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Do bom sucesso que teve o valoroso D. Quixote na espantosa e jamais imaginada aventura dos moinhos de vento, com outros sucessos dignos de feliz recordação. Quando nisto iam, descobriram trinta ou quarenta moinhos de vento, que há naquele campo. Assim que D. Quixote os viu, disse para o escudeiro:
— A aventura vai encaminhando os nossos negócios melhor do que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Sancho Pança, onde se descobrem trinta ou mais desaforados gigantes, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a todos as vidas, e com cujos despojos começaremos a enriquecer; que esta é boa guerra, e bom serviço faz a Deus quem tira tão má raça da face da terra.
— Quais gigantes? — disse Sancho Pança. — Aqueles que ali vês — respondeu o amo — de braços tão compridos, que alguns os têm de quase duas léguas. — Olhe bem Vossa Mercê — disse o escudeiro — que aquilo não são gigantes, são moinhos de vento; e os que parecem braços não são senão as velas, que tocadas do vento fazem trabalhar as mós. — Bem se vê — respondeu D. Quixote — que não andas corrente nisto das aventuras; são gigantes, são; e, se tens medo, tira-te daí, e põe-te em oração enquanto eu vou entrar com eles em fera e desigual batalha. Dizendo isto, meteu esporas ao cavalo Rocinante, sem atender aos gritos do escudeiro, que lhe repetia serem sem dúvida alguma moinhos de vento, e não gigantes, os que ia acometer. Mas tão cego ia ele em que eram gigantes, que nem ouvia as vozes de Sancho nem reconhecia, com o estar já muito perto, o que era; antes ia dizendo a brado: — Não fujais, covardes e vis criaturas; é um só cavaleiro o que vos investe.
CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote de La Mancha. 1605. Capítulo VIII. Da edição da Nova Cultural (2002). Tradução de Viscondes de Castilho e Azevedo. Adaptado.
Texto II - O poeta está vivo - Barão Vermelho
Baby, compra o jornal E vem ver o sol Ele continua a brilhar Apesar de tanta barbaridade
Baby, escuta o galo cantar A aurora dos nossos tempos Não é hora de chorar Amanheceu o pensamento
O poeta está vivo Com seus moinhos de vento A impulsionar A grande roda da história
Mas quem tem coragem de ouvir Amanheceu o pensamento Que vai mudar o mundo Com seus moinhos de vento
Se você não pode ser forte Seja pelo menos humana Quando o papa e seu rebanho chegar Não tenha pena
Todo mundo é parecido Quando sente dor Mas nu e só ao meio-dia Só quem está pronto pro amor
O poeta não morreu Foi ao inferno e voltou Conheceu os jardins do Éden E nos contou
Mas quem tem coragem de ouvir Amanheceu o pensamento Que vai mudar o mundo Com seus moinhos de vento
Composição: Dulce Quental / Frejat
A canção da banda Barão Vermelho, embora temporalmente distante da obra de Miguel de Cervantes, faz uma alusão ao personagem Dom Quixote em:
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Observe a capa do livro a seguir e leia o texto que se encontra na contracapa.

De repente o saudável hábito de cuidar do próprio corpo se tornou uma obsessão. A princípio tratava-se apenas de uma forma de recuperar a vitalidade e o bem-estar físico perdido nas engrenagens do trabalho alienado, ou, ainda, uma maneira de “levantar o astral”. Pouco a pouco, o remédio foi virando doença, fixação, e o que era cuidado virou idolatria do corpo, isto é, corpolatria. A luta contra a alienação se transformou numa outra alienação. Nosso corpo continua um “objeto semi-identificado”, e a felicidade, cada vez mais longe…
Disponível em: https://www.travessa.com.br/o-que-e-corpo-latria/. Acesso em: 11 dez. 2024.
Os marcadores discursivos em destaque são exemplos de unidades linguísticas constitutivas de sentido presentes na composição do gênero textual:
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[...] Essas moças estão fazendo da própria beleza uma espécie de moeda falsa, no mercado equívoco das vaidades tolas e das pequenas vantagens. A literatura gaiata das revistas de cinema, as legendas de adjetivos marotos sob as fotografias de atrizes parecem uma nova mentalidade: o espírito Coca-Cola aplicado a essa grave coisa que é a beleza feminina. Ainda ontem, despedindo-me de uma grande amiga que é um exemplo de formosura, eu pensava, em silêncio, nesse mistério simples e infinito que é a emoção da beleza. Entristece-me vê-lo assim barateado, envilecido em concursos tolos e disputas vãs. Valeria a pena repetir para essas moças, no plural, o conselho de Baudelaire: ”soyez belles et taisez vous”.
Fonte: BRAGA, Rubem. Beleza. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 1953. Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa. Disponível em: https:// cronicabrasileira.org.br/cronicas/10743/beleza. Acesso em: 11 dez. 2024.
“Ainda ontem, despedindo-me de uma grande amiga que é um exemplo de formosura, eu pensava, em silêncio, nesse mistério simples e infinito que é a emoção da beleza.”
Os critérios sintáticos que explicam as funções das vírgulas no trecho em análise são:
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A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante
de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam
abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que
se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por
sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia
confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto
de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E
era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia
cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então
enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no
salão fechado a sete chaves.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis (1902-1987). Posfácio Noemi Jaffe. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 18.
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A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante
de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam
abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que
se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por
sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia
confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto
de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E
era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia
cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então
enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no
salão fechado a sete chaves.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis (1902-1987). Posfácio Noemi Jaffe. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 18.
A vírgula deve ser utilizada antes da conjunção “e” com valor adversativo, de acordo com algumas gramáticas normativas.
O excerto que apresenta o emprego dessa norma é:
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A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante
de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam
abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que
se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por
sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia
confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto
de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E
era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia
cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então
enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no
salão fechado a sete chaves.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis (1902-1987). Posfácio Noemi Jaffe. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 18.
Os trechos em destaque são exemplos do recurso figurativo da linguagem que
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A beleza total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante
de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam
abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que
se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por
sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia
confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto
de Gertrudes sobre o peito.
Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E
era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia
cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então
enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no
salão fechado a sete chaves.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis (1902-1987). Posfácio Noemi Jaffe. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 18.
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