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DA CALMA E DO SILÊNCIO
-
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
-
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
-
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
[...]
I. As palavras "maravilhosas", "historinha" e "guerras" são todas paroxítonas e todas apresentam, pelo menos, um dígrafo.
II. No trecho "é interessante lembrar isso", caso o verbo "lembrar" tivesse sido empregado em sua forma pronominal, o pronome "isso" deveria ser contraído com a preposição "de" para haver adequação à norma-padrão da língua portuguesa.
III. Na oração "vamos todos sobreviver por só mais um dia", observa-se uma silepse de pessoa, já que o pronome "todos" — de 3ª pessoa — se harmoniza semanticamente com o sujeito oculto "nós", de 1ª pessoa.
IV. Ao afirmar "a vida é fruição, é uma dança", o autor recorre à linguagem denotativa, construindo imagens metafóricas para tratar da existência de forma sensível e crítica.
V. Na expressão "Nós estamos, em nossa relação com a vida", o uso do sinal designativo de crase em "a" é facultativo segundo a norma-padrão da língua portuguesa.
Está CORRETO o que se afirma em:
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
[...]
Com base no fragmento, assinale a alternativa cuja análise do mecanismo coesivo está CORRETA.
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
[...]
"Nós estamos, em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição."
No trecho em questão, diferentes classes gramaticais e processos de formação de palavras contribuem para a construção da imagem poética e crítica mobilizada pelo autor. Com base nesse trecho, assinale a alternativa correta quanto à classificação gramatical das palavras empregadas.
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- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “que”
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
[...]
"Nós temos que ter coragem de ser radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta, vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é uma negociação em torno da vida".
Com base no trecho apresentado, assinale a alternativa CORRETA sobre os usos das palavras "que" e "Se" em destaque.
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(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
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A vida não é útil
(Fragmento)
[...]
Uma operação de resgate tem como intuito salvar o corpo que está sendo flagelado e levá-lo para um
outro lugar, onde será restaurado. Quem sabe, depois de uma reabilitação, ele pode até seguir operante
na vida. Isso partindo da ideia de que a vida é útil, mas a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão
maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é fruição,
é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e
utilitária. Uma biografia: alguém nasceu, fez isso, fez aquilo, cresceu, fundou uma cidade, inventou o
fordismo, fez a revolução, fez um foguete, foi para o espaço; tudo isso é uma historinha ridícula. Por
que insistimos em transformar a vida em uma coisa útil? Nós temos que ter coragem de ser
radicalmente vivos, e não ficar barganhando a sobrevivência. Se continuarmos comendo o planeta,
vamos todos sobreviver por só mais um dia.
Eu tenho insistido com as pessoas, seja na minha aldeia, seja em qualquer lugar, que sobreviver já é
uma negociação em torno da vida, que é um dom maravilhoso e não pode ser reduzido. Nós estamos,
em nossa relação com a vida, como um peixinho num imenso oceano, em maravilhosa fruição. Nunca
vai ocorrer a um peixinho que o oceano tem que ser útil, o oceano é a vida. Mas nós somos o tempo
inteiro cobrados a fazer coisas úteis. É por isso que muita gente morre cedo, desiste dessa bobagem
toda e vai embora.
Viver a experiência de fruir a vida de verdade deveria ser a maravilha da existência. Alguém vai dizer:
"Mas tem tanta gente que vive em dificuldade material, que tem que morar em lugares de miséria e
violência...". Porém os lugares de miséria e violência fomos nós que criamos, não têm existência por si.
Todas as guerras em curso por aí são produzidas por nós. Também não podemos ficar alimentando
essa ideia de destino: "Ah, aquele monte de gente sofreu, passou por aquela desgraceira toda, morreu,
mas era o destino deles". Isso é uma sacanagem. Não é destino deles nem meu nem de ninguém: nós
estamos aqui para fruir a vida, e quanto mais consciência despertarmos sobre a existência, mais
intensamente a experimentamos. Sem autoenganação. Se você precisa sair correndo para uma igreja,
para um ashram, para uma mesquita ou para um terreiro para se sentir em paz, preste atenção,
porque isso pode ser um exercício, mas talvez não seja tudo o que você está esperando. As religiões, a
política, as ideologias se prestam muito bem a emoldurar uma vida útil. Mas quem está interessado em
existência utilitária deve achar que esse mundo está ótimo: um tremendo shopping. Os grandes templos contemporâneos são shoppings (inclusive alguns que são templos mesmo).
Os povos originários ainda estão presentes neste mundo não porque foram excluídos, mas porque
escaparam, é interessante lembrar isso. Em várias regiões do planeta, resistiram com toda força e
coragem para não serem completamente engolfados por esse mundo utilitário. Os povos nativos
resistem a essa investida do branco porque sabem que ele está enganado, e, na maioria das vezes, são
tratados como loucos. Escapar dessa captura, experimentar uma existência que não se rendeu ao
sentido utilitário da vida, cria um lugar de silêncio interior. Nas regiões que sofreram uma forte
interferência utilitária da vida, essa experiência de silêncio foi prejudicada.
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Considerando os requisitos legais e os aspectos característicos da usucapião especial de imóvel urbano,
disciplinada pela legislação brasileira, assinale a alternativa CORRETA.
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