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780442 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Os anabolizantes e o cérebro
Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade, aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum. Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes, diariamente.
A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados), abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto, tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)
Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam anabolizantes apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
A respeito do trecho acima, assinale a afirmativa correta.
 

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780421 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
A palavra produndissimamente é advérbio derivado da forma adjetiva profundíssima. Tal forma se encontra flexionada no grau superlativo
 

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780419 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Os primeiros passos
Aconteceu como vou contar. Parece fato pequeno, não é.
Meio-dia, eu de pé na esquina da praça esperando a mudança de sinal. A mesma praça de Ipanema de que falei na semana passada. Hoje também dia de feira (não é um dado pessoal, faz parte). Vinha do lado oposto um grupo de jovens, seis, talvez, uma moça com eles. Teriam cerca de 15 ou 16 anos. Jeito de quem vem da praia ou para a praia vai, bermudão lá embaixo, peito nu, descalços. Atravessaram antes mesmo que o sinal abrisse. Um deles, na retaguarda.
Ponhamos agora na cena uma bicicleta velha, presa com corrente no poste. E no quidom da bicicleta, um pano escuro torcido e amarrado.
Eu ainda estou em pé ali ao lado. O garoto passa, vê o pano, talvez pense ser uma camiseta. Diminui a passada o quanto basta para conferir, apalpa o pano, sacode. Não é camiseta. O jovem desiste, dá dois passos à frente.
Não é camiseta, mas está disponível. O garotão volta. Examina o produto. E começa a desamarrá-lo.
– Isso tem dono! – digo alto para ele. – Não é seu!
O jovem gatuno mal me olha.
– Para com isso! – insisto.
As pessoas passam indiferentes. Dia de feira, a esquina tem muito movimento.
O gatuno conseguiu desfazer o nó, que estava apertado.
– Isso é roubo! – exclamo. E repito: – É roubo!
O ladrãozinho me olha mal encarado, mas está mais interessado no exame daquilo que conseguiu. É uma canga.
Ele me dirige algum insulto que intuo mas não ouço, os colegas o estão chamando, ele sai correndo agitando o seu troféu.
A cena, que aqui parece lenta, durou poucos minutos.
Reparo que havia uma jovem mulher ao meu lado, também esperando para atravessar a rua.
– Também, o cara deu mole! – comenta agora em tom superior. – Larga a canga assim, solta na bicicleta...
Esse tom, vindo de quem tudo viu e nada disse, me toca os nervos.
– Quer dizer que as pessoas têm que se comportar como se todo cidadão fosse ladrão?! – respondo – Sinto muito, não concordo.
– A senhora ainda foi se meter... tava se arriscando.
– Prefiro me arriscar, que assistir calada. De tanta gente que passou, ninguém fez nada.
O sinal abriu, avançamos ainda próximas rumo ao outro lado. Ela aponta para a cabine da polícia.
– E bem na cara da polícia – diz, já se afastando.
Um fato de nada, que não é de nada e que me trava a garganta.
Homens não usam canga. O ladrãozinho roubou, portanto, um objeto que não pode usar. Certamente não espera vender uma canga velha, escura e usada. Roubou, pois, uma coisa que não lhe dará dinheiro. Então, roubou por quê? Porque roubar tornou-se um hábito nacional. Porque a canga "estava dando mole", como disse a mulher. Porque era alguma coisa – não importa o quê – desassistida, sem proteção de vigilante ou de arame farpado, sem cerca eletrificada, sem cão de guarda feroz, sem alarme. Alguma coisa que se podia tomar de alguém, sem risco. O jovem ladrão testou antes. Tocou a canga na passagem, pronto a correr se fosse necessário. Ainda deu dois passos, nenhuma voz de dono fez-se ouvir, ele voltou. Só o dono reagiria, e por impulso irrefreável. Os outros estão sendo diariamente doutrinados para não ver e não ouvir, para não correr riscos, porque o risco é inútil.
Em dia de semana, aquele rapaz não estava
trabalhando, não estava estudando. Estava dando os
primeiros passos na sua futura profissão.
(Marina Colasanti)
Parece fato pequeno, não é.
A segunda oração do período acima se classifica como
 

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Leia a reportagem a seguir:
Espera por viagens de trem completa 20 anos com linha e estações destruídas
(...) A atual administração do Distrito Federal fala na retomada do transporte de passageiro sobre trilhos. A ideia é atender principalmente aos moradores de cidades vizinhas da capital, ligando a Rodoferroviária a Valparaíso (GO), onde sequer há terminal.
A promessa era colocar o trem para rodar em caráter experimental em março, com apoio financeiro do governo federal. Mês passado, alegando não ter a verba da União, o governo do DF mudou a data para o “começo de 2020”. No entanto, não há locomotiva, vagão nem prédio para receber passageiros. Tampouco, funcionários para operar as locomotivas. Os trilhos precisam ser restaurados.
O projeto do governo de Ibaneis Rocha (MDB) é mais comedido que o apresentado, em junho de 2013, pelo governo federal e os então governadores do DF, Joaquim Roriz (MDB), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Eles anunciaram a retomada do transporte de passageiros entre Brasília e Luziânia (GO). Colocariam as composições para rodar sobre o trecho entre as estações Bernardo Sayão, no Núcleo Bandeirante, e Jardim Ingá, bairro populoso de Luziânia. Tudo ficou em promessas, ampliadas por Roriz e Perillo, anos depois, para um trem de alta velocidade entre Brasília e Goiânia.
Antes de elaborar o projeto, comitivas de Goiás e do GDF visitaram cidades da Itália, França e Alemanha para conhecer sistemas ferroviários e negociar com possíveis fornecedores. Mas o Ministério dos Transportes apontou a inviabilidade do plano. (...)
Inaugurada em 1968 para ligar a nova capital a Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a linha férrea que parte da Rodoferroviária cruza áreas urbanas de grande densidade, nas periferias de Valparaíso e Luziânia. De lá, segue até Pires do Rio, no centro de Goiás. Mas são os 120 primeiros quilômetros que interessam ao brasiliense e aos moradores das cidades vizinhas. Pelos cálculos de especialistas, cerca de 600 mil pessoas poderiam ser beneficiadas pelo transporte de passageiros, interrompido no trecho em 1992, com a desativação da linha Bandeirante, que ligava Brasília a Campinas (SP).
Com a privatização da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1997, a linha brasiliense foi transferida à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) por 30 anos, prorrogáveis por mais 30. Hoje, o trecho Brasília-Luziânia funciona sobre os escombros da linha férrea pontilhada de estações de passageiros. O ponto de partida é um cemitério de trens. No pátio de manobras da Rodoferroviária, dezenas de vagões, inclusive os que transportaram os últimos passageiros, há 27 anos, estão expostos ao vandalismo, tomados pelo mato. Vez ou outra recebem visita de grafiteiros. Do galpão para reparos, só sobrou o esqueleto. Saquearam todo o alambrado, geradores, janelas, portas, pisos, pias.
(Correio Brasiliense, 28/7/19, com adaptações)
Assinale a alternativa que retrate e explique a situação da falta de investimento na malha ferroviária em várias cidades do país.
 

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780087 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Os primeiros passos
Aconteceu como vou contar. Parece fato pequeno, não é.
Meio-dia, eu de pé na esquina da praça esperando a mudança de sinal. A mesma praça de Ipanema de que falei na semana passada. Hoje também dia de feira (não é um dado pessoal, faz parte). Vinha do lado oposto um grupo de jovens, seis, talvez, uma moça com eles. Teriam cerca de 15 ou 16 anos. Jeito de quem vem da praia ou para a praia vai, bermudão lá embaixo, peito nu, descalços. Atravessaram antes mesmo que o sinal abrisse. Um deles, na retaguarda.
Ponhamos agora na cena uma bicicleta velha, presa com corrente no poste. E no quidom da bicicleta, um pano escuro torcido e amarrado.
Eu ainda estou em pé ali ao lado. O garoto passa, vê o pano, talvez pense ser uma camiseta. Diminui a passada o quanto basta para conferir, apalpa o pano, sacode. Não é camiseta. O jovem desiste, dá dois passos à frente.
Não é camiseta, mas está disponível. O garotão volta. Examina o produto. E começa a desamarrá-lo.
– Isso tem dono! – digo alto para ele. – Não é seu!
O jovem gatuno mal me olha.
– Para com isso! – insisto.
As pessoas passam indiferentes. Dia de feira, a esquina tem muito movimento.
O gatuno conseguiu desfazer o nó, que estava apertado.
– Isso é roubo! – exclamo. E repito: – É roubo!
O ladrãozinho me olha mal encarado, mas está mais interessado no exame daquilo que conseguiu. É uma canga.
Ele me dirige algum insulto que intuo mas não ouço, os colegas o estão chamando, ele sai correndo agitando o seu troféu.
A cena, que aqui parece lenta, durou poucos minutos.
Reparo que havia uma jovem mulher ao meu lado, também esperando para atravessar a rua.
– Também, o cara deu mole! – comenta agora em tom superior. – Larga a canga assim, solta na bicicleta...
Esse tom, vindo de quem tudo viu e nada disse, me toca os nervos.
– Quer dizer que as pessoas têm que se comportar como se todo cidadão fosse ladrão?! – respondo – Sinto muito, não concordo.
– A senhora ainda foi se meter... tava se arriscando.
– Prefiro me arriscar, que assistir calada. De tanta gente que passou, ninguém fez nada.
O sinal abriu, avançamos ainda próximas rumo ao outro lado. Ela aponta para a cabine da polícia.
– E bem na cara da polícia – diz, já se afastando.
Um fato de nada, que não é de nada e que me trava a garganta.
Homens não usam canga. O ladrãozinho roubou, portanto, um objeto que não pode usar. Certamente não espera vender uma canga velha, escura e usada. Roubou, pois, uma coisa que não lhe dará dinheiro. Então, roubou por quê? Porque roubar tornou-se um hábito nacional. Porque a canga "estava dando mole", como disse a mulher. Porque era alguma coisa – não importa o quê – desassistida, sem proteção de vigilante ou de arame farpado, sem cerca eletrificada, sem cão de guarda feroz, sem alarme. Alguma coisa que se podia tomar de alguém, sem risco. O jovem ladrão testou antes. Tocou a canga na passagem, pronto a correr se fosse necessário. Ainda deu dois passos, nenhuma voz de dono fez-se ouvir, ele voltou. Só o dono reagiria, e por impulso irrefreável. Os outros estão sendo diariamente doutrinados para não ver e não ouvir, para não correr riscos, porque o risco é inútil.
Em dia de semana, aquele rapaz não estava
trabalhando, não estava estudando. Estava dando os
primeiros passos na sua futura profissão.
(Marina Colasanti)
O ladrãozinho me olha mal encarado, mas está mais interessado no exame daquilo que conseguiu.
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O termo sublinhado pode ser entendido com função sintática de predicativo do sujeito ou de adjunto adverbial.
II. Há falta de hífen separando mal e encarado.
III. Caso a palavra após mal não começasse por vogal, haveria junção de mal à palavra seguinte, sem hífen.
Assinale
 

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A eleição presidencial brasileira de 1985 foi a última ocorrida de forma indireta, por meio de um colégio eleitoral, sob a égide da Constituição de 1967. Nesse pleito, a vitória coube à Aliança Democrática, que, em síntese, foi
 

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779935 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Os anabolizantes e o cérebro
Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade, aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum. Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes, diariamente.
A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados), abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto, tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)
Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. Em toda a cultura, o artigo A pode ser suprimido sem provocar mudança de sentido.
II. Em até mesmo, pode-se suprimir o vocábulo mesmo, sem provocar mudança de sentido.
III. A vírgula após musculosos pode ser suprimida, sem prejuízo gramatical para o texto.
Assinale
 

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779182 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
Assinale a alternativa em que a primeira estrofe tenha sido corretamente alterada para a forma de tratamento vós.
 

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778929 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Assinale a alternativa em que o verbo apresente predicação verbal DISTINTA da dos demais.
 

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778912 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente, no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa, daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando não ser daqueles que...
– Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
– Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Acerca da dúvida gramatical que motiva o texto de Fernando Sabino, assinale a alternativa que apresente correta interpretação gramatical.
 

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