que inclui os telejornais e os
jornais impressos. A mídia privada, autoproclamada
independente e vigilante sobre os poderes públicos, exerce com
zelo seu papel de fiscal dos órgãos do Estado, dedicando
especial atenção às denúncias que envolvem o
Poder Legislativo. Em muitos casos, como na Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento (de 1992), e,
mais recentemente, nas CPIs dos Correios (de 2005) e da
compra de ambulâncias (de 2006), investigações conduzidas
pela Polícia Federal e pelo Ministério Público resultaram em
acusações concretas e, em muitos casos, aparentemente
fundamentadas contra deputados e senadores, com base em
gravações de conversas telefônicas e movimentações bancárias.
Mas, às vezes, até por excesso de zelo e pelo desejo
de investigar, os jornalistas denunciam como irregulares e
apontam como desvios éticos dos congressistas algumas
práticas consideradas normais, rotineiras e legais na maioria
das democracias ocidentais. É o caso das emendas ao
orçamento da União e da ocupação de cargos públicos por
pessoas indicadas por líderes e dirigentes de partidos políticos,
consideradas imorais (“manobras”, “fisiologia”,
“toma-lá-dá-cá” etc.) e noticiadas com grande destaque e boa
dose de crítica nas páginas dos jornais.
Decisões políticas acertadas, projetos importantes
aprovados, iniciativas e fatos positivos de relevância para os
cidadãos, ocorridos no Parlamento, muitas vezes não são
noticiados pela mídia e, consequentemente, acabam ignorados
pela maioria das pessoas. Se noticiados, a sua divulgação
contribuiria para melhorar a imagem do Parlamento. “Muito da
nossa maneira de ver o mundo — e, portanto, de agir neste
mundo — depende da mídia”, observa Luis Felipe Miguel,
para quem a imprensa, ao contrário do que trata de fazer
parecer, não transmite apenas “fatos”, mas também
julgamentos, valores, interpretações.
Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública: o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008. Internet: www.bd.camara.gov.br (com adaptações)
Considerando o texto acima, julgue o item.
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“Não é difícil governar a Itália. É inútil.” O ditador
Benito Mussolini cunhou essa frase com a pretensão de jogar
sobre o povo italiano todas as mazelas do país.
Contudo, a história vem mostrando que a famosa frase embute
uma verdade, só que em um sentido invertido. Inúteis são
governantes como Mussolini e Silvio Berlusconi, o bufão de
anos que foi primeiro-ministro por três vezes e agora cai por
absoluta incapacidade de apresentar soluções para a brutal crise
econômica da Itália. O último mandato de Berlusconi começou
em 2008 e, desde então, ele parecia viver uma realidade
paralela. Passou o tempo administrando denúncias — de fraude
fiscal a sexo pago com belas garotas. Mas foi a economia que
acabou com a sua condição de primeiro-ministro com mais
tempo no poder italiano depois da Segunda Guerra Mundial.
Sem respaldo político para adotar medidas de austeridade
essenciais para impedir a quebradeira da Itália, a terceira maior
economia da zona do euro, Berlusconi anunciou, no dia 8 de
novembro, sua intenção de renúncia. Só não marcou a data.
Como condicionou a saída à aprovação de um pacote de
reformas econômicas, ele acabou provocando mais incertezas
quanto ao futuro da economia italiana.
Luiza Villaméa. A queda do bufão. In: IstoÉ, 16/11/2011 (com adaptações).
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O Poder Legislativo, como toda instituição pública
pluralista, possui virtudes e defeitos. Na Câmara e no Senado,
debatem-se diariamente os problemas nacionais e são
apresentadas dezenas de propostas e projetos capazes de mudar
os cenários político, econômico e social do país. Ali, são
votadas leis de grande impacto na vida dos cidadãos e das
instituições e se fazem a fiscalização e o acompanhamento dos
atos e dos gastos do governo, do próprio Congresso e de
instituições várias do cenário nacional. A atividade é intensa e
multifacetada. Por ser um centro do poder político onde se
digladiam forças em permanente confronto e por ter
responsabilidades sobre orçamentos e finanças públicas, a
instituição não raro é alvo de suspeitas, denúncias e
investigações sobre todo tipo de desvios, fraudes e corrupção,
envolvendo os representantes eleitos ou os assessores e
servidores que os cercam.
É público e notório que a imensa maioria das pessoas
acompanha os trabalhos do Congresso e se informa sobre as
atividades dos deputados e senadores na mídia, especialmente
na chamada grande imprensa, que inclui os telejornais e os
jornais impressos. A mídia privada, autoproclamada
independente e vigilante sobre os poderes públicos, exerce com
zelo seu papel de fiscal dos órgãos do Estado, dedicando
especial atenção às denúncias que envolvem o
Poder Legislativo. Em muitos casos, como na Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento (de 1992), e,
mais recentemente, nas CPIs dos Correios (de 2005) e da
compra de ambulâncias (de 2006), investigações conduzidas
pela Polícia Federal e pelo Ministério Público resultaram em
acusações concretas e, em muitos casos, aparentemente
fundamentadas contra deputados e senadores, com base em
gravações de conversas telefônicas e movimentações bancárias.
Mas, às vezes, até por excesso de zelo e pelo desejo
de investigar, os jornalistas denunciam como irregulares e
apontam como desvios éticos dos congressistas algumas
práticas consideradas normais, rotineiras e legais na maioria
das democracias ocidentais. É o caso das emendas ao
orçamento da União e da ocupação de cargos públicos por
pessoas indicadas por líderes e dirigentes de partidos políticos,
consideradas imorais (“manobras”, “fisiologia”,
“toma-lá-dá-cá” etc.) e noticiadas com grande destaque e boa
dose de crítica nas páginas dos jornais.
Decisões políticas acertadas, projetos importantes
aprovados, iniciativas e fatos positivos de relevância para os
cidadãos, ocorridos no Parlamento, muitas vezes não são
noticiados pela mídia e, consequentemente, acabam ignorados
pela maioria das pessoas. Se noticiados, a sua divulgação
contribuiria para melhorar a imagem do Parlamento. “Muito da
nossa maneira de ver o mundo — e, portanto, de agir neste
mundo — depende da mídia”, observa Luis Felipe Miguel,
para quem a imprensa, ao contrário do que trata de fazer
parecer, não transmite apenas “fatos”, mas também
julgamentos, valores, interpretações.
Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública: o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008. Internet: www.bd.camara.gov.br (com adaptações)
Considerando o texto acima, julgue o item.
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