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Foram encontradas 340 questões.

2630943 Ano: 2012
Disciplina: Informática
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Na informática, os vírus são programas que danificam a máquina onde os mesmos forem executados. Estes programas, na maioria das vezes, são incorporados a outros programas, e com isso o usuário só saberá que o computador está infectado por vírus depois que o mesmo já danificou informações ou até mesmo a máquina. Para que os computadores não sejam infectados, existem vários softwares antivírus no mercado.
Assinale a alternativa que apresenta apenas softwares antivírus.
 

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2630942 Ano: 2012
Disciplina: Informática
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Utilizando o Microsoft Excel 2003, instalado em um sistema operacional Windows XP professional, instalação padrão português Brasil, o que faz as funções MOD e MULT, respectivamente?
 

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2630941 Ano: 2012
Disciplina: Informática
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Utilizando o Microsoft Word 2003, instalado em um sistema operacional Windows XP professional, instalação padrão português Brasil, ao acessar o menu e inserir a opção hiperlink, será aberto uma nova janela na qual o usuário irá fazer as definições necessárias para que o hiperlink funcione corretamente, entre essas definições, o usuário pode vincular o hiperlink. Qual das alternativas abaixo apresenta apenas opções que o Word traz para vincular o hiperlink?
 

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2630939 Ano: 2012
Disciplina: Informática
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Utilizando o Microsoft Excel 2003, instalado em um sistema operacional Windows XP professional, instalação padrão português Brasil, qual das alternativas abaixo NÃO é uma categoria de funções que o Excel fornece?
 

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2630938 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
Assinale a alternativa correta sobre o que se afirma a seguir.
 

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2630937 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
A leitura do texto nos permite afirmar que as adaptações ruins de obras literárias para HQs NÃO provocam
 

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2630935 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
As alternativas abaixo apresentam propostas de reescrita de fragmentos do texto, que se encontram entre aspas. Assinale a alternativa em que a reescrita NÃO preserva a correção gramatical e o sentido original do texto.
 

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2630934 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
Assinale a alternativa em que o autor NÃO manifesta sua opinião.
 

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2630933 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
A frase “Os professores jogaram a toalha.” (1.º parágrafo) apresenta uma expressão empregada
 

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2630932 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
No 4.º parágrafo, em “elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet”, a expressão em destaque pode ser substituída, sem prejuízo do sentido do texto, por
 

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