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Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista
do passado, toda evolução é corrupção
Aldo Bizzocchi
Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.
(...)
É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.
Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física quanto mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, e falando com todos sempre do mesmo modo.
Texto adaptado.Fonte: Língua Portuguesa, ano 3, n.º 25,
novembro de 2007
Após a leitura do texto de Aldo Bizzocchi podemos inferir que o autor trata a questão do erro de português a partir de um enfoque
 

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Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista
do passado, toda evolução é corrupção
Aldo Bizzocchi
Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.
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É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
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A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.
Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física quanto mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, e falando com todos sempre do mesmo modo.
Texto adaptado.Fonte: Língua Portuguesa, ano 3, n.º 25,
novembro de 2007
A intenção comunicativa predominante no texto é
 

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1144387 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
Leia as sentenças e julgue se as mesmas são verdadeiras (V) ou falsas (F). Em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência de V e F correta.
Na década de 1990, com as novas tendências surgidas no cenário da educação, que se inserem em uma reflexão mais ampla sobre o papel do Estado na gestão das políticas públicas, constata-se, nas inúmeras pesquisas educacionais, que a condução política educacional brasileira, no âmbito governamental, elegeu como prioridades:
I A busca da autonomia da escola em seus aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros.
II O fortalecimento da gestão democrática, principalmente, por meio da participação da comunidade, através do Projeto Político e Pedagógico e da instituição dos colegiados.
III O desenvolvimento e a profissionalização dos profissionais da educação em pleno exercício, utilizando também, para isso, a modalidade de educação a distância.
IV A avaliação do desempenho da escola como forma de buscar a melhoria da qualidade de ensino.
V A articulação do Estado com os municípios com vistas a garantia do direito à educação.
 

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1143990 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
O movimento interdisciplinar precisa se ancorar em diretrizes que o fortaleça como uma possibilidade e estratégia de pensar a educação. Sobre a interdisciplinaridade, é correto afirmar:
 

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1140569 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
“Não há ventos favoráveis para quem não sabe para onde navega” (Sêneca). O fragmento de texto, de autoria do filósofo Sêneca, ressalta a importância do propósito em uma ação. Partindo desta análise, assinale a alternativa que traz uma afirmação que destaca a relevância da organização do trabalho pedagógico na perspectiva de uma ação planejada, democrática e participativa.
 

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Leia o excerto a seguir, extraído da obra Iracema (José de Alencar), para responder a questão abaixo.
“Depois, Iracema quebrou a flecha homicida, deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada”.
José de Alencar
Ainda com base no texto de José de Alencar, anteriormente apresentado, assinale a opção que apresenta uma outra construção possível para a última oração do excerto, sem que o sentido do texto seja alterado.
 

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1137879 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
A educação é um fenômeno social. Isso significa que ela é parte
 

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1135564 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
A avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente no trabalho pedagógico, que deve acompanhar, passo a passo, o processo de ensino e aprendizagem. Segundo a literatura, nos diversos momentos do processo de ensino, são tarefas essenciais da avaliação:
 

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1125122 Ano: 2018
Disciplina: Pedagogia
Banca: FUNCERN
Orgão: Cons. Trairi-CE
A didática é uma disciplina basilar na formação do profissional em educação. Ela estuda o processo de ensino tomado em seu conjunto de elementos estruturantes. Sobre o acompanhamento do trabalho pedagógico junto ao docente e ao discente é correto afirmar:
 

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No início de 2018, uma mãe foi perguntar à diretora da Escola “Caminho do Saber” qual a idade certa para matricular seus filhos na educação básica.
A diretora respondeu que no artigo 6º, da LDB nº 9.394/96, com redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013, está escrito que é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir de:
 

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