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Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
Deduz-se, pela explicação de Wilson, nas linhas de 5 a 9, que o animal tem mais utilidade que a televisão, uma vez que esta apresenta cenas de violência que não são relevantes nem educativas aos jovens moradores da zona rural.
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Sem espelho falante
A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV. O que é a TV?
O menino Carlos , 10 anos, sete irmãos criados por um lavrador, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente.” O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite.” Wilson assistiu à exibição de um programa de reportagens ao vivo e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Aqui não tem nada disso. Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui a gente mata porco. E para comer.”
É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno morador. Serra Velha, em Santa Catarina, com 300 habitantes e 60 casas, é um povoado encravado em uma montanha e seu acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do pacote do ministro da Fazenda. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km por hora como velocidade máxima. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe o nome do cidadão que exerce o cargo de presidente da República.
Esse país indiferente à passagem do tempo, mais pobre e menos confortável, mas pacífico, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoa s simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a TV produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade , eletricidade é progresso e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá.
Há seis meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou quatro meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.
Com 3.000 moradores, a 700 km de Salvador, Muquém é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo dísel. Todos os dias, um funcionário pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com isso”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80.
Veja, 5/1/1994 (com adaptações).
A comunicação humana pode ser entendida como o processo de transferência e compreensão de mensagem. Com relação a esse assunto e a partir das idéias do texto, julgue o item que se segue.
Depreende-se do texto que, devido ao baixo poder aquisitivo das populações apresentadas, o processo de compreensão de mensagens orais entre os moradores é prejudicado.
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Julgue o seguinte item, a respeito de uma transação de venda a prazo de um terreno, com a taxa de juros compostos de 5% ao mês. Para fins de cálculo, considere (1,05)-6 = 0,75, (1,05)6 = 1,34 e (1,05)7 = 1,41.
Considere que o preço do terreno, à vista , era de R$ 36.000,00 e que o comprador o pagará em uma única parcela que vencerá 6 meses após a compra. Para isso, ele fez 6 aplicações mensais e sucessivas de uma quantia fixa em um fundo de investimentos que paga a taxa de juros compostos de 5% ao mês e a 1.ª aplicação foi feita na data da compra do terreno. Nessa situação, a quantia mensal aplicada para que o montante da aplicação, na data do vencimento da dívida, seja igual ao valor da parcela única será superior a R$ 6.500,00.
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Julgue o seguinte item, a respeito de uma transação de venda a prazo de um terreno, com a taxa de juros compostos de 5% ao mês. Para fins de cálculo, considere (1,05)-6 = 0,75, (1,05)6 = 1,34 e (1,05)7 = 1,41.
Supondo que o terreno tenha sido vendido em 6 parcelas mensais e sucessivas de R$ 6.000,00 cada, vencendo a primeira 1 mês após a compra, então o valor à vista do terreno foi superior a R$ 35.000,00.
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Considere que uma nota promissória de valor nominal igual a R$ 5.600,00 tenha sido descontada 3 meses antes do vencimento, e que, a título de desconto, foi aplicada uma taxa de juros simples de 4% ao mês. A respeito dessa situação, julgue o item que se segue.
Se foi utilizado o desconto comercial simples na operação, então o desconto obtido foi superior a R$ 650,00.
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Uma financeira faz um empréstimo no va lor de R$ 50.000,00 para ser pago pelo sistema de amortização constante (SAC) em 4 parcelas anuais e sucessivas, com a 1.ª vencendo ao final do 1.º ano do empréstimo. A taxa de juros compostos cobrada pela financeira é de 10% ao ano. Com base nessas informações julgue o item seguinte.
O saldo devedor após o pagamento da 1.ª parcela é superior a R$ 38.000,00.
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Uma financeira faz um empréstimo no va lor de R$ 50.000,00 para ser pago pelo sistema de amortização constante (SAC) em 4 parcelas anuais e sucessivas, com a 1.ª vencendo ao final do 1.º ano do empréstimo. A taxa de juros compostos cobrada pela financeira é de 10% ao ano. Com base nessas informações julgue o item seguinte.
A soma total de juros pagos foi superior a R$ 12.000,00.
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Uma financeira faz um empréstimo no va lor de R$ 50.000,00 para ser pago pelo sistema de amortização constante (SAC) em 4 parcelas anuais e sucessivas, com a 1.ª vencendo ao final do 1.º ano do empréstimo. A taxa de juros compostos cobrada pela financeira é de 10% ao ano. Com base nessas informações julgue o item seguinte.
A 1.ª parcela paga foi inferior a R$ 17.000,00.
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Sabendo que determinada imobiliária cobra do proprietário de um imóvel uma comissão de 5% sobre o preço de venda deste, julgue o item a seguir.
Se, em uma venda , o proprietário do imóvel recebeu, após pagar a comissão da imobiliária, R$ 121.600,00, então a comissão da imobilária nessa intermediação foi inferior a R$ 6.500,00.
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Sabendo que determinada imobiliária cobra do proprietário de um imóvel uma comissão de 5% sobre o preço de venda deste, julgue o item a seguir.
Se a comissão da imobiliária pela venda de um imóvel foi de R$ 4.300,00, então o proprietário desse imóvel recebeu pela sua venda mais de R$ 80.000,00.
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