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CONVERSAS ILUMINADAS
Martha Medeiros
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025
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Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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Questão presente nas seguintes provas
As principais características ou especificidades dos direitos humanos foram estabelecidas com a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos
em 1948 e consolidadas na II Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, em 1993. De acordo com André de Carvalho Ramos, todas as
alternativas abaixo definem adequadamente as especificidades dos direitos humanos, EXCETO:
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Questão presente nas seguintes provas
De acordo com o Decreto nº 10.932/2022, que promulgou a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, e o Decreto nº 6.949/2009, que promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, analise as assertivas abaixo
e assinale a alternativa CORRETA.
I - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009 estabelece que os Estados-partes devem assegurar o direito à educação das pessoas com deficiência, determinando, para tanto, a obrigatoriedade de matrícula exclusiva em escolas especiais quando necessário para seu bem-estar.
II - Ambos os decretos possuem status de lei ordinária no ordenamento jurídico brasileiro, podendo ser alterados ou revogados por nova legislação infraconstitucional.
III - O Decreto nº 6.949/2009 internalizou no Brasil um tratado internacional que, em razão do quórum de aprovação pelo Congresso Nacional, foi equiparado às emendas constitucionais.
IV - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 10.932/2022 define que Racismo é qualquer preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, de modo concomitante, em dois ou mais critérios dispostos no Artigo 1.1 da referida convenção, ou outros reconhecidos em instrumentos internacionais, cujo objetivo ou resultado seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados-partes.
V - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 10.932/2022 define que Discriminação Racial é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais.
Marque a opção que apresenta as assertivas CORRETAS:
I - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 6.949/2009 estabelece que os Estados-partes devem assegurar o direito à educação das pessoas com deficiência, determinando, para tanto, a obrigatoriedade de matrícula exclusiva em escolas especiais quando necessário para seu bem-estar.
II - Ambos os decretos possuem status de lei ordinária no ordenamento jurídico brasileiro, podendo ser alterados ou revogados por nova legislação infraconstitucional.
III - O Decreto nº 6.949/2009 internalizou no Brasil um tratado internacional que, em razão do quórum de aprovação pelo Congresso Nacional, foi equiparado às emendas constitucionais.
IV - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 10.932/2022 define que Racismo é qualquer preferência, distinção, exclusão ou restrição baseada, de modo concomitante, em dois ou mais critérios dispostos no Artigo 1.1 da referida convenção, ou outros reconhecidos em instrumentos internacionais, cujo objetivo ou resultado seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados-partes.
V - A Convenção promulgada pelo Decreto nº 10.932/2022 define que Discriminação Racial é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais.
Marque a opção que apresenta as assertivas CORRETAS:
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