Na esquizoanálise, o dispositivo grupal pode ser
caracterizado por uma tetravalência: picos de
desterritorialização, agenciamentos coletivos de enunciação,
lados territoriais e agenciamento maquínico corporal.
Um dos principais objetivos de uma intervenção grupal,
a partir da perspectiva da análise institucional, é
produzir processos permanentes de autoanálise e
autogestão no contexto em que o grupo está inserido.
Para a análise institucional, grupos são permanentemente
atravessados e transversalisados por processos instituintes
e instituídos. Muitas vezes, um grupo evidencia diversas
instituições que ali estão em funcionamento, operando
entre os sujeitos membros.
Para a perspectiva teórica e metodológica da análise
institucional, ou socioanálise, a intervenção grupal, como
no caso do grupo de autores de violência doméstica, só é
possível a partir da evidenciação de analisadores.
Para a perspectiva de intervenção grupal de
Pichon-Rivière, o papel do facilitador – que pode ser
viabilizado por um psicólogo – é o de manter a coesão
externa do processo grupal, de maneira verticalizada.
A perspectiva teórica de Paulo Freire apresenta uma
proposta de intervenção grupal conhecida como “círculos de
cultura”, um dispositivo bastante utilizado por psicólogos
em contextos de educação popular e de diálogos reflexivos,
como no caso apresentado, e também no âmbito do SUS, na
chamada educação popular em saúde.
A abordagem somatopsicodinâmica, de Federico Navarro,
considera o sujeito uma unidade sistêmica, eliminando a
dicotomia entre corpo e mente, e sendo importante
influência para os chamados grupos reflexivos.
Os grupos reflexivos são dispositivos de intervenção
grupal que têm suas influências teóricas no
construcionismo social, na teoria sistêmica e na
pedagogia do oprimido.
No âmbito do trabalho com autores de violência, os
dispositivos grupais têm sido utilizados com grande
frequência. São exemplos de metodologias grupais
utilizadas nesses contextos: os grupos operativos, os
grupos reflexivos e os grupos interconectivos.