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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Assinale a opção em que a preposição ou o advérbio em destaque, nas frases, tem sua correta indicação de sentido.
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Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Analise as afirmativas abaixo.
I- Em "Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber [ ... ]."(Texto 1 - 5°§), há uma oração que pode ser classificada como coordenada aditiva.
II- No período "É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra[ ... ]." (Texto 1 - 5°§), há duas orações - a primeira é classificada como oração principal e a segunda, como subordinada adverbial causal.
III- Em "Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas[ ... ]."(Texto 1 - 6°§), há duas orações - a primeira é classificada como oração principal e a segunda, como subordinada adjetiva restritiva.
Assinale a opção correta.
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Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em que opção o termo destacado exerce a mesma função sintática que "É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra [...]." (Texto 1 - 5°§)?
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em " E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias [ ... ]." (Texto 1 - 8°§), a frase em destaque, ao ser reescrita, sofre alteração de sentido em qual opção?
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Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Que passagem do texto 1 pode ser relacionada a seguinte ideia, expressa no texto 2: "Nostalgia é sentir saudade da saudade[ ... ]."?
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Textos para responder a questão.
Texto 1
Nostalgia, mais que uma palavra
A palavra aflorou no meio de uma conversa qualquer e grudou em mim como uma rêmora: nostalgia.
Nostalgia parece mais antiga que saudade. E tem outro sentido, saudade sendo mais colorida, mais leve, pertencente à família dos afetos.
Nostalgia chega sempre com leve vento e neblina. É um sofrimento de ausência, uma falta, palavra grega cujo significado é algo como "saudade de um lar que não mais existe, ou nunca existiu". Pergunto-me se esse lar pode ser nosso próprio corpo, um corpo em constante modificação, lançado para a frente, ao qual não podemos regressar. Um corpo na estrada, rumo à morte. E tantos têm nostalgia da juventude!
Seja como for, a falta não pode ser preenchida, o que faz da nostalgia um sofrimento.
"A nostalgia é o desejo de algo que não sabemos o que seja" escreveu Saint-Exupéry. Mas muitas vezes sabemos ou acreditamos saber, escolhendo um lugar especifico para estacionar nossa difusa nostalgia. É o caso dos emigrados, que sentem nostalgia da sua terra e, com muita frequência, se reúnem para evocá-la.
Penso em mim mesma, duas vezes emigrada. Tantas e tantas vezes sonhei que voltava para casa. Mas a casa era simbólica, arquiteturas grandiosas e antigas, cheias de colunas, frontões e estátuas, semelhantes a nenhum lugar onde eu tivesse estado. Vermelhas, porém, daquele tom de telha lavada que se vê na Toscana e se via na Roma da minha infância. Não tenho nostalgia da terra ou das tradições, nunca frequentei clima de colônia, e o macarrão que se come em minha casa é melhor ao meu paladar do que o de qualquer restaurante dito "italiano". Nem tenho nostalgia da infância, que passei em meio à Segunda Guerra. Minha nostalgia é de uma certa pátina que a antiguidade deita tranquilamente sobre as coisas, amalgamando-as em harmonia. Minha nostalgia é dos semitons suaves, da evidente passagem das estações.
No século 17, quando a nostalgia foi descoberta ou nomeada pela medicina, era considerada uma doença. Causava náusea, perda de apetite, febre e, nos casos mais graves, inflamações do cérebro e ataques cardíacos. Tratava-se com emulsões hipnóticas e ópio.
Mais adiante, parte dos sintomas foi transferida para outro nome, a depressão. E o ópio saiu de cena, embora continuasse atuante nas coxias - tão atuante que uma grande indústria farmacêutica americana terá que pagar inimagináveis três bilhões de dólares por problemas causados pelo vicio em opioides.
Nostalgia partilha fronteira com melancolia. O "spleen", tão em moda entre poetas e artistas do romantismo. "Durante toda a sua vida, terá nostalgia da poesia", escreveu Chateaubriand.
Para mim, melancolia está para sempre ligada às urzes que florescem nas charnecas de todos os livros das irmãs Brontê. Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento, acolhem a noite, e guardam em seu miolo uma gota onde o mundo reflete, a doce gota da melancolia.
Não sou uma nostálgica consciente, nunca desejei recuperar a trabalhosa juventude, nunca quis voltar sobre meus próprios passos. Mas é certo que levo uma nostalgia na alma, escondida como a gota no miolo das urzes, porque, se assim não fosse, a palavra não teria aderido em mim com tanta persistência, me obrigando a escrevê-la.
Disponível em: <https://www.marinacolasanti.com/p/cronicas.html> - acesso em 04 nov. 2019.
Rêmora - Nome comum a vários peixes marinhos que têm em cima da cabeça uma ventosa com que se fixa a outros peixes grandes ou ao fundo das embarcações.
Pátina - Camada esverdeada que se forma sobre o cobre ou o bronze quando expostos por muito tempo à ação do tempo e do ar.
Amalgamar - misturar.
Charneca - Terreno arenoso, inculto e árido, com vegetação rasteira em que se criam carneiros.
Texto 2

Em conformidade com a norma-padrão da língua, o termo destacado em "Nunca estive frente a frente com urzes, mas sei que se curvam ao vento,[ ... ]." (Texto 1 -10º§), pode ser substituído por
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Texto para responder a questão.
O leitor amado
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor''. São provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez ...
Num dos seus poemas em prosa, Maria Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura.
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes.
Disponível em: <https://www.revistaeducacao.com.br/diferentes-modos-de- leitura/> - Acesso em 04 nov. 2019.
Em que opção a forma verbal destacada apresenta os mesmos tempo e modo que "Ainda que continuemos cultivando a pacatez ... " (1°§)?
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Texto para responder a questão.
O leitor amado
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor''. São provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez ...
Num dos seus poemas em prosa, Maria Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura.
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes.
Disponível em: <https://www.revistaeducacao.com.br/diferentes-modos-de- leitura/> - Acesso em 04 nov. 2019.
Em "Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens[ ... ]." (2°§), a expressão destacada
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Texto para responder a questão.
O leitor amado
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor''. São provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez ...
Num dos seus poemas em prosa, Maria Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura.
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes.
Disponível em: <https://www.revistaeducacao.com.br/diferentes-modos-de- leitura/> - Acesso em 04 nov. 2019.
Em "E é isso o que o poeta faz: repassa ao 'pobre leitor' o enigma da leitura. (2°§)", o trecho destacado é um aposto. Que relação ele estabelece com o termo ao qual se refere?
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Texto para responder a questão.
O leitor amado
Em busca de seu leitorado, o escritor faz uma incansável campanha verbal. Machado de Assis, falando através de seus narradores, refere-se ao "amado leitor". Não sejamos ingênuos, porém. Há uma pitada de ironia nesse amor. Machado também o chama "fino leitor", "leitor pacato", "curioso leitor''. São provocações para que o leitor leia melhor. Para que sejamos realmente finos e curiosos. Ainda que continuemos cultivando a pacatez ...
Num dos seus poemas em prosa, Maria Quintana constata em si a atitude quixotesca. Tal atitude o leva a recriar as coisas em imagens (diferentemente de Sancho Pança, que vê apenas a realidade). Ao invés de solucionar a contenda entre Quixote poético e Sancho pragmático, Quintana afirma que sua "atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele". E é isso o que o poeta faz: repassa ao "pobre leitor" o enigma da leitura.
Tornar-se leitor consiste em assumir o claro enigma da própria existência humana. Habilidades e competências serão inúteis, se não houver (estou pensando na educação integral) algo mais do que viver somente no plano do que é prático, eficaz, do que é produtivo, lucrativo. Os moinhos de vento tornaram-se, de fato, guerreiros gigantes.
Disponível em: <https://www.revistaeducacao.com.br/diferentes-modos-de- leitura/> - Acesso em 04 nov. 2019.
Em que opção o termo destacado NÃO foi empregado como adjetivo?
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