Foram encontradas 294 questões.
Uma mercearia comprou pacotes de biscoitos recheados nos
sabores de morango e limão. A compra foi entregue em 20
caixas com 48 pacotes de biscoitos em cada caixa. Considere
que em cada caixa de biscoitos havia 4 pacotes de biscoito
recheado sabor morango a mais que os pacotes de biscoito
recheado sabor limão.
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Uma determinada loja de som automotivo queria aumentar
suas vendas em janeiro de 2023 e, por isso, propôs aos seus
colaboradores que, além do salário fixo de R$ 2.640,00, eles
receberiam um adicional de 7% sobre o valor do salário a cada
10 sons automotivos vendidos, conforme tabela a seguir:

Quantos sons automotivos um colaborador que recebeu R$ 3.009,60 de salário vendeu?

Quantos sons automotivos um colaborador que recebeu R$ 3.009,60 de salário vendeu?
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Em uma determinada empresa há 4 funcionários responsáveis
pela limpeza de um total de 69 salas: Ana é responsável pela
limpeza de 10 salas; Bruno fica responsável por 16 salas; Camila
é responsável pela limpeza de 20 salas; e, Daniela pelas restantes. No final do ano, essa empresa resolveu demitir Daniela e
distribuir a responsabilidade da limpeza das salas dela entre os
outros três de forma proporcional, onde cada um deles teria o
mesmo aumento percentual de serviço e, consequentemente,
de salário. Sendo assim, qual será o número de salas que Bruno
passará a ser responsável pela limpeza?
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Considere as proposições a seguir:
1. José é inteligente ou esperto. 2. José é inteligente e esperto.
“Baseando-se nas proposições dadas, é correto afirmar que na operação lógica, a proposição é uma que tem seu correspondente na operação dos conjuntos: a .” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
1. José é inteligente ou esperto. 2. José é inteligente e esperto.
“Baseando-se nas proposições dadas, é correto afirmar que na operação lógica, a proposição é uma que tem seu correspondente na operação dos conjuntos: a .” Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente a afirmativa anterior.
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Em uma loja, os atendimentos aos clientes são sempre feitos
por 4 dos seus 7 colaboradores, sendo que, para uma eventualidade qualquer, dois particulares colaboradores, por serem os
mais experientes, nunca são escalados pra trabalharem juntos.
Sabendo-se que em todos os grupos de atendimento participa
apenas um dos colaboradores mais experientes, a quantidade
de grupos distintos de 4 colaboradores que podem ser formados é:
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Em uma partida de petecas apenas dois jogadores adversários se enfrentarão. Um torneio será realizado nesta modalidade esportiva e contará com 50 jogadores. Foi estabelecido que cada partida será de um set e o competidor que
for derrotado duas vezes será eliminado deste torneio, dando
a vez para um outro jogador. O número máximo de partidas
que poderão ser disputadas para se chegar ao campeão será:
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Uma pesquisa sobre a preferência de 500 alunos de uma dada
escola, por três projetos A, B e C, que devem ser desenvolvidos
no ano de 2023, revelou que, dos entrevistados, 120 alunos
não tiveram preferência por nenhum dos três projetos; 210
preferem desenvolver o projeto A; 230 preferem desenvolver
o projeto B; 160 preferem o projeto C; 90 preferem os projetos
A e B; 90 preferem os projetos A e C; e, 70 preferem desenvolver os projetos B e C. A quantidade de alunos que prefere desenvolver somente o projeto A é:
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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Questão presente nas seguintes provas
A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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