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O filósofo Jean Paul-Sartre afirma que a “existência precede a essência”. Essa célebre frase é apresentada em sua obra O existencialismo é um humanismo. Nela o pensador desenvolve a sua concepção de existência humana. Sua filosofia se confronta com a tradição filosófica do essencialismo, que compreende o sentido da vida a partir de uma essência absoluta e inalterável. Sartre, por sua vez, rejeita a tese de que exista uma razão ou causa a priori que defina o sentido da vida humana, em troca, ele nos diz que a primeira evidência é a própria existência. Sobre essa tese o filósofo afirma:
“O que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define” (SARTRE. J. P. O existencialismo é um humanismo. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural. (Col. Os Pensadores). 1978, p. 6).
Acerca da tese sartreana de que a existência precede a essência, analise as afirmações a seguir.
I – Ao dizer que a existência precede a essência, Sartre argumenta que os seres humanos não possuem uma essência anterior.
II – Se não há uma essência dada como princípio de determinação do ser humano, então, antes de existir o homem é o nada.
III – A antecedência ontológica da existência sobre a essência indica que o modo como o sujeito constrói a sua vida determinará o que ele é.
IV – O existencialismo de Sartre, ao negar a ante cedência da essência sobre a existência, tem como consequência a afirmação da liberdade humana.
Assinale a alternativa correta:
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Dentre as inúmeras atribuições cotidianas do(a) professor(a) de filosofia na realização de seu trabalho, deve-se contar como fundamental o contato com textos de registros variados, mas, óbvia e principalmente, com textos filosóficos.
Acerca dessa relação entre estudo filosófico e texto, Porta (2002, p. 55) assevera: “Ainda que seja possível diferenciar, em princípio, entre os modos de abordagem do estudo da filosofia e do texto filosófico, existe entre ambos um vínculo estreito”.
Há inúmeras propostas metodológicas para leitura de um texto filosófico.
Considerando-se a proposta de Porta (2002), analise os itens a seguir:
I – O texto filosófico deve ser lido como fonte de informações.
II – O texto filosófico deve ser lido como objeto de análise.
III – O texto filosófico pode prescindir de certo nível literário, mas não pode prescindir de certo nível linguístico.
Com base nos itens acima, escolha a alternativa que reúna as afirmações CORRETAS:
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“O homem nasceu livre, e em toda parte vive acorrentado. O que se crê amo dos outros não deixa de ser mais escravo que eles. Como essa mudança se deu? Não sei. O que a pôde tornar legítima? Creio poder responder a essa questão.
Se considerasse somente a força e o efeito que dela deriva, eu diria: ‘Enquanto um povo é constrangido a obedecer, e obedece, faz muito bem; assim que pode se livrar do jugo, e se livra, faz melhor ainda. Porque, recuperando sua liberdade pelo mesmo direito que a tomou dele, ou tem fundamento para retomá-la, ou não tinha quem a tomou’. Mas a ordem social é um direito sagrado, que serve de base a todos os outros. No entanto, esse direito não vem da natureza, ele se fundamenta portanto em convenções” (ROUSSEAU, J-J. Do contrato social ou Princípios do direito político. São Paulo: Penguin Classics – Companhia das letras, 2011, p. 55).
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) é considerado o fundador da democracia moderna e influenciou vários movimentos revolucionários como a Revolução Francesa. Marque a alternativa que apresenta corretamente as concepções da filosofia política de Rousseau.
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De certa maneira, parece haver se constituído como espécie de senso-comum filosófico a narrativa hegemônica do exclusivo nascimento grego da Filosofia. No entanto, algumas pesquisas se levantam contra esse modelo de narrativa, como é o caso, por exemplo, de uma abordagem filosófica afroperspectivista, que, dentre outras características,
“é pluralista, reconhece diversos territórios epistêmicos, é empenhada em avaliar perspectivas e analisar métodos distintos. Tem uma preocupação especial para a reabilitação e o incentivo de trabalhos africanos e afrodiaspóricos em prol da desconstrução do racismo epistêmico antinegro e da ampliação de alternativas para uma sociedade intercultural e não hierarquizada” (NOGUERA, R. O ensino de filosofia e a lei 10.639. Editora Pallas: Rio de Janeiro, 2011, p. 68-69).
A respeito da noção de racismo epistêmico, considere as afirmações abaixo:
I – No caso da filosofia, esse conceito demonstra que apenas o mundo ocidental pode garantir a filosoficidade de um saber.
II – Ao se arrogarem a autoridade de definir a filosofia, as guerras de colonização produziram epistemicídio, ou seja, o assassinato das maneiras de conhecer e agir dos povos africanos conquistados.
III – Tradicionalmente eurocêntrica, essa visão tenderia a excluir outros estilos, linhas e abordagens filosóficas, negando a legitimidade epistemológica dessas abordagens que não são ocidentais.
A alternativa que reúne as afirmações CORRETAS é:
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Para o ensino de Filosofia, pode-se tomar como ponto de partida o explicitado como cidadania nos documentos citados nas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Esses documentos exortam à coerência entre a prática escolar e princípios estéticos, políticos e éticos, a saber: Estética da Sensibilidade; a Política da Igualdade, e; a Ética da Identidade.
Noguera (2011) postula que a inclusão dos conteúdos de História e Culturas Afro-brasileiras e Africanas no ensino de Filosofia acrescentaria novos desdobramentos para os três pontos de partida antes mencionados. Nesse sentido, considere as afirmações abaixo:
I – Uma estética afrodiaspórica e antirracista;
II – Uma política que combata as assimetrias baseadas em critérios étnico-raciais;
III – Uma ética que combata as discriminações negativas endereçadas a grupos étnico-raciais que historicamente têm sido subalternizados, propor uma Ética ubuntu.
Está CORRETO o que se afirma em:
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O processo de ensino filosófico apresenta como exigência inexorável a elaboração de uma concepção – ainda que mínima – daquilo que se pretende ensinar sob a alcunha de filosofia.
“A filosofia é o ato de reorganizar todas as experiências teoréticas e práticas, propondo uma nova grande divisão normativa que inverte uma ordem intelectual estabelecida e promove novos valores para além dos comuns. A forma de tudo isto é, mais ou menos, dirigir-se livremente a todos, mas primeiro e principalmente aos jovens, pois um filósofo sabe perfeitamente bem que os jovens têm que tomar decisões sobre suas vidas e que eles estão geralmente mais dispostos a aceitar os riscos de uma revolta lógica” (BADIOU apud CERLETTI, 2009, p. 35).
Na concepção apresentada por Cerletti (2009), haveria duas dimensões no ensino de filosofia. Qual das alternativas abaixo contém essas dimensões?
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O mês de outubro de 2021 foi dedicado à discussão acerca do Ensino de Filosofia pela ANPOF, levando a comunidade filosófica a debater temáticas e ações que são importantes à área. O trecho abaixo se encontra no fórum de debate dedicado a essa temática:
“Assim, o entrelugares se revela, se não a principal, uma das características da produção acadêmica do ensino de filosofia no Brasil. Isso porque, historicamente, ela se formou entre as frestas institucionais acadêmicas das áreas de filosofia e de educação. Quem primeiro acolheu as demandas de pesquisa sobre o tema, e continua a ser uma grande aliada, foi a filosofia da educação. […] Por sua vez, mesmo que não houvesse muita abertura dos programas de pós-graduação acadêmicos em filosofia para o ensino de filosofia, foi possível forçar as possibilidades institucionais e se infiltrar nas frestas deixadas na área de teoria do conhecimento, ética, estética, política e até história da filosofia, desenvolvendo, em um plano periférico, a temática. Até porque, ao contrário do que muitas vezes é pressuposto, as tensões que irrompem da pesquisa com o ensino de filosofia encontram seu apoio, principalmente, na própria tradição filosófica e, por conseguinte, ressoam as problemáticas típicas da área da filosofia”. (Disponível em: https://anpof.org/forum/canone-- -uma-proposta-de-debate/filosofia-do- -ensino-de-filosofia-por-uma-cidadania- -filosofica. Acesso em: 26/02/2022).
De posse dessas reflexões e em consonância com o proposto por Cerletti (2009), pode-se afirmar que o ensino de filosofia tem sua fundamentação inscrita, primordialmente, no âmbito:
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No relatório da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens, publicado em 2016, foi divulgada uma estatística estarrecedora: a cada 23 (vinte e três) minutos, um jovem negro entre 15 e 29 anos é assassinado no Brasil, seja pela omissão do Estado (que permite o surgimento de traficantes e milicianos), seja por ação direta das forças policiais.
Aliás, foi como consequência de assassinato realizado por oficial de polícia contra George Floyd, um homem negro desarmado, rendido e imobilizado, que o movimento Black Lives Matter ganhou maior notoriedade no mundo.

Não é possível asseverar se o debate teórico acerca do racismo precede as manifestações de rua, ou vice-versa. O que se pode notar, todavia, é que acadêmicos e manifestantes se encontram cada vez mais munidos de ferramentas conceituais. O racismo estrutural, por exemplo, é noção que ajuda a compreender que o fenômeno do racismo não é apenas manifestação individual, mas o modus operandi do modelo de organização econômico-social vigente.
Para Almeida (2019), são considerados o cerne da manifestação estrutural do racismo:
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O racismo é fenômeno estrutural que segue impactando profunda e negativamente a vida de tantas pessoas. Elemento central na manutenção de tal fenômeno é o conceito de raça, que remonta a meados do século XVI, e foi utilizado então em referência a distintas categorias de seres humanos. No século XX, a partir dos esforços de parte da antropologia, chegou-se à constatação de que não há nada na realidade natural que corresponda ao conceito de raça.
Acerca de algumas noções indispensáveis para se compreender o racismo, considere as afirmações abaixo:
I – Discriminação racial é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados.
II – Racismo se manifesta apenas por meio de práticas espontâneas que culminam em vantagens e privilégios para indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertençam.
III – Preconceito racial é o juízo baseado em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a um determinado grupo racializado, e que pode ou não resultar em práticas discriminatórias.
Com base nos itens acima, a alternativa que reúne apenas afirmações CORRETAS é:
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Quem busca uma resposta ao ceticismo terá que enfrentar a questão do critério de verdade: como poderíamos nos certificar da verdade de uma proposição qualquer sobre o mundo? Este é um problema enfrentado, por exemplo, por René Descartes. Para este filósofo,
“a verdade é uma noção tão transcendentalmente clara que é impossível ignorá-la [...] com efeito, existem meios de examinar uma balança antes de usá-la, mas não existiriam meios de apreender o que é a verdade se nós não a conhecêssemos naturalmente.” (DESCARTES, R. Carta a Mersenne de 16 de outubro de 1639. Apud: FORLIN, E. A teoria cartesiana da verdade. São Paulo: Associação Editorial Humanitas; Ijuí: Ed. Unijuí/Fapesp, 2005. pp. 29-30).
Esse conhecimento primeiro sobre a verdade ganha diferentes versões ao longo do processo meditativo de Descartes.
A este respeito considere as seguintes assertivas:
I – Um primeiro critério de verdade utilizado por Descartes em sua meditação é a indubitabilidade. Ou, inversamente, tudo aquilo sobre o qual repousar a menor dúvida será tomado como falso.
II – Na enunciação do Cogito, a certeza que o indivíduo tem sobre sua própria existência desempenha o papel de critério de verdade. A indubitabilidade do Cogito decorre desta certeza absoluta que o indivíduo tem sobre sua própria existência.
III – A partir do Cogito, a certeza do sujeito torna- -se critério de verdade para qualquer proposição.
IV – Por fim, Descartes estabelece como regra geral que todas as coisas conhecidas claras e distintamente são verdadeiras.
Assinale a alternativa que contenha unicamente as assertivas verdadeiras:
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