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Irmãos em livros
Outro dia, num táxi, o motorista me disse que “gostava de ler” e “comprava muitos livros”. Dei-lhe parabéns e perguntei qual era sua livraria favorita. Respondeu que “gostava de todas”, mas, de há alguns anos, só comprava livros pela internet. Ah, sim? Comentei que também gostava de todos os táxis, mas, a partir dali, passaria a andar só de transporte por aplicativo. Ele diminuiu a marcha, como se processasse a informação. Virou-se para mim e disse: “Entendi. O senhor tem razão.”.
CASTRO, R. Folha de S. Paulo, 7 dez. 2018.
Nessa crônica, a ironia é utilizada com o objetivo de
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Foi instaurada a Comissão Temporária de Inteligência Artificial (CTIA) no Senado Federal. O objetivo: discutir diferentes projetos de lei sobre o uso da tecnologia.
A Inteligência Artificial (IA) vem se mostrando uma ferramenta para otimização de demandas no setor público e, ao mesmo tempo, uma preocupação para o processo democrático. Por um lado, ela já é usada em tribunais para a aceleração de procedimentos burocráticos e decisões sobre aposentadoria. Por outro lado, a tecnologia também vem sendo utilizada para a desinformação, como na criação de imagens de fatos que não aconteceram na realidade.
A comissão, que já discutiu os impactos da IA na agricultura, no meio acadêmico e na indústria, debateu os efeitos da tecnologia no jornalismo e no processo eleitoral.
Uma advogada e professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) falou sobre os desafios da implementação segura da tecnologia: “Não existe nenhum mecanismo hoje, nenhum software, que vá identificar se um conteúdo é produzido por Inteligência Artificial”.
Disponível em: www.cartacapital.com.br.
Acesso em: 2 fev. 2024 (adaptado).
Ao abordar a questão da segurança na implementação da IA em diferentes esferas da sociedade, esse texto evidencia a
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Num mundo ideal, o cronista funcionaria como o paciente de Lacan. Ficaria por aí, tocando sua vida, indo ao banco, almoçando no quilo, olhando vitrines atrás de um presente de Dia das Mães, até que surgisse uma ideia. Imediatamente, ele encontraria uma praça, se acomodaria num banco — se possível fosse, até alugaria um quartinho de hotel —, tiraria o laptop da mochila e escreveria seu texto, com todos os ingredientes colhidos na hora.
Um romancista não precisa levar o laptop na mochila. Suas ideias podem amadurecer antes de ir pro papel. Ele está contando uma longa história, é bom que tenha algumas pistas de para onde está indo. Já o cronista, quanto mais cego ao iniciar seu passeio, maiores as chances de conhecer lugares novos no caminho.
PRATA, A. Trinta e poucos. São Paulo: Cia. das Letras, 2016.
Nesse texto, a reflexão acerca dos processos de elaboração que resultam em crônica ou em romance baseia-se na
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Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena
Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena
Sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena
GULLAR, F. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1975.
Em diálogo com importante fato da história política brasileira, o poema de Ferreira Gullar instaura tensivamente um olhar
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XIX
Talvez não se lembre de um Jacinto, cujo nome, então desconhecido para mim, ouvira uma vez da boca de Lúcia.
Era um homem de 45 anos; feição comum e espírito medíocre. Encontrava-o agora todos os dias em casa de Lúcia; e desde a primeira vez antipatizara com a sua enjoativa figura.
— Quem é este senhor? — perguntei a Lúcia.
Ela perturbou-se.
— É um sujeito que costuma tratar dos meus negócios.
— Que importantes negócios são os teus que eu não me possa incumbir deles?
— Compras... Não tenho outros. Para que incomodá-lo com isso?
— Também sou ciumento: não desejo que ocupes outra pessoa além de mim.
— Esse homem é quase um criado.
A palavra produziu o seu efeito; desde que o Jacinto desceu ao mister de homem assalariado, não fiz mais reparo na sua assiduidade. Quase sempre o encontrava na escada interior, descendo quando eu subia; dava-lhe tanta atenção como ao carroceiro que enchia as talhas d’água, ou ao cozinheiro que saía a compras.
ALENCAR, J. Lucíola. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 25 ago. 2017.
Ao relatar seu passado com Lúcia, cortesã de modos refinados, o narrador revela uma visão de mundo alinhada ao Romantismo, representada, nesse fragmento, pela
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