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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
Infere-se do texto que países pobres sofrem com a perda de medicamentos porque não dispõem de recursos financeiros suficientes para a compra de aparelhos de ar-condicionado.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
De acordo com o texto, a humanidade está cada vez mais engajada no combate à mudança climática, sobretudo porque sente seus efeitos.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
O uso de combustíveis fósseis para a geração da energia necessária ao funcionamento do ar-condicionado é indicado no texto como fator que leva ao aumento da temperatura global.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
No texto, o autor se reconhece como parte da causa do aquecimento global e, no entanto, demonstra ignorar a gravidade desse problema, conforme se depreende do trecho “Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno” .
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
Segundo o texto, as pessoas que consomem mais energia são as economicamente mais privilegiadas da sociedade.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
A palavra “peculiaridade” significa o mesmo que particularidade.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Acerca das ideias e dos sentidos do texto, julgue o item.
O texto não se limita a indicar somente malefícios do uso do ar-condicionado, pois também reconhece benefícios dessa invenção.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
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No primeiro parágrafo, o autor serve-se de um exemplo para sugerir uma relação direta entre ocupação do espaço geográfico e clima.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
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O texto informa que Nevada, Flórida e Arizona lideram a lista dos estados com clima mais quente dos Estados Unidos.
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Nos últimos cem anos, o clima para os humanos tornou-se consideravelmente mais quente, não só devido ao aquecimento global, mas também por causa dos lugares onde escolhemos viver. Nos Estados Unidos, por exemplo, os estados com os maiores ganhos populacionais no século passado — Nevada, Flórida e Arizona — também estão entre os mais quentes.
Uma das razões para essa enorme mudança na geografia humana é o milagre do ar-condicionado, que permite às pessoas controlar a temperatura de seus espaços interiores. O ar-condicionado remodelou profundamente a vida humana nos países ricos, tendo influência sobre pequenas coisas, como a diminuição do tempo em que as janelas ficam abertas nos edifícios, e, também, sobre grandes coisas, como a disponibilidade de medicamentos. Insulina, diversos antibióticos, nitroglicerina e muitos outros remédios são sensíveis ao calor, podendo perder a eficácia se não forem armazenados na chamada “temperatura ambiente”, definida entre 20 °C e 25 °C. O armazenamento de remédios em clima controlado continua sendo um dos grandes desafios para os sistemas de saúde em países pobres, onde muitas unidades de saúde não têm eletricidade.
O ar-condicionado moderno tem outra peculiaridade: resfriar o interior aquece o exterior. A maior parte da energia que alimenta os sistemas de ar-condicionado vem de combustíveis fósseis, cujo uso aquece o planeta e, assim, torna cada vez mais necessário o uso de refrigeração.
Estamos começando a experimentar as consequências das mudanças climáticas, mas, mesmo assim, temos dificuldade de montar uma resposta humana global a esse problema causado pelos humanos. Acho que também é difícil enfrentarmos as mudanças climáticas porque os mais privilegiados de nós, as pessoas que consomem mais energia, podem se isolar do clima. Estou protegido do tempo na minha casa e no meu ar-condicionado. É fácil para mim sentir que o clima é um fenômeno majoritariamente externo, enquanto eu sou um fenômeno majoritariamente interno.
Mas tudo isso é um equívoco. Dependo totalmente do que considero o mundo exterior. Sou subordinado a ele. Em última análise, não há como os humanos escaparem às obrigações e limitações da natureza. Nós somos a natureza.
John Green. Ar-condicionado. In: Antropoceno:
notas sobre a vida na Terra. Trad. Alexandre Raposo e Ulisses Teixeira. Editora Intrínseca, 2021 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.
A vírgula empregada na linha 21 tem a finalidade de levar à interpretação de que a temperatura ambiente necessariamente está entre 20 °C e 25 °C.
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