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A Primeira Guerra Mundial ocorreu de 1914 a 1918. O Brasil entrou no conflito em 1917, em função dos ataques alemães aos navios mercantes brasileiros. Em relação à participação da Marinha do Brasil no conflito, é correto afirmar que uma de suas ações foi:
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Leia o texto a seguir.
"Repetindo aqui as próprias palavras do Chefe-de-Divisão Barroso, na parte que transmitiu ao Visconde de Tamandaré, assim se deu a batalha (grafia de época): -.... Subi, minha resolução foi de acabar de uma vez, com tôda a esquadra paraguaya, que eu teria conseguido se os quatro vapôres que estavam mais acima não tivessem fugido. Pus a prôa sôbre o primeiro, que o escangalhei, ficando inutilisado completamente, de agoa aberta, indo pouco depois ao fundo. Segui a mesma manobra contra o segundo, que era o Marques de Olinda, que inutilisei, e depois o terceiro, que era o Salto, que ficou pela mesma fórma. Os quatro restantes vendo a manobra que eu praticava e que eu estava disposto a fazer-lhes o mesmo, trataram de fugir rio acima. Em seguimento ao terceiro vapor destruído, aproei a uma chata que com o choque e um tiro foi a pique" (BITTENCOURT, 2006).
Qual o nome da batalha naval decisiva na Guerra do Paraguai?
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Segundo Bittencourt (2006), os tipos de persuasão naval, específicos do emprego do Poder Naval em tempo de paz, são classificados quanto aos modos em que os efeitos políticos se manifestam. Marque a opção que apresenta, corretamente, os tipos de persuasão.
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Assinale a opção em que a oração está de acordo com o registro formal da língua.
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em "Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento." (Texto 1 - 4°§), o termo sublinhado classifica-se como
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em "[ ... ] melancolia está para sempre ligada às urzes, [ ... ]." (10º§), o uso do acento grave indicativo de crase é obrigatório, conforme a norma vigente. Em que opção isso também ocorre?
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Qual opção abaixo encontra respaldo no texto?
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Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em "[ ... ]uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar [ ... ]." (Texto 1 - 8°§), as palavras sublinhadas são acentuadas seguindo, respectivamente, as mesmas regras de qual opção?
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Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em "Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa." (Texto 1 - 6°§), a oração destacada tem a mesma classificação que:
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em que opção a análise do termo destacado está correta?
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