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A violência intrafamiliar e institucional sempre afetou a
saúde e a qualidade de vida de milhares de crianças e jovens
no Brasil. Em nosso país, formas agressivas e cruéis de se
relacionar são frequentemente usadas por pais, educadores
e responsáveis por abrigos ou internatos como estratégias
para educar e para corrigir erros de comportamento de
crianças e adolescentes. Mas está reconhecido
cientificamente que essa mentalidade e esse tipo de atuação,
além de serem contraproducentes, são nocivos. Bater, ferir,
violar, menosprezar, negligenciar e abusar são verbos que
não devem ser usados no trato da infância e da adolescência
por vários motivos:
• muitos estudos mostram que a violência, da qual a
pessoa é vítima nos primeiros anos de vida, deixa sequelas
por toda a existência;
• a criança e o jovem não são objeto ou propriedade dos
pais ou de qualquer adulto; e sim, sujeitos de direitos
especiais reconhecidos pela Constituição brasileira e pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);
• essa violência que ocorre silenciosamente dentro das
famílias e na sociedade, como se fosse um fenômeno banal,
é potencializadora da violência social em geral;
• as pessoas vítimas de violência na infância podem
repeti-la quando se tornam adultas, especialmente com seus
próprios filhos ou com outras crianças e adolescentes com os
quais se relacionam socialmente.
Enfim, quando a violência é uma forma de relação que
se estabelece no interior das famílias ou na convivência
social, é preciso denunciá-la e “desnaturalizá-la”, tratando-a
como um problema a ser resolvido, buscando formas
“civilizadas” de trabalhar com os conflitos. Nunca é demais
lembrar que os conflitos são normais e até desejáveis na
sociedade, pois indicam a pluralidade de visões, de desejos e
projetos. O mal, portanto, não está em expressá-los, mas em
suprimir a oportunidade do debate, do diálogo e do exercício
da tolerância. No caso das crianças e dos adolescentes,
geralmente os pais, responsáveis e adultos tendem a acabar
com as divergências de ideias e de comportamentos e com o
conflito de gerações por meio da dominação adultocêntrica,
da imposição de sua vontade, ou por meio de gestos e ações
violentos.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde: um passo a mais na cidadania em saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002, p. 10-1 (com adaptações).
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A Apple fatura vendendo iPhones, iPads e
computadores Macs. A Microsoft fatura vendendo licenças do
sistema Windows ou consoles do videogame XBox 360. O
Google ganha dinheiro com anúncios atrelados a seu serviço
de busca. E o Facebook ganha dinheiro apenas com suas
informações. É o que você posta, escreve, joga, compartilha,
lê, comenta, curte e cutuca que levou a empresa a lucrar
US$ 1 bilhão em 2011. Isso pode transformá-la, agora, na
sétima companhia de tecnologia mais valiosa do mundo.
Quem conseguiu transformar essas informações em
dinheiro foi o jovem americano Mark Zuckerberg, fundador e
principal executivo da empresa. Com apenas 27 anos, ele é
hoje um dos homens mais ricos e influentes do mundo. O
Facebook, criado em 2004 no alojamento de estudantes da
Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, inventou um
negócio com base na oferta de espaço digital (ilimitado e
gratuito) para que os consumidores se relacionem. Em troca,
os dados sobre tudo o que esses consumidores fazem —
tudo o que você faz! — são vendidos às empresas
interessadas em se relacionar com eles, na forma de
anúncios publicitários. Oitenta e cinco por cento do
faturamento de US$ 3,7 bilhões obtido pelo Facebook no ano
passado veio assim. Sistemas inteligentes analisam rios de
dados gerados pelas ações dos usuários e criam cestas de
perfis para quem quiser explorá-los. Como funciona? O
Facebook calcula, por exemplo, quantas mulheres
paulistanas entre 20 e 30 anos acabaram de mudar seu
status de relacionamento para noiva, oferece essa
informação a uma produtora de festas e cria um anúncio para
sair na coluna lateral do perfil das noivas. Da mesma forma,
se alguém curte uma página de comida saudável, pode ser o
cliente ideal para anúncios de vegetais orgânicos. Se posta
vídeos de futebol, se menciona livros de economia, se
comenta sobre mergulhos, se publica fotos das Ilhas Fiji —
as possibilidades de exploração comercial das informações
são infinitas, e todas elas são armazenadas nos bancos de
dados do Facebook. Com o passar do tempo, eles se tornam
verdadeiros oceanos de dados nos quais as empresas
podem pescar o que desejarem saber acerca dos
consumidores.
Até que ponto uma companhia de internet tem o
direito de acompanhar a vida pessoal dos usuários para
desenvolver estratégias de marketing com base nelas? O
Facebook já enfrentou críticas e foi levado aos tribunais pela
forma como atropela os direitos de seus usuários e faz uso
pouco transparente das informações que eles colocam no
site.
Nos últimos anos, as políticas de privacidade e de
direitos dos usuários sofreram várias mudanças unilaterais
por parte do Facebook, sempre na mesma direção — a
publicação indiscriminada das informações que as pessoas
colocam em seus perfis e das mensagens que trocam com
seus amigos no interior do site, e mesmo fora dele.
O objetivo de Zuckerberg com essas constantes
reduções do espaço privado é manter os internautas mais
tempo em suas páginas, conversando e vasculhando os
perfis uns dos outros. Ele percebeu muito cedo, ainda na
universidade, que a maioria de nós temos uma curiosidade
ilimitada sobre os outros e um desejo irrefreável de conversar
e partilhar novidades sobre nós mesmos. Zuckerberg vem
ajudando a moldar uma geração inteira que ficou conhecida
como posto, logo existo — gente incapaz de usufruir um
momento privado sem a antecipação do prazer de partilhá-lo
on-line. É a geração que tem necessidade de colocar no ar,
pelo Facebook, tudo o que faz no dia a dia.
Internet: http://revistaepoca.globo.com (com adaptações). Acesso em 17/3/2012.
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