Foram encontradas 100 questões.
Mais da metade dos estudos de psicologia não pode ser
reproduzido
O maior esforço até o momento para reproduzir
pesquisas da área da psicologia revelou que mais da
metade delas falha ao ser replicada - e mesmo aquelas que
tiveram sucesso apresentaram resultados menos
"intensos". A conclusão é de uma ampla análise publicada
na revista Science e revela a preocupação dos cientistas
por artigos mais rigorosos e confiáveis, que realmente
façam avançar a ciência - e não apenas confiram status e
tragam financiamento para seus autores. A
reprodutibilidade é um dos parâmetros mais importantes
para conferir veracidade a um estudo. Nos últimos anos, os
pesquisadores têm se debatido com um número crescente
de artigos retratados, com erros, falhas ou, simplesmente,
fraudentos.
Para verificar se os artigos poderiam ser
reproduzidos, 270 cientistas de todo o mundo, liderados
pelo psicólogo Brian Nosek, professor da Universidade da
Virgínia, nos Estados Unidos, passaram três anos repetindo
100 estudos publicados nos mais importantes periódicos de
psicologia durante 2008. Entraram em contato com os
autores e pediram apoio para adaptar os testes, se fosse o
caso. Ao final, conseguiram reproduzir apenas 36% dos
resultados. Destes, a maior parte (83%) tinha efeitos com
metade da "intensidade" dos originais.
Os pesquisadores incluíram pesquisas famosas,
como a que afirmou que mulheres comprometidas se
sentem mais atraídas por homens solteiros no período
fértil. De acordo com os cientistas responsáveis pela
análise, a baixa taxa de reprodutibilidade não quer dizer
que as pesquisas originais eram fraudes, mas que carecem
de parâmetros que indiquem o grau de replicabilidade dos
achados. Afinal, em ciências como a psicologia ou a
medicina o número de variáveis envolvidas e que precisam
ser controladas para que um estudo tenha sucesso é muito
grande. Ao contrário de experiências com modelos animais,
como ratos ou porcos, que podem ter o genoma
manipulado pelos pesquisadores e vivem em laboratório,
os homens têm histórias de vida e atitudes muito diversas
que podem influenciar os resultados, como se fossem
"ruídos" nos estudos.
"É importante destacar que estes resultados tão
decepcionantes não questionam diretamente a validade
das teorias iniciais", avaliou Gilbert Chin, psicólogo e
redator-chefe da Science. "O que(1) concluímos é que
deveríamos confiar menos em muitos dos resultados destas
experiências."
Credibilidade
O estudo faz parte do Projeto Reprodutibilidade,
uma colaboração internacional formada para identificar
padrões de reprodutibilidade e práticas que poderiam melhorar os artigos científicos. É a segunda vez, neste ano,
que a Science dedica ao tema. Em uma das edições de
junho, Nosek e outros autores chamaram a atenção para o
número crescente de fraudes e retratações na ciência,
causadas, entre outros motivos, pela valorização do
número de publicações científicas que pode incentivar a
queda de qualidade e favorecer a desonestidade. De
acordo com dois comentários, a avaliação quantitativa tem
feito a ciência evoluir de forma "dramática e inquietante" e
ajudado a promover fraudes, a falta de transparência e uma
série de equívocos. Os cientistas sugeriram novos e mais
rigorosos parâmetros para a avaliação de estudos, que(2)
promovam a qualidade dos estudos.
Mais que apontar fragilidades, os cientistas
esperam que análises como que revela a pouca
reprodutibilidade das pesquisas em psicologia possam
ajudar os pesquisadores a fazer uma ciência mais exata e
confiável, estabelecendo padrões para sua reprodução e
verificação.
(veja.abril.com.br. Acesso em 28/08/2015)
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Questão presente nas seguintes provas
Mineirinho
É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. [...]
Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. [...]
Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. [...] Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas consequências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. [...]
A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. [...] o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranquila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. [...] Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. [...]
Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.
Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. [...]
Clarice Lispector (Disponível em ip.usp.br. Adaptado.)
Ao escrever a crônica "Mineirinho", publicada pela primeira
vez em junho de 1962 na revista Senhor, Clarice Lispector
tinha uma intenção, bastante clara e muito perceptível na
leitura, de expor sua contundente opinião sobre o
assassinato dum famoso criminoso da época conhecido
como Mineirinho. A respeito desses objetivos, como estes
podem ser depreendidos da leitura da crônica, analise as
alternativas a seguir e assinale a que estiver totalmente
correta.É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. [...]
Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. [...]
Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. [...] Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas consequências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. [...]
A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. [...] o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranquila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. [...] Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. [...]
Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.
Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. [...]
Clarice Lispector (Disponível em ip.usp.br. Adaptado.)
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Mais da metade dos estudos de psicologia não pode ser
reproduzido
O maior esforço até o momento para reproduzir
pesquisas da área da psicologia revelou que mais da
metade delas falha ao ser replicada - e mesmo aquelas que
tiveram sucesso apresentaram resultados menos
"intensos". A conclusão é de uma ampla análise publicada
na revista Science e revela a preocupação dos cientistas
por artigos mais rigorosos e confiáveis, que realmente
façam avançar a ciência - e não apenas confiram status e
tragam financiamento para seus autores. A
reprodutibilidade é um dos parâmetros mais importantes
para conferir veracidade a um estudo. Nos últimos anos, os
pesquisadores têm se debatido com um número crescente
de artigos retratados, com erros, falhas ou, simplesmente,
fraudentos.
Para verificar se os artigos poderiam ser
reproduzidos, 270 cientistas de todo o mundo, liderados
pelo psicólogo Brian Nosek, professor da Universidade da
Virgínia, nos Estados Unidos, passaram três anos repetindo
100 estudos publicados nos mais importantes periódicos de
psicologia durante 2008. Entraram em contato com os
autores e pediram apoio para adaptar os testes, se fosse o
caso. Ao final, conseguiram reproduzir apenas 36% dos
resultados. Destes, a maior parte (83%) tinha efeitos com
metade da "intensidade" dos originais.
Os pesquisadores incluíram pesquisas famosas,
como a que afirmou que mulheres comprometidas se
sentem mais atraídas por homens solteiros no período
fértil. De acordo com os cientistas responsáveis pela
análise, a baixa taxa de reprodutibilidade não quer dizer
que as pesquisas originais eram fraudes, mas que carecem
de parâmetros que indiquem o grau de replicabilidade dos
achados. Afinal, em ciências como a psicologia ou a
medicina o número de variáveis envolvidas e que precisam
ser controladas para que um estudo tenha sucesso é muito
grande. Ao contrário de experiências com modelos animais,
como ratos ou porcos, que podem ter o genoma
manipulado pelos pesquisadores e vivem em laboratório,
os homens têm histórias de vida e atitudes muito diversas
que podem influenciar os resultados, como se fossem
"ruídos" nos estudos.
"É importante destacar que estes resultados tão
decepcionantes não questionam diretamente a validade
das teorias iniciais", avaliou Gilbert Chin, psicólogo e
redator-chefe da Science. "O que(1) concluímos é que
deveríamos confiar menos em muitos dos resultados destas
experiências."
Credibilidade
O estudo faz parte do Projeto Reprodutibilidade,
uma colaboração internacional formada para identificar
padrões de reprodutibilidade e práticas que poderiam melhorar os artigos científicos. É a segunda vez, neste ano,
que a Science dedica ao tema. Em uma das edições de
junho, Nosek e outros autores chamaram a atenção para o
número crescente de fraudes e retratações na ciência,
causadas, entre outros motivos, pela valorização do
número de publicações científicas que pode incentivar a
queda de qualidade e favorecer a desonestidade. De
acordo com dois comentários, a avaliação quantitativa tem
feito a ciência evoluir de forma "dramática e inquietante" e
ajudado a promover fraudes, a falta de transparência e uma
série de equívocos. Os cientistas sugeriram novos e mais
rigorosos parâmetros para a avaliação de estudos, que(2)
promovam a qualidade dos estudos.
Mais que apontar fragilidades, os cientistas
esperam que análises como que revela a pouca
reprodutibilidade das pesquisas em psicologia possam
ajudar os pesquisadores a fazer uma ciência mais exata e
confiável, estabelecendo padrões para sua reprodução e
verificação.
(veja.abril.com.br. Acesso em 28/08/2015)
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Com açúcar, com afeto
Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você
Chico Buarque
Todo texto é, antes de mais nada, um ato comunicativo,
mas devemos considerar ainda que, no interior de cada
texto, insere-se um outro ato comunicativo e, nesse
sentido, a letra de Chico Buarque marca esse processo de
modo particular. Com relação aos elementos constituintes
da comunicação, assinale a alternativa que os individualize,
corretamente, em "Com açúcar, com afeto".Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa, qual o quê
Com seu terno mais bonito, você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário, sai em busca do salário
Pra poder me sustentar, qual o quê
No caminho da oficina, há um bar em cada esquina
Pra você comemorar, sei lá o quê
Sei que alguém vai sentar junto, você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias de quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo, sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão, qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você
Chico Buarque
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- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Pessoa
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo

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Mineirinho
É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. [...]
Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. [...]
Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. [...] Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas consequências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. [...]
A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. [...] o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranquila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. [...] Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. [...]
Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.
Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. [...]
Clarice Lispector (Disponível em ip.usp.br. Adaptado.)
Releia o primeiro parágrafo do texto e analise
especialmente a frase que ali está em destaque, para então
assinalar a seguir a alternativa que contenha comentários
morfossintáticos corretos em relação à frase.É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. [...]
Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.
Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. [...]
Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. [...] Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas consequências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. [...]
A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. [...] o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranquila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. [...] Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. [...]
Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.
Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. [...]
Clarice Lispector (Disponível em ip.usp.br. Adaptado.)
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Para o Estado desempenhar suas atividades, utiliza-se dos
agentes públicos que irão externar seus atos de governo e
executá-los, concretizando o bem comum a que se destina.
Segundo Henrique Savonitti Miranda: “A expressão ‘agente
público’ é utilizada para designar todo aquele que se
encontre no cumprimento de uma função estatal, quer por
representá-lo politicamente, por manter vínculo de
natureza profissional com a Administração, por ter sido
designado para desempenhar alguma atribuição ou, ainda,
por se tratar de delegatório de serviço público”.
“Todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas
entidades autárquicas e fundacionais por relações
profissionais, sujeitos à hierarquia funcional e ao regime
jurídico determinado pela entidade estatal a que servem.
São investidos a título de emprego e com retribuição
pecuniária, em regra por nomeação, e excepcionalmente
por contrato de trabalho ou credenciamento. [...] Não são
membros de Poder de Estado, nem o representam, nem
exercem atribuições políticas ou governamentais; são
unicamente servidores públicos, com maior ou menor
hierarquia, encargos e responsabilidades profissionais
dentro do órgão ou da entidade a que servem [...]”.
Tais características referem-se, segundo Hely Lopes
Meirelles, aos agentes públicos:
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Segundo Henrique Savonitti Miranda, “A expressão 'agente
público' é utilizada para designar todo aquele que se
encontre no cumprimento de uma função estatal, quer por
representá-lo politicamente, por manter vínculo de
natureza profissional com a Administração, por ter sido
designado para desempenhar alguma atribuição ou, ainda,
por se tratar de delegatório de serviço público". Os agentes
públicos, segundo nosso doutrinador Hely Lopes Meirelles,
classificam-se em: agentes políticos, agentes
administrativos, agentes honoríficos e agentes
credenciados. Quanto aos agentes administrativos, leia as
afirmativas.
I. São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais, sujeitos à hierarquia funcional e ao regime jurídico determinado pela entidade estatal a que servem. São investidos a título de emprego e com retribuição pecuniária, em regra por nomeação, e excepcionalmente por contrato de trabalho ou credenciamento.
II. Não são membros de Poder de Estado, nem o representam, nem exercem atribuições políticas ou governamentais; são unicamente servidores públicos, com maior ou menor hierarquia, encargos e responsabilidades profissionais dentro do órgão ou da entidade a que servem.
III. São os componentes do Governo nos seus primeiros escalões, investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação para o exercício de atribuições constitucionais.
IV. Atuam com plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições com prerrogativas e responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais.
Está correto o que se afirma somente em:
I. São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais, sujeitos à hierarquia funcional e ao regime jurídico determinado pela entidade estatal a que servem. São investidos a título de emprego e com retribuição pecuniária, em regra por nomeação, e excepcionalmente por contrato de trabalho ou credenciamento.
II. Não são membros de Poder de Estado, nem o representam, nem exercem atribuições políticas ou governamentais; são unicamente servidores públicos, com maior ou menor hierarquia, encargos e responsabilidades profissionais dentro do órgão ou da entidade a que servem.
III. São os componentes do Governo nos seus primeiros escalões, investidos em cargos, funções, mandatos ou comissões, por nomeação, eleição, designação ou delegação para o exercício de atribuições constitucionais.
IV. Atuam com plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições com prerrogativas e responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais.
Está correto o que se afirma somente em:
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O Decreto nº 5.450/05 regulamenta o pregão, na forma
eletrônica, para aquisição de bens e serviços comuns, e dá
outras providências. Caberá ao licitante interessado em
participar do pregão, na forma eletrônica, exceto:
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