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Texto para o item

Ele é agora gerente de uma loja de sapatos. Não porque escolheu, mas foi o que lhe restou. Perguntava-se sempre: onde está o meu erro? O erro em relação a seu destino, queria ele dizer. Não há grandes motivos a procurar no fato de alguém ser gerente numa loja de sapatos. Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e estende sapatos como se não pertencesse a esse mundo — o motivo da indagação aparece. Por que realmente? Fora, por exemplo, o melhor aluno de história e até por arqueologia se interessava. Mas o que parecia lhe faltar era cultura histórica ou arqueológica, ele tinha apenas a erudição, faltava-lhe a compreensão íntima de que fora neste mundo e com esses mesmos homens que haviam sucedido os fatos, que fora na terra em que ele pisava que houvera um dia habitantes e que os peixes que se haviam transformado em anfíbios eram aqueles mesmos que ele comia. E até hoje é como um erudito que ele estende sapatos — como se não fosse em contato com esta áspera terra que as solas se gastam.

Clarice Lispector. O escrito. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item seguinte.

O emprego do acento gráfico na palavra “arqueológica” e na palavra “áspera” justifica-se com base na mesma regra de acentuação.

 

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(...)

— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

— Papai...

— Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma; podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou, pelo menos, notável; que te levantes acima da obscuridade comum. (...)

— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

O segmento “estimáveis cavalheiros” é um aposto explicativo da expressão “muitos dos leitores”.

 

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— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

— Papai...

— Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma; podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou, pelo menos, notável; que te levantes acima da obscuridade comum. (...)

— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

A correção gramatical do texto seria mantida caso o trecho “o meu desejo é que te faças grande” fosse reescrito da seguinte forma: o meu desejo é que sejas grande.

 

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— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

— Papai...

— Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma; podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou, pelo menos, notável; que te levantes acima da obscuridade comum. (...)

— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

Se o autor do texto tivesse optado por empregar, no último período do texto, uma construção com verbos na voz passiva, o período poderia ter sido corretamente reescrito da seguinte forma: De resto, os elementos dessa arte difícil de se pensar o pensado te irá sendo ensinado pelo ofício...

 

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(...)

— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

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— Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma; podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou, pelo menos, notável; que te levantes acima da obscuridade comum. (...)

— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

O segmento “foi um sonho da minha mocidade” é um termo explicativo acerca da fase de ocorrência da expressão “o [ofício] de medalhão”.

 

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— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

Fica provado, no diálogo apresentado, que “algumas apólices, um diploma” legitimam a atuação das elites nacionais, que, no entanto, estão afastadas do poder político, porque aderiram ao ofício de medalhão.

 

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— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

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— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

Sendo os substantivos que compõem a enumeração entre as linhas 3 e 4 núcleos do complemento da forma verbal “entrar”, seria mantida a correção gramatical do texto caso a combinação da preposição em com o artigo o fosse empregada apenas no primeiro núcleo — “no parlamento” —, sendo suprimida nos demais núcleos.

 

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— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

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— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

Pela leitura do trecho “De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado”, percebe-se a intenção do autor do texto de mostrar que a sociedade da época representava um engodo no que diz respeito a pressupostos acerca da racionalidade e do conhecimento.

 

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3006558 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: BACEN

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— (...) Chegaste aos teus vinte e um anos. Estás homem, Janjão, longos bigodes, alguns namoros...

— Papai...

— Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma; podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Qualquer que seja a profissão da tua escolha, o meu desejo é que te faças grande e ilustre, ou, pelo menos, notável; que te levantes acima da obscuridade comum. (...)

— Creia que lhe agradeço; mas... que ofício?

— Nenhum me parece mais útil do que o de medalhão; foi o sonho da minha mocidade. Acabo, porém, como vês, somente com as esperanças que deposito em ti. (...)

— O verdadeiro medalhão começa a manifestar-se entre os quarenta e cinco e cinquenta anos.

— ...

— Uma vez na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente...

— Mas quem lhe diz que eu...

— Tu, meu filho, se me não engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Pode acontecer, porém, que, com a idade, venhas a ser afligido de algumas ideias próprias; nesse caso, será necessário aparelhar fortemente o espírito.

— Mas um tal obstáculo é invencível.

— O único meio é lançar mão de um regime debilitante: ler compêndios de retórica, ouvir certos discursos etc.; para esse fim, deves evitar as livrarias, mas, de quando em quando, elas serão de grande conveniência para falares do boato do dia; de um contrabando, de qualquer coisa: verás que muitos dos leitores, estimáveis cavalheiros, repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é saudável. Com tal regime, durante — suponhamos — dois anos, reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, ao equilíbrio comum.

— Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando...

— Podes empregar figuras expressivas e máximas; sentenças latinas; frases feitas, fórmulas consagradas pelos anos e incrustadas na memória individual e pública. De resto, o ofício te irá ensinando os elementos dessa arte difícil de pensar o pensado...

Machado de Assis. Teoria do medalhão. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, v. II (com adaptações).

No que se refere à linguagem, à tipologia textual, às ideias e aos aspectos gramaticais do texto ao lado — Teoria do Medalhão, de Machado de Assis —, julgue o item.

No diálogo apresentado, entre o personagem Janjão e seu pai, a fala inicial é introdutória do assunto e indica a surpresa do pai diante da maturidade de seu filho e o tom solene que irá permear a conversa em que o pai aconselha o filho a avaliar criticamente os valores da sociedade da época, o que torna o texto de Machado de Assis ainda adequado à atualidade.

 

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1418100 Ano: 2013
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: BACEN
Julgue os itens a seguir, com relação aos atos administrativos.


Para concretizar a desapropriação de um imóvel, a administração toma providência para tomar a posse desse imóvel, situação que constitui exemplo de fato administrativo.
 

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