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Foram encontradas 120 questões.

2589666 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.

No trecho “por que nos lembramos do passado, e não do futuro”, a conjunção “e” possui valor adversativo, podendo ser substituída pela conjunção mas, sem prejuízo dos sentidos do texto.

 

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2589665 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Acerca dos aspectos gramaticais e dos sentidos do texto apresentado, julgue o item.

A supressão da vírgula empregada logo após “Mas”, no primeiro período do terceiro parágrafo, prejudicaria a correção gramatical do período.

 

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2589664 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

A palavra “Algo”, em “Algo aconteceu” (início do quarto parágrafo), refere-se ao conjunto de comportamentos descritos no terceiro parágrafo, tais como o fato de os adolescentes ficarem preocupados com a possibilidade de fazer perguntas estúpidas.

 

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2589663 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

De acordo com o texto, toda pergunta é um grito para compreender o mundo, mesmo o questionamento “Por que a Lua é redonda?”, caracterizado pelo autor como uma pergunta ingênua.

 

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2589662 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

O sexto parágrafo concentra-se em mostrar que a pergunta “Por que a grama é verde?”, mencionada no parágrafo anterior, não é uma pergunta simples, uma vez que se relaciona com outras questões que ainda estão em aberto no campo da ciência.

 

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2589661 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

Para defender a ideia de que não existem perguntas estúpidas, o autor menciona, como estratégia argumentativa, diferentes situações por ele vivenciadas ou observadas.

 

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À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

Depreende-se do texto que um adulto que tente responder às perguntas profundas feitas por uma criança, ainda que não consiga fornecer uma resposta completa, pode contribuir para que ela não perca o interesse pela ciência.

 

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À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

O autor argumenta que a ciência e a matemática, apesar de não contribuírem diretamente para a realização de conquistas importantes para um adolescente, como a compra de um carro esportivo, são importantes por estimularem o desenvolvimento de senso crítico.

 

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2589658 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

Segundo o texto, a principal razão para adolescentes deixarem de fazer perguntas aparentemente estúpidas e perderem o prazer do descobrimento é a pressão exercida por seus colegas, especialmente no ambiente escolar.

 

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2589657 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRC-PR

À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos lembramos do passado, e não do futuro.

De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário. Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os “fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

O primeiro parágrafo do texto introduz questionamentos que, segundo o autor, são problemas científicos profundos ainda não resolvidos plenamente.

 

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