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2630931 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
Assinale a alternativa correta.
 

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2630929 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
Com base no texto, julgue os itens a seguir.
I. O fragmento “minhas duas filhas estão se preparando” pode ser substituído por “estão preparando-se”.
II. O fragmento “que se tratava de transposições” pode ser substituído por “se tratavam”.
III. O fragmento “Não vou me deter” pode ser substituído por “Não deter-me-ei”.
IV. A próclise, em “Aí tudo se torna” e “Já me deparei”, ocorre devido à presença de expressões indefinidas.
Está(ão) correta(s)
 

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2630928 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
Assinale a alternativa cuja frase, extraída do texto, mantém-se correta após a alteração em sua pontuação.
 

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2630927 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
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Os quadrinhos podem destruir a literatura
Luís Antônio Giron
Observo um fato cada vez mais frequente: o desprezo dos jovens por certas obras literárias, sobretudo as adotadas nas escolas e exigidas no vestibular. Os estudantes já não têm paciência para lidar com Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis, O Ateneu, de Raul Pompeia, e nem mesmo conseguem tirar proveito das humorísticas Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Eles tratam os títulos que acabei de citar com uma falta absoluta de respeito – pior, uma falta de noção de respeito. Não entendem a grandeza desses e outros grandes romances do passado. Os professores, por seu turno, não parecem fazer questão de transmitir um entusiasmo literário que eles próprios não possuem. Os professores jogaram a toalha. Aí tudo se torna rotineiro e entediante como uma lição de casa que não pode ser executada. Quanto mais são obrigados a ler, mais os jovens repudiam os livros. Eles já não veem sentido no ato da leitura, até porque são encorajados pelos mais velhos a se valer da internet, dos videogames e da televisão, em detrimento dos meios tradicionais.
Muitos pensam que ser moderno significa não precisar mais ler. Daí o apelo dos tablets: essas tabuletas altamente tecnológicas são os novos aparelhos de televisão, receptores ideais para analfabetos ou cidadãos pós-alfabetizados. Gente que não precisa mais enfrentar um texto com começo, desenvolvimento e conclusão, que adora a fragmentação. Os mesmos que exaltam os tablets acham que o ensino tradicional não consegue mais acompanhar a evolução tecnológica. Então, o que pôr no lugar da tradição? Claro, como não pensamos nisto antes? Se os estudantes querem diversão, vamos dar-lhes histórias em quadrinhos – de preferência, em monitores de LED, via tablets.
Mas a transposição pura e simples não é o problema. As formas e conteúdos podem migrar à vontade, eternamente. A questão é outra: os quadrinhos andam tão salientes que avançam pelo campo literário com avidez dos bárbaros e autoconfiança dos consagrados. As adaptações em HQ de obras literárias e teatrais têm surgido a cada minuto, para supostamente acrescentar algo aos textos originais. Elas vêm abençoadas pela crítica e aprovadas pelo olhar indulgente dos adultos que desacreditam de tudo, notadamente da capacidade de ler das novas gerações. E os jovens correspondem à expectativa, consumindo quadrinhos literários para evitar dar conta de livros que não têm paciência para ler. Como resultado, essas adaptações têm feito um desserviço à literatura – e à cultura como um todo. São, em geral, transposições de má qualidade, criadas por editores oportunistas, sequiosos de aproveitar a falta de vontade de ler da mocidade. Sob o pretexto de facilitar a leitura, esse tipo de adaptação destrói a vontade de ler. Traz um atalho enganoso. Isso porque, em vez de encurtar o caminho, o atalho elimina uma etapa importante da formação do jovem: a da compreensão, análise e, por consequência, do domínio de textos complexos. Ora, para mim isso configura um crime.
Não vou me deter em exemplos de adaptações infelizes, que são inúmeros. Já me deparei com muitas adaptações, em quadrinhos ou não, porque minhas duas filhas estão se preparando para o vestibular e precisam ler o maior número de obras consagradas no menor tempo possível. Percebi que, nas provas do ensino médio, elas recorriam aos famigerados resumos de obras na internet, copiando nomes e ações sem sentido e sem contextualização. Para obter alguma interpretação das obras, elas recorriam às histórias em quadrinhos, aliás recomendadas pelo colégio. Elas leram assim Os Lusíadas, de Camões, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e até Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Não preciso dizer que se tratava de transposições forçadas, mal realizadas e desprezíveis – cheias de erros de português e, pior, erros de interpretação das obras originais. Uma versão de Memórias de um sargento de milícias, por exemplo, traz um vocabulário pobre no final das páginas, sem nenhuma explicação sobre o emprego de determinados termos. As ilustrações são feias e caricatas, limitando-se a servir aos balões e descrições extraídas diretamente do livro. Bom, diante de tanta bandalheira, decidi banir de casa essas HQs. Até entendo algumas adaptações facilitadoras de livros universais, como a que Clarice Lispector fez de Dom Quixote, ou Fernando Sabino de Silvia, de Gerard de Nerval. Esses livrinhos servem como rito de passagem para dificuldades maiores a serem vencidas num estágio posterior. Adaptações literárias em geral geram uma perda de informação. Obviamente, a melhor lei não é a do menor esforço, e esses livros servem como incentivo a futuras viagens de leitura. O que não perdoo são adaptações ruins e quadrinhos malfeitos, que só envergonham o gênero.
Convém não confundir certos quadrinhos oportunistas com a grande arte estabelecida por Will Eisner, Crumb, Frank Miller, Alan Moore e Joe Sacco, entre outros. As HQs nasceram na imprensa e jamais negaram sua vocação popular. Aos poucos, foram experimentando uma ascensão intelectual e artística, graças aos artistas que fizeram delas o seu meio de expressão. Repare que esses grandes artistas dificilmente se submetem a adaptações feitas diretamente de uma obra.
Sou um admirador dos quadrinistas. Os gibis e romances gráficos estimulam minha imaginação, algo que nenhum livro seria capaz de proporcionar. Algumas das melhores ideias do cinema vêm hoje dos quadrinhos. O Brasil experimenta uma fase de produção de alto valor nessa área. Não há como negar a influência dos quadrinhos na cultura atual. O problema é o uso que se faz deles. A culpa não é da HQ, mas da qualidade das adaptações. É de quem aceita o recurso fácil de ler tudo depressa. Infelizmente, os quadrinhos são inocentes úteis, pois viraram instrumentos eficientes para a desmoralização da literatura.
Disponível em <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,EMI244437-15230,00.html>. Acesso em 09 nov 2011.
De acordo com o texto, a principal causa da desmoralização da literatura é
 

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2630926 Ano: 2012
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: AOCP
Orgão: BRDE
Em uma cultura anual o agricultor gasta no plantio R$ 4000,00. Durante o 1° mês ele gasta mais R$ 1000,00 com defensivos. Na hora da colheita (3 meses depois) ele tem uma receita de R$ 10000,00, com a venda do produto. Qual é o VLP desta operação? Taxa de 1% ao mês.
Mês Atividade Custo Receita
0 Plantio 4000,00
1 Defensivos 1000,00
2
3 Colheita (venda) 10000,00
Total 4990,099 9705,90
 

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Considere a sequência infinita !$ \left( {\large1\over\large2},{\large2\over\large3},{\large3\over\large4},{\large4\over\large5},{\large n\over\large n+1} ...\right). !$
Qual é o seu limite quando !$ n \rightarrow \infty~? !$
 

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Considere um espaço amostral !$ \Omega !$, e os eventos A e B, definidos em !$ \Omega !$, tal que A !$ \subset !$ B. Nessas condições, assinale a alternativa correta.

 

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Mr. Law's invention
Less than a year ago the judges on the reality programme Dragon's Den rejected his invention. Now inventor Rob Law is having the last laugh after a product considered “worthless” on the BBC television programme for young entrepreneurs has proved a huge commercial hit.
Mr. Law, 29, from Bath, spent 11 years – and 17,000 pounds of his own money – refining his design for a wheelie suitcase which doubles up as a child's ride-on toy. The plastic Trunki case is designed to allow youngsters aged three to six to take their own bag on holiday – and sit on it when they are tired. But when Mr. Law appeared on Dragon's Den last September, he was given a hard time by the famously unfriendly panel of investors.
Businessman Theo Paphitis ridiculed the product after managing to pull off one of the straps. His colleague Deborah Meadon, head of a holiday firm, declared bluntly that there was no market for the case. And the notoriously brusque tele-communications tycoon Peter Jones declared: “I meet people like you all the time – you think you have something. I tell you, you don't”. The panel declined Mr. Law's offer to give up 10 percent of his new company in return for a 100,000 pounds investment – an offer which valued the firm at 1 million.
However, it now appears that the experts were wrong. After a succession of positive press reviews, Mr. Law has sold 85,000 of his trunki suitcases. It is marketed in 22 countries via a network of distributors. Retailing at 25 pounds, it has proved a hit at several high street stores. Mr Law said: “When I went on to the programme I was full of confidence that I was going to get the investment I needed. But they were rude and obnoxious and just focused on the strap, which was actually something that was easily fixed. I was terrified that by appearing on the programme I may have ruined my company before it even started. But afterwards we had loads of hits on the website from people who said they thought it was a brilliant idea. Now I am absolutely delighted to have proved the Dragons wrong. It just goes to show you should never give up.
Mr. Law also revealed that during filming he managed to sell two of the suitcases to Australian panellist Richard Farleigh, who wanted to invest 100,000 pounds in return for half of the company. But Mr. Law rejected the deal. He declined to say exactly how much the company – which is 100% owned by him - is now worth, but said it was more than a million.
(Adapted from New English File Upper, Oxford, 1996)
Read the text above and choose the best alternative.
One of the judges
 

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Mr. Law's invention
Less than a year ago the judges on the reality programme Dragon's Den rejected his invention. Now inventor Rob Law is having the last laugh after a product considered “worthless” on the BBC television programme for young entrepreneurs has proved a huge commercial hit.
Mr. Law, 29, from Bath, spent 11 years – and 17,000 pounds of his own money – refining his design for a wheelie suitcase which doubles up as a child's ride-on toy. The plastic Trunki case is designed to allow youngsters aged three to six to take their own bag on holiday – and sit on it when they are tired. But when Mr. Law appeared on Dragon's Den last September, he was given a hard time by the famously unfriendly panel of investors.
Businessman Theo Paphitis ridiculed the product after managing to pull off one of the straps. His colleague Deborah Meadon, head of a holiday firm, declared bluntly that there was no market for the case. And the notoriously brusque tele-communications tycoon Peter Jones declared: “I meet people like you all the time – you think you have something. I tell you, you don't”. The panel declined Mr. Law's offer to give up 10 percent of his new company in return for a 100,000 pounds investment – an offer which valued the firm at 1 million.
However, it now appears that the experts were wrong. After a succession of positive press reviews, Mr. Law has sold 85,000 of his trunki suitcases. It is marketed in 22 countries via a network of distributors. Retailing at 25 pounds, it has proved a hit at several high street stores. Mr Law said: “When I went on to the programme I was full of confidence that I was going to get the investment I needed. But they were rude and obnoxious and just focused on the strap, which was actually something that was easily fixed. I was terrified that by appearing on the programme I may have ruined my company before it even started. But afterwards we had loads of hits on the website from people who said they thought it was a brilliant idea. Now I am absolutely delighted to have proved the Dragons wrong. It just goes to show you should never give up.
Mr. Law also revealed that during filming he managed to sell two of the suitcases to Australian panellist Richard Farleigh, who wanted to invest 100,000 pounds in return for half of the company. But Mr. Law rejected the deal. He declined to say exactly how much the company – which is 100% owned by him - is now worth, but said it was more than a million.
(Adapted from New English File Upper, Oxford, 1996)
Read the text above and choose the best alternative.
Rob felt that the judges
 

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Mr. Law's invention
Less than a year ago the judges on the reality programme Dragon's Den rejected his invention. Now inventor Rob Law is having the last laugh after a product considered “worthless” on the BBC television programme for young entrepreneurs has proved a huge commercial hit.
Mr. Law, 29, from Bath, spent 11 years – and 17,000 pounds of his own money – refining his design for a wheelie suitcase which doubles up as a child's ride-on toy. The plastic Trunki case is designed to allow youngsters aged three to six to take their own bag on holiday – and sit on it when they are tired. But when Mr. Law appeared on Dragon's Den last September, he was given a hard time by the famously unfriendly panel of investors.
Businessman Theo Paphitis ridiculed the product after managing to pull off one of the straps. His colleague Deborah Meadon, head of a holiday firm, declared bluntly that there was no market for the case. And the notoriously brusque tele-communications tycoon Peter Jones declared: “I meet people like you all the time – you think you have something. I tell you, you don't”. The panel declined Mr. Law's offer to give up 10 percent of his new company in return for a 100,000 pounds investment – an offer which valued the firm at 1 million.
However, it now appears that the experts were wrong. After a succession of positive press reviews, Mr. Law has sold 85,000 of his trunki suitcases. It is marketed in 22 countries via a network of distributors. Retailing at 25 pounds, it has proved a hit at several high street stores. Mr Law said: “When I went on to the programme I was full of confidence that I was going to get the investment I needed. But they were rude and obnoxious and just focused on the strap, which was actually something that was easily fixed. I was terrified that by appearing on the programme I may have ruined my company before it even started. But afterwards we had loads of hits on the website from people who said they thought it was a brilliant idea. Now I am absolutely delighted to have proved the Dragons wrong. It just goes to show you should never give up.
Mr. Law also revealed that during filming he managed to sell two of the suitcases to Australian panellist Richard Farleigh, who wanted to invest 100,000 pounds in return for half of the company. But Mr. Law rejected the deal. He declined to say exactly how much the company – which is 100% owned by him - is now worth, but said it was more than a million.
(Adapted from New English File Upper, Oxford, 1996)
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