Foram encontradas 1.765 questões.
Segundo Bosi (2013), “na esteira do Camões épico e das epopeias menores dos fins do século
XVI, o poemeto em oitavas heroicas publicado em 1601 pode ser considerado um primeiro e
canhestro exemplo de maneirismo nas letras da colônia”. Considerando a literatura barroca no
Brasil, tal excerto se refere a:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o poema e responda à questão.
SAUDADES DO ESCRAVO
Escravo – não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensaguentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!...
Naquelas quentes areias
Naquela terra de fogo,
Onde livre de cadeias
Eu corria em desafogo...
Lá nos confins do horizonte...
Lá nas alturas do céu...
De sobre a mata florida
Esta minh’alma perdida
Não veio – só parti eu.
A liberdade que eu tive
Por escravo não perdi-a;
Minh’alma que lá só vive
Tornou-me a face sombria,
O zunir do fero açoite
Por estas sombras da noite
Não chega, não, aos palmares!
Lá tenho terras e flores...
Nuvens e céus... os meus lares!
[...]
Escravo – não, ainda vivo,
Inda espero a morte ali;
Sou livre embora cativo,
Sou livre, inda não morri!
Meu coração bate ainda
Nesse bater que não finda;
Sou homem – Deus o dirá!
Deste corpo desgraçãdo
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!
São Paulo, 1850.
(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas.
Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia as seguintes sentenças:
I) Em Caramuru (1781), de Tomás Antônio Gonzaga, o índio é matéria prima para exemplificar
certos padrões ideológicos. Voltada, contudo, para o passado jesuítico e colonial e em aberta
polêmica com o século das luzes, será uma corrente oposta à de Basílio da Gama.
II) Cláudio Manuel da Costa, ainda adolescente, estreou como cultista em Coimbra, de onde
partiria para Minas, em 1753, antes portanto da Fundação da Arcádia Lusitana. Munúsculo
Métrico e Labirinto do Amor são exemplos de obras que escreveu entre 1751 e 1753.
III) Uraguai (1769) é um poemeto épico de Basílio da Gama que tenta conciliar a louvação de
Marquês de Pombal e o heroísmo do indígena; e o jeito foi fazer recair sobre o jesuíta a pecha de
vilão, inimigo de um, enganador do outro.
Analisando a veracidade das informações a partir do que registra Bosi (2013), é CORRETO afirmar que:
Analisando a veracidade das informações a partir do que registra Bosi (2013), é CORRETO afirmar que:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo e responda à questão.
DINHEIRO
Oh! argent! Avec toi on est beau, jeune,
adoré; on a considération, honneurs, qualités, vertus.
Quand on n’a point d’argent on est dans la dépendance
de toutes choses et de tout le monde.
Chateaubriand
Sem ele não há cova! quem enterra
A
ssim grátis, a Deo? O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora
Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Danáes também o adoram...
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a deputado, até ministro,
Quem é mesmo eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte,
Alma romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!
O mundo é para todos... Certamente
Assim o disse Deus, mas esse texto
Explica-se melhor e d’outro modo...
Houve um erro de imprensa no Evangelho:
O mundo é um festim, concordo nisso,
Mas não entra ninguém sem ter as louras.
(AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: Ateliê Editorial, 1999. p. 292-293.)
I) Observa-se no poema um traço marcante da poesia de Álvares de Azevedo, o efeito irônico que contrapõe o sublime ao prosaico ao explorar o tema. II) Percebe-se que valores ideais tradicionais como o sentido da vida e o amor são postos em confronto com a necessidade real e cotidiana. III) O sarcasmo com que o poeta trata o tema constitui-se em uma forma de fuga e de egoísmo que se difere de outros poemas presentes na obra Lira dos vinte anos. IV) O poema em questão consta na obra Lira dos vinte anos e apresenta traços de ironia e do forte engajamento social, comum à poesia ultrarromântica.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o poema e responda à questão.
SAUDADES DO ESCRAVO
Escravo – não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensaguentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!...
Naquelas quentes areias
Naquela terra de fogo,
Onde livre de cadeias
Eu corria em desafogo...
Lá nos confins do horizonte...
Lá nas alturas do céu...
De sobre a mata florida
Esta minh’alma perdida
Não veio – só parti eu.
A liberdade que eu tive
Por escravo não perdi-a;
Minh’alma que lá só vive
Tornou-me a face sombria,
O zunir do fero açoite
Por estas sombras da noite
Não chega, não, aos palmares!
Lá tenho terras e flores...
Nuvens e céus... os meus lares!
[...]
Escravo – não, ainda vivo,
Inda espero a morte ali;
Sou livre embora cativo,
Sou livre, inda não morri!
Meu coração bate ainda
Nesse bater que não finda;
Sou homem – Deus o dirá!
Deste corpo desgraçãdo
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!
São Paulo, 1850.
(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas.
Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)
I) Percebe-se um distanciamento do subjetivismo próprio das produções literárias da época e um realismo crítico voltado para injustiças da sociedade imperial, por se desejar a participação do negro no projeto de identidade nacional. II) Percebe-se a busca por deleites poéticos semelhantes às produções de escritores contemporâneos ao revelar em sua temática a condição desgraçada e inferiorizada dos escravos africanos e seus descendentes no Brasil até 1888. III) Essa obra foi escrita no período em que o negro-escravo desponta como tema na poesia e apresenta consciência negro-rebelde, inserindo-se no bojo de produções posteriores em que emerge uma posição de resistência e luta por afirmação e reconhecimento social dos africanos e seus descendentes no país. IV) É possível notar que o poema apresenta uma oposição entre um “lá” e um “cá”, num diálogo intertextual que evoca no contexto o lugar da liberdade e o lugar da escravidão, respectivamente.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Para responder à questão , considere os dois poemas de Oswald de Andrade e o
excerto do livro Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil.
São Paulo: Globo, 1991.)
BRASIL
Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da
Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval!
(ANDRADE, Oswald de. Primeiro caderno do aluno de
poesia Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 1994.)
ABRASILEIRAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL
DOS PRIMEIROS TEMPOS
“A ama negra fez muitas vezes com as palavras o mesmo que a comida: machucou-as, tirou-lhes
as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles.
Daí esse português de menino que no Norte do Brasil, principalmente, é uma das falas mais
doces deste mundo. Sem rr nem ss; as sílabas finais moles; palavras que só faltam desmanchar-se
na boca da gente. A linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase
africano: cacá, pipi, bumbum, nenen, tatá, lili […]
Esse amolecimento se deu em grande parte pela ação da ama negra junto à criança; do escravo
preto junto ao filho do senhor branco. E não só a língua infantil se abrandou desse jeito, mas
a linguagem em geral, a fala séria, solene, da gente, toda ela sofreu no Brasil, ao contacto do
senhor com o escravo, um amolecimento de resultados às vezes deliciosos para o ouvido. Efeitos
semelhantes aos que sofreram o inglês e o francês noutras partes da América, sob a mesma
influência do africano e do clima quente.”
(Freyre, Gilberto. "Casa-Grande & Senzala". 9. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
“Em toda sua poesia o achincalhe e a denúncia encorpam-se e movem-se à força de jogos
sonoros, de rimas burlescas, de uma sintaxe apertada e ardida, de um léxico incisivo, quando não
retalhante”. O excerto de Bosi (2013) aborda sobre:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto abaixo e responda à questão.
CRISTAIS
Mais claro e fino do que as finas pratas
O som da tua voz deliciava...
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.
Era um som feito luz, eram volatas
Em lânguida espiral que iluminava,
Brancas sonoridades de cascatas...
Tanta harmonia melancolizava.
Filtros sutis de melodias, de ondas
De cantos volutuosos como rondas
De silfos leves, sensuais, lascivos...
Como que anseios invisíveis, mudos,
Da brancura das sedas e veludos,
Das virgindades, dos pudores vivos.
(CRUZ E SOUZA. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1995. p. 86.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A seguir, há dois poemas de épocas diferentes: o primeiro, do final do século XIX e o
segundo, em meados do século XX. Leia-os, para responder à questão:
Texto 1
A UM POETA
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma de disfarce o emprego
D
o esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
(BILAC, Olavo. A um poeta. In: CANDIDO, Antonio; CASTELLO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira: do
Romantismo ao Realismo. v. II. São Paulo: Difusão Europeia do Livro,1972. p. 254.)
Texto 2
OFICINA IRRITADA
Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.
Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.
Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.
Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Antologia poética. Organizada pelo autor. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1983. p. 178.)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder à questão.
“- Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.
A menina sorriu docemente.
- Olha! Disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...
- Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.
- Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!
- Tu não sabes? Disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda, às vezes, àqueles a quem ama um bom pensamento.”
( ) Trata-se de um fragmento da obra O Guarani, escrito por José de Alencar, que apresenta marcas do passadismo colonial e da figura idealizadora de herói. ( ) A idealização do índio como figura nacional segue um modelo europeizado, materializando-se em Peri, o destemido índio, que faz o possível e o impossível para proteger Cecília. ( ) Peri, protagonista do romance Ubirajara, de José de Alencar, apresenta características morais e comportamentos que se assemelham a um herói medieval europeu. ( ) Peri, herói romântico, expressa uma ruptura com a figura do herói Árcade, pois aquele se assemelha a guerreiros medievais e este se inspira em heróis clássicos. ( ) Peri seria não só representante da grande nação tupi-guarani, como também o símbolo do autóctone brasileiro, mas é apresentado pelo autor de forma aculturada e submissa à moça que salva.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container