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3906444 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: BRDE
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A civilização que construímos a duras penas

Por J. J. Camargo

A doutora Margaret Mead (1901-1978), famosa antropóloga americana com trabalhos

pioneiros em estudos sobre o desenvolvimento social, sugere que a primeira evidência de início

da civilização humana pode ser associada ao surgimento da agricultura.

Essa transição remonta ao Período Neolítico, que ocorreu aproximadamente entre

10.000 a.C. e 3.000 a.C., e representa uma fase crucial na história da humanidade, marcada

pela transição de sociedades nômades de caçadores-coletores para comunidades sedentárias de

agricultores, levando ao surgimento de cidades, comércio e estruturas sociais mais complexas.

Certamente, estas transformações só foram viabilizadas porque o homo, com razão

chamado sapiens, foi capaz de usar esse diferencial de inteligência para, mesmo sendo muitas

vezes um animal comparativamente mais fraco, pudesse se sobrepor aos mais fortes e a eles

subjugar por uma capacidade única: a de cooperação mútua, que é um atributo da socialização.

Todos concordam que a cooperação aliada __ comunicação se destaca como a virtude

essencial que possibilitou aos humanos superar limitações físicas e estabelecer-se como uma

espécie dominante no planeta. Se isso não houvesse ocorrido, provavelmente ainda andaríamos

zanzando por aí, pichando paredes, sem saber que era possível chorar só de emoção, e

pifiamente consolados pela ausência de boletos, ainda que sem a incômoda preocupação de

entender o que significam, de fato, __ violação do estado de direito e __ liberdade de expressão.

Para os humanos mais sensíveis, parece sedutora a ideia de que a verdadeira civilização

começou quando alguém cuidou de alguém. E a evidência de que isso ocorreu está explícita no

achado de um fêmur consolidado, num sítio arqueológico, datado de uns 15 mil anos atrás.

Uma fratura incapacitante, como a do fêmur, para as populações nômades era uma

sentença de morte, considerando que a vítima perdia, por longas semanas, a condição de caçar

e, imobilizado, não tinha como se defender dos outros animais que, como ele, andavam em

busca de comida para sobreviver, essa necessidade elementar em todos os tempos e sem prazo

de validade.

O fêmur lindamente consolidado era a evidência de que alguém colocara em risco a sua

própria sobrevivência para que seu parceiro de jornada tivesse a chance única de recomeçar.

Quando interpelada por um estudante, a doutora Margaret Mead teria supostamente afirmado

que o achado desta fratura curada destacava um aspecto importante da civilização: a

interdependência e a capacidade de cuidar de outros como elementos fundamentais para a

sobrevivência e o progresso humano.

Como há controvérsia sobre a autenticidade desse discurso, e ciente de que, com a morte

da antropóloga, esta dúvida persistirá, prefiro idealizá-la por quanto ela é rica de humanismo.

Fascinado por esta história, me dei conta de que a gratidão, o mais nobre dos sentimentos

humanos, sempre associada __ empatia, já pode organizar uma festança para comemorar os

seus primeiros 15 mil anos de atividade ininterrupta neste planeta, tão rico de gestos grandiosos,

apesar da quantidade de homines stultus circulantes.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2025/07 - texto adaptado especialmente para esta prova).

Sobre as expressões “andaríamos zanzando” e “pichando”, do trecho “Se isso não houvesse ocorrido, provavelmente ainda andaríamos zanzando por aí, pichando paredes” (l. 14-15), analise as assertivas que seguem:

I. Na locução verbal “andaríamos zanzando”, o gerúndio poderia ser substituído pelo infinitivo sem necessidade de qualquer outra alteração.
II. “pichando” introduz uma oração coordenada.
III. “zanzando” e “pichando” são consideradas formas nominais do verbos “zanzar” e “pichar”, que têm em suas estruturas a desinência característica “-ndo”.

Quais estão corretas?
 

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3906443 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: BRDE
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A civilização que construímos a duras penas

Por J. J. Camargo

A doutora Margaret Mead (1901-1978), famosa antropóloga americana com trabalhos

pioneiros em estudos sobre o desenvolvimento social, sugere que a primeira evidência de início

da civilização humana pode ser associada ao surgimento da agricultura.

Essa transição remonta ao Período Neolítico, que ocorreu aproximadamente entre

10.000 a.C. e 3.000 a.C., e representa uma fase crucial na história da humanidade, marcada

pela transição de sociedades nômades de caçadores-coletores para comunidades sedentárias de

agricultores, levando ao surgimento de cidades, comércio e estruturas sociais mais complexas.

Certamente, estas transformações só foram viabilizadas porque o homo, com razão

chamado sapiens, foi capaz de usar esse diferencial de inteligência para, mesmo sendo muitas

vezes um animal comparativamente mais fraco, pudesse se sobrepor aos mais fortes e a eles

subjugar por uma capacidade única: a de cooperação mútua, que é um atributo da socialização.

Todos concordam que a cooperação aliada __ comunicação se destaca como a virtude

essencial que possibilitou aos humanos superar limitações físicas e estabelecer-se como uma

espécie dominante no planeta. Se isso não houvesse ocorrido, provavelmente ainda andaríamos

zanzando por aí, pichando paredes, sem saber que era possível chorar só de emoção, e

pifiamente consolados pela ausência de boletos, ainda que sem a incômoda preocupação de

entender o que significam, de fato, __ violação do estado de direito e __ liberdade de expressão.

Para os humanos mais sensíveis, parece sedutora a ideia de que a verdadeira civilização

começou quando alguém cuidou de alguém. E a evidência de que isso ocorreu está explícita no

achado de um fêmur consolidado, num sítio arqueológico, datado de uns 15 mil anos atrás.

Uma fratura incapacitante, como a do fêmur, para as populações nômades era uma

sentença de morte, considerando que a vítima perdia, por longas semanas, a condição de caçar

e, imobilizado, não tinha como se defender dos outros animais que, como ele, andavam em

busca de comida para sobreviver, essa necessidade elementar em todos os tempos e sem prazo

de validade.

O fêmur lindamente consolidado era a evidência de que alguém colocara em risco a sua

própria sobrevivência para que seu parceiro de jornada tivesse a chance única de recomeçar.

Quando interpelada por um estudante, a doutora Margaret Mead teria supostamente afirmado

que o achado desta fratura curada destacava um aspecto importante da civilização: a

interdependência e a capacidade de cuidar de outros como elementos fundamentais para a

sobrevivência e o progresso humano.

Como há controvérsia sobre a autenticidade desse discurso, e ciente de que, com a morte

da antropóloga, esta dúvida persistirá, prefiro idealizá-la por quanto ela é rica de humanismo.

Fascinado por esta história, me dei conta de que a gratidão, o mais nobre dos sentimentos

humanos, sempre associada __ empatia, já pode organizar uma festança para comemorar os

seus primeiros 15 mil anos de atividade ininterrupta neste planeta, tão rico de gestos grandiosos,

apesar da quantidade de homines stultus circulantes.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2025/07 - texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o uso do vocábulo “crucial” (l. 05), analise as assertivas que seguem:

I. Considerando o contexto, poderia ser substituído tanto por “essencial” quanto por “fundamental”, mantendo-se o sentido original.
II. É classificado como adjetivo, funcionando na frase como adjunto adnominal.
III. Caso ocorresse a pluralização da palavra “fase” (l. 05), o vocábulo “crucial” também deveria sofrer alteração de número, além de outras alterações no período.

Quais estão corretas?
 

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