Foram encontradas 40 questões.
Assinale o trecho que apresenta INCONSISTÊNCIA quanto à
concordância:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
“Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico,
que se abre quando o número de pessoas em idade ativa supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado.” (5º§) A expressão em destaque pode ser substituída, sem alteração de sentido pelas
seguintes conjunções ou expressões, EXCETO:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Em “Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos mais desenvolvidos.” (6º§), o emprego do pronome “esse” se explica por
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Assinale a alternativa em que a palavra destacada é semanticamente equivalente à indicada nos parênteses.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O travessão é um sinal de pontuação representado por um
traço na horizontal maior do que o hífen. Assinale a justificativa correta do referido sinal de pontuação em “Os números causaram espanto aos especialistas — projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual contagem.”
(2º§)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em
ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em
oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país
de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem
do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal
qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere
à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é
como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento
no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois
anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última
aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo
de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década,
um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa
censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje,
nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão
arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas —
projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual
contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do
que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar
ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e
investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio
Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado
não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a
sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios
calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil
anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar
ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de
mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de
trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico
— outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o
número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita.
“Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade
e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que
eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado
como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão,
por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de
acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo
antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez
anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos
estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos
gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente
abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos
mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido
de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes.
Ao todo, 864 cidades devem perder população — um tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é
proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas
cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que
mantém a população em determinado lugar é a possibilidade
de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”,
afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive
uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do
aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar
cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais
abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6
filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do
que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para
evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que
nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam
com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer
vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que
não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o
universo da demografia era a superpopulação da Terra, que
teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus
(1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a
produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a
fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir
mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um
bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em
ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em
oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país
de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem
do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal
qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere
à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é
como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento
no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois
anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última
aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo
de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década,
um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa
censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje,
nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão
arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas —
projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual
contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do
que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar
ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e
investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio
Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado
não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a
sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios
calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil
anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar
ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de
mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de
trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico
— outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o
número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita.
“Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade
e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que
eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado
como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão,
por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de
acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo
antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez
anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos
estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos
gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente
abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos
mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido
de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes.
Ao todo, 864 cidades devem perder população — um tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é
proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas
cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que
mantém a população em determinado lugar é a possibilidade
de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”,
afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive
uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do
aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar
cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais
abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6
filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do
que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para
evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que
nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam
com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer
vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que
não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o
universo da demografia era a superpopulação da Terra, que
teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus
(1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a
produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a
fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir
mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um
bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em
ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em
oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país
de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem
do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal
qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere
à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é
como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento
no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois
anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última
aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo
de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década,
um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa
censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje,
nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão
arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas —
projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual
contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do
que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar
ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e
investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio
Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado
não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a
sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios
calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil
anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar
ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de
mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de
trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico
— outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o
número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita.
“Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade
e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que
eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado
como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão,
por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de
acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo
antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez
anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos
estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos
gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente
abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos
mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido
de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes.
Ao todo, 864 cidades devem perder população — um tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é
proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas
cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que
mantém a população em determinado lugar é a possibilidade
de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”,
afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive
uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do
aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar
cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais
abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6
filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do
que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para
evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que
nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam
com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer
vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que
não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o
universo da demografia era a superpopulação da Terra, que
teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus
(1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a
produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a
fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir
mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um
bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em
ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em
oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país
de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem
do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal
qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere
à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é
como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento
no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois
anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última
aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo
de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década,
um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa
censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje,
nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão
arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas —
projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual
contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do
que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar
ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e
investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio
Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado
não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a
sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios
calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil
anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar
ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de
mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de
trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico
— outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o
número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita.
“Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade
e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que
eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado
como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão,
por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de
acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo
antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez
anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos
estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos
gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente
abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos
mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido
de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes.
Ao todo, 864 cidades devem perder população — um tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é
proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas
cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que
mantém a população em determinado lugar é a possibilidade
de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”,
afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive
uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do
aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar
cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais
abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6
filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do
que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para
evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que
nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam
com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer
vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que
não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o
universo da demografia era a superpopulação da Terra, que
teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus
(1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a
produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a
fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir
mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um
bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Os desafios impostos pelo crescimento populacional em
ritmo mais lento
A situação revelada pelo novo Censo pode se converter em
oportunidade.
Durante o século XX, o Brasil se consolidou como um país
de famílias numerosas e gente jovem em profusão, com maternidades sempre cheias e abundância de braços para abastecer o mercado de trabalho, que floresceu de mãos dadas
com um acelerado processo de urbanização. Mas a passagem
do tempo vem chacoalhando os pilares demográficos e trazendo ao país um cenário de profundas transformações, tal
qual ocorre nas nações mais desenvolvidas. A constante diminuição dos nascimentos, aliada ao avanço dos idosos, confere
à sociedade uma nova face e planta complexos desafios no horizonte. O primeiro deles, impensável meio século atrás, é
como perseguir a prosperidade quando a população cresce
cada vez mais vagarosamente e caminha para o encolhimento
no médio prazo, segundo mostra o recém-divulgado Censo,
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O tão aguardado levantamento, que veio à luz com dois
anos de atraso, indica que o país atingiu a marca de 203,1 milhões de habitantes, apenas 12 milhões a mais do que na última
aferição, em 2010. O que mais chama a atenção é o lento ritmo
de expansão do contingente — 0,52% ao ano em uma década,
um recorde negativo. Desde 1872, data da pioneira pesquisa
censitária no Brasil, ainda na era imperial, até os dias de hoje,
nunca a velocidade de aumento populacional havia sido tão
arrastada. Os números causaram espanto aos especialistas —
projeções estimavam mais 10 milhões de pessoas além da atual
contagem. “O país está envelhecendo mais rapidamente do
que se sabia e, para embalar sua economia, precisará registrar
ganhos de produtividade, destravando freios ao crescimento e
investindo em educação”, diz o demógrafo José Eustáquio
Alves.
Que uma transição demográfica está em curso acelerado
não há dúvida. Mas os estudiosos lançam sobre as estatísticas
saídas do forno do IBGE um ponto de interrogação quanto a
sua precisão. Essa foi, de fato, uma rodada cercada de fatos
atípicos, pelo menos 1 milhão se recusaram a receber os funcionários do instituto. Mesmo que esse conjunto de fatores tenha influenciado o resultado final (alguns demógrafos sérios
calculam a população em 207 milhões, 2% a mais que o divulgado), há unanimidade sobre a direção para a qual o Brasil
anda: é uma nação que, inevitavelmente, logo percorrerá a trilha da redução populacional.
Historicamente, a população só fazia engordar até chegar
ao ápice, nos anos de 1950. A partir daí, foi gradativamente
perdendo impulso. O movimento é, em parte, um retrato de
mudanças relevantes na sociedade, como o adiamento dos casamentos e o maciço ingresso das mulheres no mercado de
trabalho, o que se refletiu na queda do número de filhos.
Questões conjunturais também contribuíram para as transformações, entre elas o quadro de baixo crescimento econômico
— outro desestímulo à maternidade e um empurrão à emigração. Na última década, pulou de 1,9 milhão para 4,2 milhões o
número de brasileiros vivendo fora, mais uma marca inédita.
“Também o zika vírus e a pandemia derrubaram a natalidade
e fizeram a mortalidade subir”, observa José Eustáquio.
Com tudo isso, a bem-vinda janela do bônus demográfico, que se abre quando o número de pessoas em idade ativa
supera o de crianças e idosos, deve se fechar por volta de 2035,
uma década antes do esperado. Nenhum país conta para sempre com superavit de jovens, mas o problema no Brasil é que
eles minguaram sem que a economia tenha se beneficiado
como poderia. Nação mais envelhecida do planeta, o Japão,
por exemplo, escalou a um patamar de renda alto antes de
acumular cabeças brancas. “Aqui, estamos envelhecendo
antes de ficarmos ricos, mas ainda temos pela frente uns dez
anos de bônus demográfico, e eles precisam ser bem aproveitados”, afirma o economista Maílson da Nóbrega.
A equação para isso envolve a superação de velhos gargalos, como desemperrar a burocracia, desenrolar o sistema
tributário, investir para valer em infraestrutura e dar graúdos
estímulos à inovação. Em paralelo, é mandatório canalizar esforços para prover boa educação, trilha conhecida para alcançar os tais ganhos de produtividade, fazendo mais com menos
gente — esse um mantra dos tempos atuais já vastamente
abraçado pelos envelhecidos países da OCDE, o grupo dos
mais desenvolvidos.
O panorama agora traçado pelo Censo enfatiza o sentido
de urgência de tais medidas. Pela primeira vez, oito entre os
vinte municípios mais populosos retrocederam em habitantes.
Ao todo, 864 cidades devem perder população — um tremendo vespeiro, uma vez que a distribuição de verbas federais é
proporcional ao número de residentes.
Além do envelhecimento de suas pirâmides etárias, essas
cidades vêm registrando pouco dinamismo na economia, com
fuga de empresas para regiões mais efervescentes. “O que
mantém a população em determinado lugar é a possibilidade
de se inserir na cadeia produtiva. Do contrário, há migração”,
afirma o demógrafo Roberto Carmo, da Unicamp. O levantamento do IBGE também sinaliza para transformações que repercutem no campo da sociologia: há 34% mais lares onde vive
uma única pessoa, reflexo do adiamento nos casamentos e do
aumento da longevidade “Preferi me dedicar à carreira a casar
cedo”, relata a cabeleireira Paloma Malta, de São Paulo.
O quadro pintado pelo IBGE não destoa da parcela mais
abastada do planeta. Entre os mais ricos, como os Estados Unidos e países da União Europeia, a fecundidade média é de 1,6
filho por mulher (versus 1,7 no Brasil) — menor, portanto, do
que a taxa de reposição, de 2,1 filhos por casal, necessária para
evitar o declínio populacional. O escasseamento de nascimentos em contraste ao volume de idosos já trazem consequências, entre elas o estrangulamento dos sistemas previdenciários e a falta de cérebros para exercer certas funções, o que
nações como Canadá e também os Estados Unidos amenizam
com a atração de estrangeiros. Outra estratégia é fornecer
vantagens para que as pessoas sigam trabalhando. “Países que
não estão se mexendo para conter a queda populacional já enfrentam estagnação, como é o caso do Japão”, lembra a economista Melissa Kearney, da Universidade de Maryland.
Em tempos não tão remotos assim, o que assombrava o
universo da demografia era a superpopulação da Terra, que
teve no reverendo e economista britânico Thomas Malthus
(1776-1834) seu maior catastrofista. É dele a teoria de que seria impossível alimentar tantas bocas numa época em que a
produção de comida não acompanhava a multiplicação de indivíduos. Mas aí entrou em cena a capacidade inovadora, proporcionando avanços tecnológicos notáveis e ganhos de produtividade, sobretudo dos celeiros alimentares — e assim a
fome não grassou. Agora, debruçada sobre uma questão de sinal inverso, novamente a espécie precisa exercer sua extraordinária inteligência para saltar obstáculos, podendo até se beneficiar da situação. “Com menos pessoas, dá para investir
mais na saúde e na educação de cada um, e o meio ambiente
é naturalmente menos castigado”, diz José Eustáquio. É um
bom caminho, que põe a engenhosidade humana à prova.
(Ernesto Neves. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/osdesafios-impostos-pelo-crescimento-populacional-em-ritmo-maislento/. Acesso em: 03/06/2023. Fragmento. Adaptado.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container