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Manual do Minotauro • Página 10 de 77 • Laerte
Na tirinha, o jogo temporal entre “cremos” e “crerão” denota
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Hino da Proclamação da República
Letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Américo Miguez (1890)
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!
Disponível em: https://www.gov.br/.../hinos/hino-da-proclamacao-da-republica. Acesso em: 04 mai. 2022.
Na letra do hino da proclamação da república, a escravidão é
Letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Américo Miguez (1890)
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!
Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!
Disponível em: https://www.gov.br/.../hinos/hino-da-proclamacao-da-republica. Acesso em: 04 mai. 2022.
Na letra do hino da proclamação da república, a escravidão é
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A questão refere-se ao texto abaixo.
Já que minha fome não podia ser aplacada no jogo de interações sociais
que eram inconcebíveis por minha própria condição – e compreendi
isso mais tarde, essa compaixão nos olhos de minha salvadora, pois
algum dia já se viu uma menina pobre penetrar na embriaguez da
linguagem e nela se exercitar junto com os outros? –, ela o seria nos
livros. Pela primeira vez toquei num livro. Eu tinha visto os maiores da
turma olharem para traços invisíveis, como que movidos pela mesma
força, e, mergulhado no silêncio, tirarem do papel morto alguma coisa
que parecia viva.
Aprendi a ler sem ninguém saber. A professora ainda repetia as
letras para as outras crianças, e eu já conhecia havia muito tempo a
solidariedade que tece os sinais escritos, suas infinitas combinações e os
sons maravilhosos que tinham me investido naquele local, no primeiro
dia, quando ela dissera meu nome. Ninguém soube. Li como alucinada,
primeiro escondido, depois, quando o tempo normal da aprendizagem
me pareceu superado, na cara de todo mundo, mas tomando cuidado
de dissimular o prazer e o interesse que tirava daquilo.
A criança fraca se tornara uma alma faminta.
BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço. SP: Companhia das letras: 2008, p. 45.
I. “não podia ser aplacada no jogo de interações sociais que eram inconcebíveis por minha própria condição”, que retoma a expressão “interações sociais”.
II. “e compreendi isso mais tarde”, isso retoma anaforicamente o período anterior.
III. “ela o seria nos livros”, ela retoma o sintagma nominal “uma menina pobre”.
IV. “quando ela dissera meu nome”, ela retoma o substantivo “professora”.
Estão corretas as afirmativas
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A questão refere-se ao texto abaixo.
Já que minha fome não podia ser aplacada no jogo de interações sociais
que eram inconcebíveis por minha própria condição – e compreendi
isso mais tarde, essa compaixão nos olhos de minha salvadora, pois
algum dia já se viu uma menina pobre penetrar na embriaguez da
linguagem e nela se exercitar junto com os outros? –, ela o seria nos
livros. Pela primeira vez toquei num livro. Eu tinha visto os maiores da
turma olharem para traços invisíveis, como que movidos pela mesma
força, e, mergulhado no silêncio, tirarem do papel morto alguma coisa
que parecia viva.
Aprendi a ler sem ninguém saber. A professora ainda repetia as
letras para as outras crianças, e eu já conhecia havia muito tempo a
solidariedade que tece os sinais escritos, suas infinitas combinações e os
sons maravilhosos que tinham me investido naquele local, no primeiro
dia, quando ela dissera meu nome. Ninguém soube. Li como alucinada,
primeiro escondido, depois, quando o tempo normal da aprendizagem
me pareceu superado, na cara de todo mundo, mas tomando cuidado
de dissimular o prazer e o interesse que tirava daquilo.
A criança fraca se tornara uma alma faminta.
BARBERY, Muriel. A elegância do ouriço. SP: Companhia das letras: 2008, p. 45.
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A questão refere-se ao texto a seguir.
O que pode um funk?
Ivana Bentes
[...] Retomando essa figura meio arquetípica do Brasil, o funk
feminino de Anitta incorporou as questões de gênero conjugando a
malandragem com um feminino plural.
Vai, Malandra, o clipe, traz verdadeiros memes visuais,
culturais e musicais que valem por um tratado sociológico. Ainda não
se escreveu, e faz falta, um tratado sobre os corpos pensantes das
mulheres, para além do imaginário em torno da bunda, da raba, do
bumbum, do traseiro da mulher brasileira, que virou um disparador de
questões sensações! O corpo sexualizado na era da sua ressignificação
pelas próprias mulheres!
Um corpo que o funk, o samba, o biquíni de fita isolante, toda
a cultura solar carioca já vem dizendo, tem tempo, que não precisa ser
apenas objeto e signo de assujeitamento, toda vez que quiser se exibir.
A bunda (e o corpo das mulheres) pode se deslocar da
objetificação para a subjetivação! A bunda viva de Anitta com sua
celulite sem photoshop é sujeito e não objeto. Se as mulheres fazem o
que quiserem com seus corpos (a Marcha das Vadias explicou isso para
a classe média), elas podem inclusive se “autoexplorarem”, ensina o
funk. A bunda ostentação de Anitta no início do clipe já aponta para
esse outro feminismo (de mulheres brancas, apenas? Acho que não!).
BENTES, Ivana. O que pode um funk? Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/anittavai-malandra-ivana-bentes/. Acesso em 28 abr. 2022.
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A questão refere-se ao texto a seguir.
O que pode um funk?
Ivana Bentes
[...] Retomando essa figura meio arquetípica do Brasil, o funk
feminino de Anitta incorporou as questões de gênero conjugando a
malandragem com um feminino plural.
Vai, Malandra, o clipe, traz verdadeiros memes visuais,
culturais e musicais que valem por um tratado sociológico. Ainda não
se escreveu, e faz falta, um tratado sobre os corpos pensantes das
mulheres, para além do imaginário em torno da bunda, da raba, do
bumbum, do traseiro da mulher brasileira, que virou um disparador de
questões sensações! O corpo sexualizado na era da sua ressignificação
pelas próprias mulheres!
Um corpo que o funk, o samba, o biquíni de fita isolante, toda
a cultura solar carioca já vem dizendo, tem tempo, que não precisa ser
apenas objeto e signo de assujeitamento, toda vez que quiser se exibir.
A bunda (e o corpo das mulheres) pode se deslocar da
objetificação para a subjetivação! A bunda viva de Anitta com sua
celulite sem photoshop é sujeito e não objeto. Se as mulheres fazem o
que quiserem com seus corpos (a Marcha das Vadias explicou isso para
a classe média), elas podem inclusive se “autoexplorarem”, ensina o
funk. A bunda ostentação de Anitta no início do clipe já aponta para
esse outro feminismo (de mulheres brancas, apenas? Acho que não!).
BENTES, Ivana. O que pode um funk? Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/anittavai-malandra-ivana-bentes/. Acesso em 28 abr. 2022.
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- SintaxeConectivos
- MorfologiaConjunçõesRelações de Causa e Consequência
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros Textuais
Despertar para a realidade exige esforço e reflexão crítica.
Gabriela Lenz de Lacerda
A história do Brasil, como a própria história do mundo, é definida por
uma sucessão de violências.
A subjugação das mulheres tem relação com o próprio processo de
colonização, na medida em que se trata de formas de dominação e de
exploração necessárias ao desenvolvimento do capitalismo. A fim de
permitir a acumulação primitiva de capital, era necessário que as próprias
relações sociais fossem pautadas na violência e na hierarquização dos
seres humanos, com controle dos corpos que pudessem ser úteis ou
prejudiciais ao sistema.
Mais de 500 anos depois, não conseguimos romper essa persistência
história e, não por acaso, vivemos hoje no país mais desigual da América
Latina e em um dos mais desiguais do mundo. As violências praticadas
contra mulheres, contra descendentes dos africanos e indígenas
escravizados e contra a natureza são a herança que recebemos. Nós,
que habitamos essa porção de terra batizada de Brasil, fundada pela
violência, precisamos ter em mente que o racismo, o sexismo e a
desconexão com a natureza não apenas estruturam a nossa sociedade.
São estruturantes também da nossa própria subjetividade.
Despertar para a realidade pressupõe, assim, refletirmos de forma crítica
e profunda sobre o nosso próprio racismo, sexismo e colonialismo.
Se queremos realmente contribuir para a construção de um mundo
melhor, mais justo e igualitário, temos que retomar a lição de Paulo
Freire (2014): toda ação libertadora é necessariamente acompanhada
de uma profunda reflexão. Somente compreendendo a nossa própria
posição na estrutura social – nossos privilégios e vulnerabilidades –
e lembrando que “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta
sozinho”, podemos, juntos, nos libertar em comunhão. A revolução
começa – mas não termina – dentro de nós!...
LACERDA, Gabriela Lenz de. Despertar para a realidade exige esforço e reflexão crítica.
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/sororidade-em-pauta/despertar-para-a-
-realidade-exige-esforco-e-reflexao-critica/. Acesso em 09 mai. 2022.
I. A conjunção “como” estabelece relação de comparação entre a história do Brasil e a dos demais países do globo terrestre.
II. A locução “na medida em que” cria a relação de causalidade entre a subjugação das mulheres e as formas de dominação e de exploração próprias do capitalismo.
III. O conectivo “assim” introduz a conclusão sobre o que é necessário para o nosso despertar sobre a nossa própria realidade.
IV. O “se” estabelece a condição para recuperarmos os ensinamentos de Paulo Freire.
Estão corretas as afirmativas
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A questão refere-se ao texto a seguir.
Raízes da intolerância
Racismo, injúria e preconceito revelam rejeição à própria
condição humana
Muniz Sodré
Dados oficiais do Instituto de Segurança Pública mostram que o Rio
de Janeiro tem registrado aumento nos casos gerais de intolerância
religiosa, em que se incluem episódios de “injúria por preconceito”
e “preconceito de raça, cor, religião, etnia e procedência nacional”.
Traduzindo: discriminam-se cada vez mais negros, nordestinos e
praticantes de cultos afro-brasileiros.
Não é surpresa a inclusão de nordestinos nesse espectro. Na história
do processo de seleção para a carreira diplomática, é possível deparar
com episódios reveladores de uma oblíqua tradição “estética”, que
não visava negativamente apenas os afro-brasileiros. Num desses,
o Barão do Rio Branco (1845-1910) rejeitou a candidatura do poeta
simbolista Antonio Francisco da Costa e Silva (1885-1950) por suposta
inadequação estética: “nordestino e estrábico”.
Esse critério seletivo se alterou oficialmente, mas suas raízes sociais
continuam à mostra em setores populares. Faz pouco tempo, o
sotaque de uma jovem paraibana num reality show provocou ataques
cruéis da audiência.
Sempre houve esse tipo de discriminação no Sul, porém de modo
mais atenuado em cidades tradicionalmente acolhedoras, como o Rio
de Janeiro, cuja institucionalidade popular foi tecida pelos migrantes
nordestinos nos morros e subúrbios. O carioca era uma mistura branda,
em que a dicotomia entre “nós” e “eles” não traduzia conflitos nem
ressentimentos. Pelo contrário, graças aos cultos afros e ao samba,
resultava numa originalidade civilizatória que até hoje garante à cidade
um lugar de visibilidade na cena internacional.
Mas é evidente que a sublimação carnavalesca da cidade jamais
conseguiu esconder o persistente racismo neocolonial. Sob a superfície
da hipocrisia social, estão latentes velhos esquemas discriminatórios,
que agora se exasperam na onda de um retrocesso mental frente à exposição pública de diferenças temidas pela consciência enferrujada
de frações de classe “média”. Essas mesmas de olhos fechados às
pequenas e grandes violências que desfiguraram o urbano remanescente
na paisagem do Rio.
SODRÉ, Muniz. Raízes da intolerância. Disponível em: https://www.geledes.org.br/raizes-daintolerancia/. Acesso em: 01 mai. 2022. (Adaptado).
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A questão refere-se ao texto a seguir.
Raízes da intolerância
Racismo, injúria e preconceito revelam rejeição à própria
condição humana
Muniz Sodré
Dados oficiais do Instituto de Segurança Pública mostram que o Rio
de Janeiro tem registrado aumento nos casos gerais de intolerância
religiosa, em que se incluem episódios de “injúria por preconceito”
e “preconceito de raça, cor, religião, etnia e procedência nacional”.
Traduzindo: discriminam-se cada vez mais negros, nordestinos e
praticantes de cultos afro-brasileiros.
Não é surpresa a inclusão de nordestinos nesse espectro. Na história
do processo de seleção para a carreira diplomática, é possível deparar
com episódios reveladores de uma oblíqua tradição “estética”, que
não visava negativamente apenas os afro-brasileiros. Num desses,
o Barão do Rio Branco (1845-1910) rejeitou a candidatura do poeta
simbolista Antonio Francisco da Costa e Silva (1885-1950) por suposta
inadequação estética: “nordestino e estrábico”.
Esse critério seletivo se alterou oficialmente, mas suas raízes sociais
continuam à mostra em setores populares. Faz pouco tempo, o
sotaque de uma jovem paraibana num reality show provocou ataques
cruéis da audiência.
Sempre houve esse tipo de discriminação no Sul, porém de modo
mais atenuado em cidades tradicionalmente acolhedoras, como o Rio
de Janeiro, cuja institucionalidade popular foi tecida pelos migrantes
nordestinos nos morros e subúrbios. O carioca era uma mistura branda,
em que a dicotomia entre “nós” e “eles” não traduzia conflitos nem
ressentimentos. Pelo contrário, graças aos cultos afros e ao samba,
resultava numa originalidade civilizatória que até hoje garante à cidade
um lugar de visibilidade na cena internacional.
Mas é evidente que a sublimação carnavalesca da cidade jamais
conseguiu esconder o persistente racismo neocolonial. Sob a superfície
da hipocrisia social, estão latentes velhos esquemas discriminatórios,
que agora se exasperam na onda de um retrocesso mental frente à exposição pública de diferenças temidas pela consciência enferrujada
de frações de classe “média”. Essas mesmas de olhos fechados às
pequenas e grandes violências que desfiguraram o urbano remanescente
na paisagem do Rio.
SODRÉ, Muniz. Raízes da intolerância. Disponível em: https://www.geledes.org.br/raizes-daintolerancia/. Acesso em: 01 mai. 2022. (Adaptado).
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Se o projeto deste livro [O tempo e o cão: a atualidade das depressões]
se deve ao início de algumas análises com pessoas depressivas, o
processo mental de sua escrita inaugurou-se no dia em que atropelei
um cachorro. Foi um acidente anunciado, com poucos segundos
de antecipação, e mesmo assim inevitável, por conta da velocidade
normal dos acontecimentos na atualidade. Mal nos damos conta dela,
a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar
a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em
casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida
psíquica. Naquele dia, acossada pelos caminhões que vinham atrás
de mim em uma autoestrada, ainda pude ver pelo retrovisor que o
animal ferido conseguiu atravessar o resto da rodovia e embrenharse no mato. Em questão de segundos, não escutei mais seu uivo de
dor nem pude conferir o dano que lhe fiz. O cão deixou de existir em
meu campo perceptivo, assim como poderia ter sido definitivamente
forcluído do registro da minha experiência; seu esquecimento se
somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas
às quais nos limitamos a reagir rapidamente para, em seguida, com
igual rapidez, esquecê-las.
[...]
Poucos minutos depois do acidente, ainda na estrada, comecei a
esboçar em pensamento um texto a respeito da brutalidade da relação
dos sujeitos contemporâneos com o tempo. Do mau encontro que
poderia ter acabado com a vida daquele cão, restou uma ligeira mancha
escura no meu para-choque. Foi tão rápido o choque que não teria se
transformado em acontecimento se eu não sentisse a necessidade de
recorrer à cena diversas vezes, em pensamento, ao longo dos vinte
quilômetros que ainda me faltavam percorrer até o meu destino.
KEHL, Maria Rita. O tempo e o cão: a atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo, 2009. p.
16-17. (fragmento).
Glossário:
Forcluído: excluído.
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